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domingo, 11 de setembro de 2022

2006 - ANO TRINTA E QUATRO (Parte 2)





GRANDES TRUQUES DE ILUSIONISMO

Este era o nome previsto para o livro da autoria de MARTINS OLIVEIRA, que se encontrava no prelo no momento do seu falecimento. Por tal motivo esse livro não chegou a ser publicado, mas sei que o respectivo original está preservado nas mãos dum reconhecido coleccionador mágico: o TONY KLAUF. No entanto, quando me foi mostrado, tal original estava incompleto pois faltavam-lhe as páginas correspondentes ao prefácio. 

Mas as coincidências mágicas acontecem... e não apenas nos truques de cartas! E, num belo sábado em que me desloquei à Feira da Vandoma, deparei com três exemplares de um livrinho de 20 páginas, publicado em Abril de 1967 pela Editorial Progredior, para publicitar livros de ilusionismo. Imediatamente folheei um desses livrinhos e, surpresa das surpresas, descobri que, com o intuito de publicitar o novo livro de MARTINS OLIVEIRA, se encontrava impresso o prefácio ausente do original que me havia sido mostrado pelo TONY KLAUF. 

E, obviamente, adquiri os 3 livrinhos publicitários!


EVENTOS MÁGICOS

No final de Março estive nos ENCONTROS DE SINTRA, que, para variar, tiveram lugar em Óbidos.

E no final de Setembro participei no MAGICVALONGO. Sobre este evento escrevi uma desenvolvida reportagem, a qual foi publicada no nº 4 da Revista da Associação Portuguesa de Ilusionismo "MAGICAMENTE". Tal reportagem pode ser lida aqui.

No aniversário da API, foram homenageados os dois portugueses (DAVID SOUSA e HELDER GUIMARÃES) que tinham sido premiados na FISM. Para perpetuar tal cometimento a API ofereceu a cada um deles uma Placa Comemorativa. 

Igualmente foram galardoados com o Troféu API 2006.


NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O 1º Prémio FISM de HELDER GUIMARÃES.
Nota de sinal + : O 2º Prémio FISM de DAVID SOUSA.
Nota de sinal - : O falecimento de TOMMY WONDER.

sábado, 23 de julho de 2022

1999 - ANO VINTE E SETE

 


MÁGICO DE PROXIMIDADE

Sempre fui defensor da utilização da língua portuguesa nos escritos sobre Ilusionismo, como pode ser verificado pela leitura do artigo de minha autoria entitulado "EM PROL DE UM LÉXICO MÁGICO PORTUGUÊS", o qual foi publicado na revista o O MÁGICO nº4 (Setembro de 1996). 

Por isso não admira que procurasse uma expressão que pudesse traduzir de forma conveniente o conceito de "Magia de Close-up". Muito sinceramente, as traduções "Magia de Perto" ou "Magia Íntima" que já vira referenciadas por alguns mágicos não me agradavam. Assim, à falta de melhor, continuava a apresentar-me como "Mágico de Close-up".

Ora foi precisamente, durante este ano, que a ideia de "Magia de Proximidade" me surgiu e, a partir daí, passei a apresentar-me como "O Mágico de Proximidade". Hoje é com regozijo que vejo tal designação ser usada por diversos ilusionistas, embora ainda não tenha visto nenhum ter a preocupação de dar crédito a quem, pela primeira vez, usou tal expressão. Enfim, nada de novo debaixo do sol.

FESTIVAIS, ENCONTROS, ETC.

No âmbito do Festival de São João Bosco (CIF), proferi, em 31 de Janeiro, a conferência "A Lógica Mágica". No dia anterior tinha integrado o elenco da Gala de Close-up. Também foi durante este evento que adquiri o importante opúsculo (da autoria de TONY KLAUF) entitulado "A importância do baralho ordenado no ilusionismo".

Em Março participei nos Encontros Mágicos de Sintra, em Junho participei na 2ª edição dos Encontros Mágicos "LA BARRANCA" e em Setembro assisti ao MAGICVALONGO em que destaco as conferências de ROBERTO GIOBBI, PAVEL, PABLO SEGOBRIGA e JAHN GALLO. 


