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domingo, 31 de julho de 2022

2000 - ANO VINTE E OITO (Parte 2)

 


A FISM EM PORTUGAL

O fim do milénio trouxe, pela primeira vez, a organização do Congresso Mundial FISM a Portugal. Muito provavelmente, foi, de todas as FISM em que participei, aquela em que menos desfrutei. Tal ficou a dever-se ao facto de ter colaborado com a organização, sendo responsável pela coordenação dos concursos de mesa. 


Apesar disso tive oportunidade de assistir ao muito do bom que esta FISM teve.

No que respeita às galas de palco destaco JAY MARSHALL, RICHARD ROSS, TOPPER MARTYN, JOHN GAUGHAN e o "seu" ANTONIO DIAVOLO (uma actuação pode ser vista aqui), ALI BONGO, MAC KING, JUNGE JUNGE, MIKE CAVENEY, TINA LENERT, GER COOPER, THE NAPOLEONS, BILLY McCOMB, VORONIN e SALVANO. 

Devido à lotação do Grande Auditório do CCB ser inferior ao número total de congressistas inscritos, as galas eram repetidas, sendo os congressistas divididos em dois grupos. Eu estava incluído no segundo grupo e, por isso, na Gala de 7 de Julho, não assisti à actuação do MAGO ANTON que iria apresentar a sua versão do Water Torture Escape, que HOUDINI imortalizou. Na realidade, nessa mesma gala realizada no dia anterior, aconteceu um lamentável acidente (felizmente sem quaisquer consequências além dos prejuízos materiais) e, mal o MAGO ANTON entrou, acorrentado a uma pedra, no enorme aquário, a parede frontal do mesmo partiu-se e a água, trazendo consigo o artista, jorrou para o proscénio e o fosso de orquestra. Dado que o espectáculo estava a ser filmado, os congressistas do segundo grupo tiveram oportunidade de ver, projectado num ecrã, o acidente que sucedera na véspera.

No que se refere à Gala de Close-up, destaco GUY HOLLINGWORTH, BILL MALONE, CAMILO VASQUÉZ e DAVID WILLIAMSON. E relativamente a conferências, assisti às de GUY HOLLINGWORTH, DAVID ACER, TOM STONE, DAVID ROTH e DAVID WILLIAMSON e todas elas considerei como "muito interessantes".

Das entrevistas previstas, assisti às feitas a JUAN TAMARIZ e PAUL DANIELS e ambas se revelaram muito enriquecedoras. Uma outra entrevista que estava referida no programa era a que seria feita a RICKY JAY. No entanto este artista não se deslocou a Lisboa (segundo a organização informou, devido a exigências feitas à última hora) e até houve uma cena um bocadinho caricata em que LUÍS DE MATOS informou tal ausência ao mesmo tempo que riscava o nome de RICKY JAY do programa. No entanto, numa reportagem que registou "para a posteridade, por escrito e em português, tudo o que aconteceu ao longo dos 6 dias que durou" a FISM 2000, a entrevista a RICKY JAY foi referida como tendo acontecido.

Não tendo tido oportunidade de assistir aos concursos de mesa, calmamente sentado na plateia como gosto, fui espreitando as actuações sempre que pude e destacaria, em Close-Up, as actuações de MANUEL MUERTE e SIMO AALTO e, em Cartomagia, as de MAGO MIGUE, HENRY EVANS e THOMAS FRAPS. Em Cartomagia também tiveram excelentes prestações os espanhóis MIGUEL GÓMEZ e FRANCISCO HERRERO, mas viram as suas pontuações afectadas pelo facto de terem feito as respectivas intervenções em espanhol, língua que a grande maioria dos jurados não entendia.

Nos concursos de palco destaco MASK, KENJI MINEMURA, NORBERT FERRÉ, YUNKE, LUÍS BOYANO & ISABELLA e, naturalmente, SCOTT THE MAGICIAN & MURIEL, que obtiveram o Grande Prémio desta FISM (Nota: uma actuação sua, que inclui o acto levado a concurso na FISM, pode ser vista aqui).

