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sábado, 11 de junho de 2022

1993 - ANO VINTE E UM


CONVENÇÃO API, MAGICVALONGO, ETC.

A Convenção API-93 foi organizada, em finais de Maio, em parceria com a Câmara Municipal da Amadora, decidida a manter e, quiçá, fazer crescer o seu Festival Internacional de Magia. Por isso não é de estranhar que esta convenção tenha tido orçamento para contratar a vinda de PATRICK DROUDE (França), LIVINGART MAGIC THEATER (Suíça) e MAGIC THEATER OF CAGLIOSTRO (Ucrânia), que proporcionaram fantásticos e inolvidáveis momentos de ilusão.  Foi igualmente excelente a conferência de CHRISTOPH BORER (membro do Livingart Magic Theater).

Foi fácil perceber que o IV CONGRESSO PORTUGUÊS DE ILUSIONISMO, que iria decorrer , na Figueira da Foz, no início de Outubro, iria ser o último dos "Festivais da Figueira". E foi!

Na realidade, não havendo uma aposta clara das entidades oficiais da Figueira da Foz no apoio ao "seu" Festival Internacional de Magia, o resultado só poderia ser realizar um Congresso Nacional que ficaria sempre, no que se refere à qualidade artística dos convidados, uns largos furos abaixo de um festival organizado nos arredores de Lisboa.

Mesmo assim, o último congresso mágico figueirense, ainda teve a capacidade de nos proporcionar a presença de PATRICK PAGE e PETER MARVEY. Nada mau.

Antes da Convenção API tivemos o MAGICVALONGO que nos proporcionou excelente momentos, nomeadamente com os convidados TOPAS (uma actuação pode ser vista aqui) e JUAN MAYORAL.

Além destas viagens, mais ou menos curtas, o ilusionismo proporcionou-me um viagem bem mais longa. Foi a bordo do paquete FUNCHAL, pois fui novamente requisitado para integrar o respectivo staff de animação.


Este ano marca o início da publicação da REVISTA DO CLUBE MÁGICO PORTUGUÊS, impressa em papel de excelente qualidade, o que não admirou pois MAIK MAGIC era proprietário de uma empresa gráfica.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O arranque da Revista do CMP
Nota de sinal - : O fim dos Festivais da Figueira.


sábado, 4 de junho de 2022

1992 - ANO VINTE




ARRANQUE DE MAIS FESTIVAIS

Não tendo estado presente em nenhum deles, acho importante registar que 1992 foi o ano de arranque do "MAGICVALONGO - FESTIVAL INTERNACIONAL DE ILUSIONISMO" (em Abril) e do "FESTIVAL INTERNACIONAL DE MAGIA DE COIMBRA" (em Julho). Enquanto o primeiro teve, a partir daí, programação todos os anos e, portanto, completou, em 2021, a sua 30ª edição, o segundo sofreu um hiato de seis anos e a sua 2ª edição (rebaptizada como ENCONTROS MÁGICOS) só viria a realizar-se em 1998.

Por isso, não se percebe como, mais recentemente, as comunicações de imprensa se referem aos ENCONTROS MÁGICOS DE COIMBRA como o mais antigo dos festivais mágicos portugueses. Nesta caso não é "basta fazer as contas" (como alguém disse...), mas sim "basta olhar para as datas". 

Numa coisa são ambos os festivais semelhantes: a mudança de organizadores entre a primeira e segunda edições do evento. No caso do MAGICVALONGO desapareceu da organização o "CIF - Clube Ilusionista Fenianos" e apareceu, em sua substituição, uma Comissão Organizadora constituída por sócios do CIF. No caso dos ENCONTROS MÁGICOS, a organização passou a ser da responsabilidade de LUÍS DE MATOS, até porque, lamentavelmente, HORTINY já não estava entre nós.

Entretanto DICK MARVEL organizou o 2º SEMINÁRIO PORTUGUÊS DE ILUSIONISMO / 3º FESTIVAL DE MAGIA DE RUA, que teve como convidado uma estrela mundial da Magia: o britânico PAUL DANIELS. Foi excelente poder vê-lo actuar ao vivo. E claro que fui solicitado a servir de seu intérprete.

Também a Convenção API-92 proporcionou excelentes momentos de Magia, protagonizados por TOPAS, FINN JON, JEAN PHLIPPE, TONY CLARK, VITO LUPO e ARMANDO GOMEZ.


NO PAPEL DE GHOST-WRITER

Nunca me imaginei no papel de "escritor-fantasma", mas isso acabou por suceder por força dum pedido do meu cunhado UL-DE-KAR, a que não podia dar uma "nega". 

Na altura ele trabalhava como técnico na RANK XEROX e o seu envolvimento no Ilusionismo era conhecido de todos os colegas. Por isso quando começou a ser publicada "O XEROGRÁFICO" (revista interna da empresa destinada aos colaboradores), logo o abordaram para que nela prestasse colaboração, escrevendo sobre Ilusionismo. E ele, como é um bocadinho avesso à escrita, tratou de me "cravar" para esse trabalho.

Foi assim que, a partir do nº 3 da revista (publicada em Maio deste ano), passou a existir uma secção designada "O XEROMÁGICO" assinada por UL-DE-KAR, mas, na realidade, escrita por JOMAGUY. Esta colaboração iria durar até Outubro de 1993.