O POEMA DA CORDA AMARELA

A magia com cordas sempre mereceu da minha parte uma atenção muito especial. Pergunto a mim mesmo se tal não terá sido consequência da oficina ministrada por JEAN MERLIN durante a FISM 1973 (Paris). O certo é que desde essa altura tenho mantido uma rotina com corda no meu repertório. 1999 marcou uma viragem na forma de apresentar a minha habitual rotina: passei a declamar um texto em verso a que chamei "O poema da corda amarela". A primeira vez que tal aconteceu foi num espectáculo realizado em 26 de Junho.

A partir desse momento, esta rotina de corda passou a ser, para mim, uma verdadeira "pièce de resistente". O que nunca pensei é que alguém encontrasse pouca originalidade no conjunto, pela simples razão que já havia mágicos a usar cordas amarelas...

A gravação acima apresentada foi realizada no PINGUIM CAFÉ no ano 2009.

NOTA DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A criação da expressão "O Mágico de Proximidade"


sábado, 9 de julho de 2022

1997 - ANO VINTE E CINCO (Parte 1)

 


DESERTO E COMPANHIA

Nas comemoração a S. João Bosco do CIF, actuei na Gala de Close-Up e na Gala de Palco. Nesta, além de ter o papel de apresentador da mesma, encarnei uma personagem (RUIZ DE CACOS) num sketch humorístico que teve como contexto uma hipotética ligação televisiva directa aos "Estúdios da Virgem do Monte" e ao programa que o mágico RUIZ DE CACOS aí estava a gravar. Em tal programa não faltou a presença de uma figura pública convidada (LUÍS MANUEL TROUXA encarnado por MANOLO), a quem o mágico cortou a gravata. 

Tal como no final do mesmo eu referi, este sketch só foi possível ser realizado devido à existência de um mágico muito conhecido do grande público (LUÍS DE MATOS), pois, até então, este género de charge a uma figura pública, só era possível realizar mimando situações relativas a figuras pública de outras áreas artísticas.

Foi o "sucesso" desta apresentação que nos levou (a mim e ao MANOLO) a desenvolver o conceito e a criar a rotina do grupo DESERTO E COMPANHIA. Com tal rotina concorremos, em Magia de Palco, no Estorilmágico Carcais 97 e obtivemos o 3º Prémio. A opinião corrente foi de que merecíamos o 2º Prémio, mas o jovem inglês que o obteve era aluno de RON MacMILLAN, que integrava o júri.

Embora estivesse nesse evento (realizado no início de Novembro) com a preocupação de concorrer em palco (com uma rotina que envolvia a coordenação de oito pessoas), ainda consegui desfrutar de bons momentos como espectador com as actuações, em palco, de PETER MARVEY, JUNGE JUNGE, DANI LARY e LUÍS BOYANO. Na Gala de Close-up, em que também actuou o HELDER, destaco as intervenções de EUGENE BURGER e JUAN TAMARIZ. As conferências foram todas interessantes, mas DARWIN ORTIZ deixou-me com um sabor agridoce, pois nem sempre conseguiu pôr em boa prática as excelentes noções teóricas que transmitiu.



O MÁGICO, ENCONTROS DE SINTRA e "BRAVO, BRAVÍSSIMO"

Em Março deste ano terminou a minha colaboração regular na revista "O Mágico". Tal ficou a dever-se à demissão do respectivo Conselho Editorial, conforme expressei no artigo "Em jeito de despedida". Os mágicos portugueses que possuem (ou que leram) a colecção completa de tal revista podem achar estranho que, tendo eu sido colaborador da mesma, nunca tenha havido a inclusão, na revista, de um "DOSSIER JOMAGUY". Tal aconteceu por minha expressa vontade, pois declinei o convite que, para tal, me foi enviado pelo MAIK MAGIC através de carta datada de 13 de Novembro de 1997.

Entre 4 e 6 de Abril, participei nos Encontros Mágicos de Sintra, no qual o tema Wild Card foi rei e senhor. Isso e a polivalência de "um gajo que eu cá sei" a reorganizar mesas em restaurantes. Após o regresso a casa tomei conhecimento de uma coincidência pouco feliz. O último dia dos Encontros de Sintra deste ano também tinha sido o último dia de vida de ARTURO DE ASCANIO, que havia falecido na sua casa de Madrid com cartas de jogar na mão, enquanto demonstrava, a amigos, algunos de sus juegos. Sobre este assunto escrevi um artigo na revista MAGIA (CIF) de Março/Abril 1997, o qual está reproduzido aqui.