Nos concursos participaram vários mágicos portugueses, nenhum dos quais obteve prémio. Em Magia Geral concorreram RUI MORGADO, CHARLES BROOK e SALGUERY; em Manipulação participaram MÁRIO DANIEL e DAVID SOUSA; e em Close-Up concorreram DAVID REGO e MICHAEL JOSEPH.

Infelizmente esta FISM teve duas falhas que a penalizaram na opinião publicada em diversas reportagens que foram feitas. 

A primeira falha esteve relacionada com transportes. Como a zona do CCB não era forte em oferta hoteleira, a maioria dos hotéis em que os congressistas se encontravam alojados situava-se no centro de Lisboa. Por isso foi implementado um serviço de autocarros com a função de, todos os dias, trazer para o CCB os congressistas no início da manhã e de os levar de regresso aos seus hotéis no final do último espectáculo. Como tal serviço apresentou diversas falhas, os congressistas que dele necessitavam tentaram suprir as mesma com recurso ao uso de táxi (lembro que, naquele tempo, não havia UBER nem similares). Ora se, de manhã, junto aos respectivos hotéis, era fácil conseguir táxi, o mesmo não acontecia à noite, junto ao CCB.

A segunda falha aconteceu no último dia, no derradeiro evento programado para esta FISM: Jantar de Encerramento / Gala de Premiados. Ora este evento foi marcado para a Praça Sony (na zona da EXPO'98) e correu muito mal quer a nível de jantar, em que muitos se queixaram de falta de comida e saíram para comprar pizzas nas proximidades, quer a nível de espectáculo, em que as condições não eram as mais apropriadas para certos artistas. A queixa quanto à falta de comida é exagerada, pois acho que existia comida em quantidade suficiente. Mas como era uma refeição ao ar livre, feita em "modo churrasco", convenhamos que ter apenas três grelhadores para preparar, atempadamente, os grelhados para mais de dois mil congressistas é manifestamente mal pensado.

Ora, como sabemos, a última impressão pode marcar de forma indelével a opinião sobre um evento. Por isso não me admiraram as opiniões negativas que foram formuladas por quem deu demasiado "peso" ao que se passou nas últimas quatro horas de um evento que durou seis dias.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O espectáculo de DAVID COPPERFIELD.
Nota de sinal + : A FISM 2000 em Portugal.
Nota de sinal - : As últimas quatro horas da FISM 2000.
Nota de sinal - : O falecimento de EDUARDO FRANCO.

domingo, 6 de março de 2022

1979 - ANO SETE (Parte 2)



A MINHA TERCEIRA FISM

Sete anos antes de haver políticos portugueses a invadirem Bruxelas, por força da entrada de Portugal na CEE, já alguns mágicos o haviam feito no período de 27 de Junho a 1 de Julho de 1979, para assistirem ao 14º Congresso Mundial de Magia FISM.

Depois das duas anteriores edições da FISM (Paris e Viena) que haviam sido excelentes, esta edição ficou, no cômputo global, aquém das minhas expectativas. E nada o fazia prever, pois o elenco da Gala de Abertura do Congresso (designada "Parada de Grandes Prémios") foi constituído única e exclusivamente por vencedores do "Grande Prémio FISM" em anteriores edições do evento. Todos fizeram jus ao título obtido, mas registo na minha memória duas actuações em concreto: as de VIGGO JAHN e de GEOFFREY BUCKINGHAM.

VIGGO JAHN com a sua impecável manipulação de castões brancos com luvas pretas (uma actuação sua pode ser vista aqui) fez-me lembrar D. AGUINALDO e GEOFFREY BUCKINGHAM mostrou que, aos 77 anos (sim, era essa a sua idade na altura!), ainda era possuidor da destreza e coordenação de movimentos que lhe valera o Grande Prémio em 1952 (uma actuação sua pode ser vista aqui). E foi ainda mais enriquecedor perceber, na conferência deste último, os detalhes da preparação do seu número, onde se percebia que tudo tinha sido estudado em prol da obtenção da máxima perfeição artística.