DE NOVO NO FUNCHAL E MAIS

Nas férias deste ano voltei a integrar o staff de animação do navio FUNCHAL, desta vez num cruzeiro realizado, maioritariamente, com passageiros portugueses. 

Em 16 de Setembro foi emitido, na RTP 1, o primeiro programa "ISTO É MAGIA" da autoria de LUÍS DE MATOS (pode ser visto aqui). Esta primeira série de "ISTO É MAGIA" teve, como convidados, vários ilusionistas portugueses. Curiosamente (ou talvez não...) LUÍS DE MATOS não convidou os dois mágicos portugueses que tinham experiência recente e mais assídua de "enfrentar as câmaras".

Foi criado, por MAIK MAGIC, o CLUBE MÁGICO PORTUGUÊS.


NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O arranque de novos festivais mágicos.
Nota de sinal + : O início da presença regular de Magia nos ecrãs da RTP 1.



sábado, 28 de maio de 2022

1991 - ANO DEZANOVE (Parte 1)

 


FISM - O REGRESSO IMPREVISÍVEL A LAUSANNE

O 18º Congresso Mundial de Magia estava programado para Roma, mas a morte inesperada (Julho de 1989) do respectivo presidente (PROF. SITTA), que era o elemento agregador das diversas sensibilidades existentes na magia italiana, criou a necessidade de ser encontrada uma nova solução. A equipa que tinha organizado a FISM três anos antes em Haia e o Club des Magiciens de Lausanne que organizara o Congresso FISM nove anos tinham "bem oleadas" as respectivas máquinas organizativas e propuseram-se suprir tal necessidade. A escolha recaiu em Lausanne.

Entre os concorrentes nas modalidades de palco destaco os premiados TOPAS, ARSENE LUPIN, JUAN MAYORAL e, naturalmente, o vencedor do Grand Prix VLADIMIR DANILIN (a sua rotina vencedora pode ser vista aqui). Além destes também recordo as excelentes prestações de DAVIDO e TIM ELLIS. Este último teve direito a um Special Award pela sua versão rap do clássico "Sempre Seis"(que pode ser vista aqui). 

Portugal teve três concorrentes envolvidos nos concursos de palco: SALGUERY (Magia Geral), DAMIÃO (Magia Geral) e OLIMACK (Manipulação). Este último apresentou a sua rotina de sombras chinesas e a inscrição na disciplina de Manipulação foi a solução adoptada por não haver modalidade de Artes Anexas no concurso. Nenhum obteve prémio, mas todos eles deixaram uma boa imagem da Magia em Portugal.

Nas modalidades de mesa destaco os premiados FRANCIS TABARY, JOHN CARNEY, SIMO AALTO, LENNART GREEN E ROBERTO GIOBBI e os não premiados VANNI BOSSI e SHANKAR JUNIOR. Este último, com 13 anos, surpreendeu tudo e todos pela sua desenvoltura ao apresentar a versão indiana dum clássico da Magia: o truque dos covilhetes. E fê-lo da forma mais tradicional possível: sentado no chão, de pernas cruzadas (a rotina pode ser vista, a partir do 1m40s, aqui). 

Na minha perspectiva, na Gala de Close-up, sobressaíram JUAN TAMARIZ, BERNAD BILLIS, RENÉ LAVAND, MICHAEL AMMAR e DAVID WILLIAMSON e, nas conferências, destaco os três últimos nomes referidos e ARTURO DE ASCANIO.

Mas seria numa das galas de palco que me estaria reservado o momento mais emocional que até então tinha vivenciado nos congressos FISM. Entre os diversos convidados presentes nas galas ficaram-me na retina as actuações de VORONIN, ALI BONGO, MAHKA TENDO, LIVING MAGIC THEATRE, AMOS LEVKOWITCH, RUDY COBY e THE PENDRAGONS. 

Mas um senhor ultrapassou todas as minhas expectativas: HARRY BLACKSTONE JR.!... Na minha memória ficaram estas autênticas jóias mágicas: Vanishing Birdcage (que pode ser vista aqui) e Floating Lightbulb

Ora foi precisamente, durante a exibição de Floating Lightbulb que eu vivenciei o tal momento emocional que ainda hoje, ao relembrar, me provoca um arrepio na espinha igual ao que experimentei na altura. Como pode constatar-se, durante a exibição, HARRY BLACKSTONE JR. descia à plateia e entregava a lâmpada acesa a um espectador para que a mesma fosse examinada. Nessa gala inesquecível eu fui o escolhido. E, durante breves momentos, um aparato mágico carregado de história esteve nas minhas mãos. Inolvidável!

Foi também durante este Congresso FISM que adquiri o excelente livro "The Magic of Michael Ammar" e o desdobrável "Daryl Rope Routine" que iria ser o alicerce da minha rotina "O poema da corda amarela". Quando, em Março de 2000, Daryl esteve no Porto a realizar uma conferência tive oportunidade de obter uma dedicatória em tal desdobrável.

Depois de relembrar a emoção de segurar a lâmpada de HARRY BLACKSTONE JR. acho que preciso de um descanso. As restantes memórias deste ano ficam para um novo post que será colocado amanhã.