Também foi em Abril que HELDER participou no programa televisivo "Bravo, Bravíssimo".


CONVENÇÃO API - 97

Decorreu entre 18 e 20  de Abril e nela destaco, nas galas, as prestações de JAY SCOTT BERRY, VLADIMIR DANILIN, CLEMENS VALENTINO e PIERRE EDERNAC. A conferência de JAY SCOTT BERRY, sendo muito interessante em si mesma, teve o senão de ser, praticamente, a repetição da conferência que, dois meses antes, apresentara no CIF. Por seu turno a conferência de PIERRE EDERNAC pareceu-me desorganizada. Há, no entanto, que destacar a conferência de TONY KLAUF que complementou a a exposição existente e apresentou a monografia "Bibliografia Portuguesa de Ilusionismo até ao séc. XIX".



O TRUQUE DO CARRO CORTADO AO MEIO

Foi em Junho que RICARDO PEREIRA realizou com sucesso o grande truque da sua vida: escapar incólume de um acidente de viação que mereceu destaque na capa da edição do JN de 15 de Junho de 1997.


MAGICVALONGO

Neste evento, destaco as conferências de PEDRO LACERDA, CAMILO VASQUEZ e MARKO. Aliás MARKO foi uma excelente surpresa enquanto actuante, pois, apresentando truques clássicos bastante conhecidos conseguiu dar aquela volta que os tornou "novidades" muito interessantes. Também relembro a actuação de ZONGO (um mágico espanhol da "velha guarda") e as suas "bandas afegãs".

Amanhã haverá novo post, no qual lembrarei a FISM de Dresden e não só.


O "VEDETISMO" DE UM ARTISTA VERSUS A "SIMPLICIDADE" DE OUTRO

Sob o título "ILUSÕES, MAIS TARDE" foram integradas no PO.N.T.I. (Porto Natal Teatro Internacional) quatro espectáculos mágicos, com artistas estrangeiros que foram "trazidos" até ao Porto por LUÍS DE MATOS. Lembro-me concretamente da presença de DAVID WILLIAMSON no espectáculo que decorreu, em 13 de Dezembro, no Café Concerto do Teatro Rivoli. No final do mesmo, DAVID WILLIAMSON foi até à mesa onde eu estava com o MANOLO e o HELDER e estivemos a conversar durante um bom bocado. Ora, como os bastidores do Café Concerto do Teatro Rivoli não tinham saída directa para o exterior, o LUÍS DE MATOS ficou retido, durante todo esse tempo, no backstage por, nitidamente, não querer juntar-se à "plebe mágica portuguesa" presente. Foi hilariante!


sábado, 2 de julho de 2022

1996 - ANO VINTE E QUATRO


FESTIVAL DE S. JOÃO BOSCO E COLABORAÇÕES LITERÁRIAS

Magicamente o ano começou, para mim, no Festival S. João Bosco, promovido pelo CIF, durante o qual, recebi o troféu MÁGICO DO ANO 1995 na categoria "Close-Up" conforme pode ser lido aqui. Infelizmente tal evento mágico foi palco de um acontecimento trágico: o falecimento de HORTINY, nos bastidores do palco, poucos momentos após o fim da Gala de Palco. Em 2021, quando se completaram 25 anos sobre o infausto acontecimento, publiquei um texto para o lembrar, o qual pode ser lido aqui.

Em Fevereiro foi eleita a nova Direcção do CIF, da qual eu fazia parte como Vice-Presidente, e o meu envolvimento na publicação da FOLHA MÁGICA recrudesceu, com a produção de conteúdos diversificados e a reformulação do respectivo aspecto gráfico. No que respeita a conteúdos diversificados procurei, aqui e ali, introduzir alguma dose de humor através da publicação de NOTÍCIAS OFF-RECORD.

A minha colaboração literária para a revista O MÁGICO continuou durante o ano e, além da secção TEMAS DE CLOSE-UP, elaborei outros conteúdos. Entre eles quero relembrar o artigo, publicado na respectiva edição de Junho, intitulado "Um Achado Bibliográfico - THESOVRO DE PRVDENTES de Gaspar Cardozo de Sequeira", onde era revelada a existência de um livro de um autor português, publicado em Portugal em 1612, que descreve truques que se pensava terem sido descritos pela primeira vez largas dezenas de anos mais tarde. A descoberta deste livro foi fruto da pesquisa empenhada de TONY KLAUF.