Nas categorias do concurso de palco, além de GER COOPER (uma actuação sua pode ser vista aqui) e SULTANGALI SHUKUROV & SARA KABIGUJINA (uma parte da sua actuação pode ser vista aqui), que foram galardoados ex-aequo com o Grande Prémio, ficaram na minha memória as actuações de VITO LUPO (Magia Geral), SANADA (Manipulação), CHRISTIAN FECHNER (Grandes Ilusões), PETRICK & MIA (Manipulação) e SONNY FONTANA (Sombras Chinesas) e MYKOG (Invenção). Nos concursos de mesa merecem referência especial JOHN CORNELIUS e TOMMY WONDER.

Além da conferência de GEOFFREY BUCKINGHAM acima referida, também foram muito interessantes as conferências de TONY BINARELLI e JOHN CORNELIUS.

Numa outra gala tive a oportunidade de me deliciar com as actuações de ARTURO BRACHETTI (uma fabulosa rotina de Quick Change), FANTASIO (rotina de velas e bastões), GERARD MAJAX (pickpocket), PRIMO GROTTI (sombras chinesas) e MARVIN & CAROL ROY (a rotina clássica de Mr. Electric). Também ficou na memória de todos os presentes a excelente levitação apresentada por BOB BROWN & BRENDA.

Sexta-feira, 29 de Junho, reservava a pior lembrança que tenho de uma FISM. Provavelmente será ela a responsável por esta FISM ser a menos valorizada nas minhas memórias. O final do dia apresentava um programa social interessante: saída de autocarros que, após um "City Tour", rumariam ao "Trade Mart", que fica nas proximidades do Atomium (símbolo da Bélgica e de Bruxelas), para um "Jantar-Buffet", seguido de um espectáculo de Magia. Ora chamar "Jantar-Buffet" a um prato de plástico pré-preparado com algumas carnes frias e um bocado de peixe marinado em "sabe-se lá o quê" acompanhado de um pão (seco!) e uma garrafa (de 33 cl) de vinho só pode ser gozo. Ahhhh... Claro que havia mais bebida, mas apenas para quem estivesse disposto a pagá-la!

O ambiente geral de incredulidade e "revolta" seria, parcialmente, amenizado pelo espectáculo. E digo "parcialmente" porque apenas uma parte dos presentes tinha a visibilidade mínima necessária para o estrado onde decorreu o mesmo. Os restantes (eu integrava este grupo) teriam que se levantar do seu lugar e procurar um sítio em que pudessem ver algo do que se passava em palco.

Mas o pior ainda estava para vir. No final o regresso ao centro de Bruxelas seria feito de autocarro, mas não houve autocarros em quantidade suficiente para transportar todos os congressistas. Assim muitos tiveram que, a expensas próprias, viajar de táxi. E, como havia poucos táxis na zona, a "luta" para conseguir um táxi livre foi um verdadeiro pandemónio, de acordo com o que me contaram no dia seguinte.

Felizmente a malta do Porto é vivaça e, quando nos apercebemos da má organização do evento da noite, saímos com rapidez do local do dito "Jantar-Buffet" e conseguimos garantir transporte num dos autocarros da organização. E os que tínhamos ido a Paris e Viena passamos a viagem a relembrar as recepções na Orangerie do Palácio de Versalhes e no Wiener Rathaus. Tais lembranças ajudaram a passar o tempo de viagem e a esquecer o "ratinho".

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A experiência da minha primeira gravação para TV.
Nota de sinal - : O termo da publicação de QUATRO ASES.
Nota de sinal - : O Jantar-Buffet da FISM Bruxelas.
Nota de sinal - : O fim da publicação da secção semanal "MAGIA por Cardinal" nas páginas do Jornal de Notícias.