LISBOA É MÁGICA

No início de Junho tivemos a CONVENÇÃO API, a qual adoptou o slogan "LISBOA É MÁGICA". Esta convenção, que se realizou no Teatro Taborda, teve como ponto alto uma Gala de Close-up de Homenagem a ARTURO DE ASCANIO, a qual teve um conjunto de intérpretes ligados a ASCANIO por fortes laços de amizade e grandes doses de aprendizagem dos conceitos mágicos do Mestre. Portanto, além do próprio ASCANIO, actuaram: PEDRO LACERDA, ROBERTO GIOBBI, AURELIO PAVIATO, CARLOS VAQUERA e BERNARD BILIS. Foi, naturalmente, uma gala insuperável!

Na Gala de Palco destaco as presenças de NICHOLAS NIGHT & KINGA, JEFF McBRIDE e LUNA SHIMADA e todas as conferências (BERNARD BILIS, CARLOS VAQUERA, NICHOLAS NIGHT, JEFF McBRIDE e ASCANIO) foram de elevado nível e interesse. Foi durante esta convenção que a API entregou ao Secretário Geral da FISM o dossier da candidatura de Lisboa à organização do CONGRESSO MUNDIAL DE MAGIA FISM 2000. 


MAGICVALONGO

Em finais de Setembro realizou-se a quinta edição do MAGICVALONGO. Participei como concorrente em Magia de Mesa e obtive o 2º lugar. Entre os convidados destaco os estrangeiros PATRICK PAGE e ALI BONGO que proporcionaram excelentes actuações e conferências.Também merece referência o argentino MAD MARTIN, especialmente, pela respectiva actuação na Gala de Close-up. Entre os convidados portugueses esteve JOFERK que parecia querer mudar de "imagem" ao apresentar-se como COIMBRA'S.


Enquanto decorria o MAGICVALONGO, soube do falecimento do Prof. Armindo de Matos, que fora um dos fundadores do CIF e da firma Magiarte.


ESTORILMÁGICO - CASCAIS 96

Na sua segunda edição, este Festival Internacional de Magia não desmereceu todos os elogios feitos à primeira edição e apresentou excelentes convidados em palco (JULIANA CHEN, BERTRAN LOTTH, AMOS LEVKOVITCH, STEVE SHERATON e JUAN MAYORAL) e em mesa (CAMILO VASQUEZ; MICHAEL WEBER e JOHN CARNEY). No conjunto das seis conferências programadas destacaria a dos três últimos mágicos referidos e a de JUAN MAYORAL.

Participei neste evento como concorrente, não tendo obtido prémio. O HELDER também participou como concorrente em Magia Juvenil e foi classificado em 2º lugar (O primeiro classificado foi JORGE SANCHEZ, agora mais conhecido como JORGE BLASS).

DIVERSOS

Mais uma vez realizei diversas actuações a bordo do navio FUNCHAL, integrado no respectivo staff de animação.

Adquiri os livros THE BOOKS OF WONDER, uma verdadeira jóia da literatura mágica, na qual TOMMY WONDER reuniu toda a sua maneira de pensar a Magia. São livros imprescindíveis na formação de qualquer mágico.

DOMINGO EM CHEIO foi o título de um programa transmitido na RTP ao domingo à noite com apresentação de Luís de Matos. Não foi um programa de Magia, mas sim um programa de entrevistas. Na noite de 16 de Junho o entrevistado foi Júlio Isidro. A propósito de tal escolha de convidado escrevi em "A FOLHA MÁGICA" (CIF) de Julho de 1996 um texto que está reproduzido aqui.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O ESTORILMÁGICO - CASCAIS 96
Nota de sinal + : A CONVENÇÃO API 96
Nota de sinal - : O falecimento de HORTINY.
Nota de sinal - : O falecimento do Prof. Armindo de Matos.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

1978 - ANO SEIS

 

1ª JORNADA MÁGICA DE LAMEGO

Por iniciativa do PROF. CHASTEN e com a colaboração do CIF e da MAGIARTE, o mês de Abril registou este evento, no qual participei como actuante a solo e integrado no grupo SKORPIUS. Foi uma excelente jornada de convívio, cumprindo o objectivo de levar as mais diversificadas actuações de ilusionismo a um palco no interior do país. A presença da MAGIARTE (com o Prof. Armindo de Matos) neste evento, depois de já ter marcado presença no Festival da Figueira do ano anterior, fazia augurar o retomar da sua actividade comercial em pleno. Tal, só viria a acontecer, mais tarde, pela mão de TONY KLAUF.

Durante o ano continuei a adquirir alguns livros que pudessem contribuir para ampliar a minha formação mágica. Por motivos diferentes dois deles merecem destaque: "Colombini's Cups and Balls" (de Lewis Ganson) e "Esto Es Magia" (de Alfonso Moliné). O primeiro foi a base de trabalho para uma rotina de covilhetes que me acompanhou durante muitos anos e o segundo "chegou com anos de atraso", pois era o livro que gostaria de ter tido quando me comecei a interessar por ilusionismo. Em termos bibliográficos também é oportuno registar a publicação do primeiro fascículo do "Dicionário do Ilusionismo em Portugal" da autoria de Camacho Barriga "JÓNIO".

O S.M.O. 

As iniciais S.M.O. servem para indicar Serviço Militar Obrigatório, que foi o meu destino a partir de meados deste ano. Calhou-me, em sorte, a ida para a Marinha com a consequente prestação de serviço em Lisboa. Como iria passar dois anos em Lisboa, pensei em poder rentabilizá-los de alguma maneira, até porque, nos primeiros tempos, o ordenado da tropa era parco e precisaria de algum reforço. Houve colegas que solicitaram autorização para dar aulas e tal foi-lhes permitido. 

Dado que, na altura, havia várias boites em Lisboa que contratavam mágicos e outras atracções, programando shows semelhantes aos dos casinos, decidi solicitar autorização para realizar espectáculos profissionais como mágico. Infelizmente, nessa altura, ainda havia muitos preconceitos relativamente à nossa Arte. Por isso a resposta obtida foi negativa, escudada numa justificação que, ainda hoje, recordo tintim por tintim: "A prática do ilusionismo não era atinente da valorização profissional de um oficial da Reserva Naval." 

Confesso que, ao receber tal despacho, consultei um dicionário para ter a certeza do significado de atinente...

A CONVENÇÃO API 78

Entre 10 e 12 de Novembro, realizou-se mais uma Convenção da Associação Portuguesa de Ilusionismo, a qual me proporcionou a possibilidade de assistir a duas conferências magistrais: as de ASCANIO e SLYDINI. 

As memórias das diversas conferências do mestre ASCANIO a que assisti, ao longo dos anos, misturam-se de forma a deixarem uma impressão global da sua grande mestria com cartas, em que cada movimento era pensado e estudado ao pormenor e plenamente justificado por toda a teoria por si explanada. Apercebi-me, por vezes, que as suas longas e pormenorizadas explicações cansavam os presentes no público que eram menos ligados à Cartomagia. Mas, para aqueles que o eram, não havia qualquer cansaço desse tipo (ou de outro) e as conferências poderiam demorar o dobro do tempo, que haveria sempre ensinamentos a colher.

Aqui pode ter-se uma ideia da magia com cartas de ASCANIO.

As memórias da conferência de SLYDINI (e das suas actuações) estão totalmente localizadas neste momento, por ter sido a única oportunidade que tive de o ver ao vivo. Tendo andado a ler e a praticar os lappings aprendidos no livro "The Magic of Slydini" que adquirira dois anos antes na FISM, foi um verdadeiro regalo poder ver o mestre a executá-los de uma forma tão perfeita! Ainda hoje guardo "religiosamente" dois pequenos tesouros que adquiri na sua conferência: os alfinetes dourados e os lenços brancos. É, portanto, fácil de adivinhar que os seus truques "The Mystery of the Gold Pins" e "The knotted silks" viriam a fazer parte do meu repertório de close-up.

Aqui pode ser vista uma actuação de SLYDINI, precisamente a executar a referida rotina de lenços.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A conferência e a actuação de ASCANIO.
Nota de sinal + : A conferencia e a actuação de Slydini.
Nota de sinal - : A prática do ilusionismo não ser atinente da valorização profissional de um oficial da Reserva Naval.

P.S.: Ao escrever este post lembrei-me de completar o anterior com uma breve história. Por isso editei o conteúdo do post "1977 - ANO CINCO (Parte 2)", acrescentando tal história.