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sábado, 6 de agosto de 2022

2001 - ANO VINTE E NOVE (Parte 1)

 


ACTUAÇÕES DIVERSAS

Na segunda quinzena de Abril voltei ao mar, a bordo do Paquete Funchal, integrado no respectivo staff de animação.

Em 16 de Outubro iniciei uma temporada de actuações regulares semanais no PINGUIM CAFÉ, um bar de ambiente português, que é muito conhecido pelas suas "Noites de Poesia". Essa temporada estendeu-se até 20 de Junho de 2002.

Em 12 de Novembro participei, como convidado, numa sessão da "Onda Poética", tendo apresentado algumas rotinas mágicas acompanhadas por poemas.

Em 15 de Novembro participei, em directo, no programa televisivo "SIC 10 HORAS". Seguidamente reproduzo parte da minha intervenção em tal programa numa digitalização feita a partir de uma velhinha cassete Betamax, perdão, a partir duma moderníssima cassete VHS! (Esta foi uma private joke para o meu amigo Henrique Silva, leitor atento deste blogue)


Como já se tornara habitual, em Junho, participei na edição 2001 dos "Encuentros La Barranca".


UM SETEMBRO MUITO MÁGICO

Entre 13 e 16 de Setembro participei no XXIV Congreso Mágico Nacional de Espanha que se realizou em Granada. Dele destaco as intervenções dos convidados MICHEL, GRECO, FANTASIO, ALDO COLOMBINI e JUAN TAMARIZ. Mas o momento mais mágico deste congresso foi mesmo o facto do HELDER ter sido premiado no concurso de Cartomagia com o 3º Prémio. Depois da Mención Honorífica obtida em Málaga (1998) foi a subida de um degrau num percurso que se adivinhava promissor. 

Convém acrescentar que o HELDER, além deste 3º Prémio, também obteve 25% do 2º Prémio na mesma modalidade. Mas isso são "contas de outro rosário" que abordarei no post que será publicado amanhã.

Em 22 de Setembro participei como conferencista no 2º Simpósio de Arte Mágica (integrado nos Encontros Mágicos de Coimbra). Nele apresentei a conferência "Improvisos... e não só!", tendo publicado as respectivas notas. O meu trabalho em tal evento incluiu o papel de tradutor das restantes conferências que foram proferidas em inglês. Aliás não tenho qualquer dúvida que foi mesmo a "necessidade" de ter um tradutor para todas as outras conferências que levou o LUÍS DE MATOS a convidar-me.

Entre 26 e 30 de Setembro realizou-se V CONGRESSO PORTUGUÊS DE ILUSIONISMO (MAGICVALONGO 2001) ao qual assisti e do qual destaco as conferências de ALI BONGO, FINN JON e CAMILO VASQUEZ.  Relativamente a actuações, além dos três nomes já referidos destaco as intervenções de MAGICOPÓLIS, MASK e JORGOS. Este congresso (que relembre-se era de... Ilusionismo) teve como convidado com direito a homenagem o actor RUY DE CARVALHO. Ora como nunca se soube de nenhuma ligação desse GRANDE SENHOR do teatro português à Arte Mágica, foi fácil concluir que tal convite (e homenagem) foi um "pequeno frete" feito pela organização ao poder político local em ano de eleições.


Foi também em Setembro que a revista interna da empresa em que trabalhava (PT Comunicações) me dedicou uma página.


UTOPIA

Se calhar, nos dias de hoje, é uma utopia desejar que todos os mágicos leiam bons livros, quando a maioria só quer aprender através de DVD's (ou downloads). Em 2001 adquiri, entre outros, dois livros que permanecerão intemporais: "La Magia de Ascanio - Estúdios de Cartomagia - Sus Favoritos" e "La Magia de Ascanio - Estúdios de Cartomagia - Sus Clásicos".

UTOPIA foi também o nome do espectáculo com o qual LUÍS DE MATOS "esgotou" a lotação do Pavilhão Atlântico na noite de 19 de Outubro. Desloquei-me a Lisboa na companhia do sr. Manuel da Costa (MACOS) que, gentilmente, me havia convidado para assistir ao espectáculo. O "esgotou" está propositadamente entre aspas pois tratou-se de um esgotar muito sui generis.

De facto, à hora marcada para início do espectáculo, estaria talvez meia casa (ou menos...). Ora ninguém acredita que haja uma tão grande taxa de absentismo à hora marcada de pessoas que pagam um bilhete de preço elevado para um espectáculo e que, com o seu desleixo nas horas, se arriscam a chegar quando as portas do local do espectáculo já se encontrem fechadas.

Então a que se deve a chegada tardia de metade da lotação do Pavilhão Atlântico? Muito simples... Para que o espectáculo tivesse o ambiente desejado (casa cheia), em cima da hora, a organização andou a distribuir bilhetes (gratuitamente, é claro!) pelas pessoas que passeavam no Centro Comercial Vasco da Gama e arredores. 

domingo, 17 de abril de 2022

1985 - ANO TREZE (Parte 2)

 

UMA ACTUAÇÃO MUITO PECULIAR

Em Julho deste ano recebi o pedido para uma "borla", ao qual nunca poderia responder com um não. Tratou-se dum pedido do bom amigo Manuel da Costa (MACOS) que sendo, à data, proprietário de uma loja no Centro Comercial Dallas se vira confrontado com o pedido de um outro comerciante do mesmo centro. E o pedido que lhe foi feito foi o de integrar um espectáculo de homenagem ao Duo Ouro Negro que iria ser levado a cabo no Restaurante Panorâmico do Centro Comercial Dallas, apresentando alguns truques.

Ora sendo o Sr. Manuel da Costa uma pessoa extrovertida e sempre brincalhona com os seus pequenos truques mágicos, normalmente, não se sentia muito à vontade quando era solicitado para uma actuação mais formal e, por isso, "passava a bola a outro". Foi esse o contexto do pedido que me foi feito para integrar o espectáculo da "tal" homenagem ao Duo Ouro Negro. Quem, de igual forma, foi "cravado" pelo Sr. Costa foi o OLIMACK.

A dita homenagem ao Duo Ouro Negro até fazia algum sentido, pois um dos elementos do duo (Milo) havia falecido a 4 de Abril desse ano, "obrigando" o outro elemento (Raul Indipwo) a ter uma carreira a solo. Mas a homenagem que eu vi foi um espectáculo num restaurante em que os presentes pagavam uma certa quantia para a ele poderem assistir. Nesse espectáculo actuaram Raul Indipwo e Os Irmãos Verdades. 

E agora perguntam os leitores: " E o que aconteceu aos mágicos?"

E eu respondo: Os mágicos também actuaram... mas no intervalo do espectáculo! 

Sim, leram bem, pois tudo se passou conforme irei relatar. A certa altura, para dar descanso aos artistas (os músicos, claro) foi anunciado um intervalo para lhes permitir comer e beber algo. E só passado um pouco é que foram anunciadas as actuações dos mágicos para preencher o tal intervalo. 

Claro que o Sr. Manuel da Costa não teve qualquer responsabilidade no sucedido. Ele foi o primeiro a ser "enganado" em todo o processo. Esta situação, aliada às más condições de preparação e ao facto do Sr. Manuel da Costa até ter que pagar a cerveja que bebi, levou-me, daí em diante, a ser muito mais escrutinador perante solicitações de "borlas".


O CONCURSO DO SOLO MIO

Em Setembro deste ano participei no "Concurso Novos Talentos" promovido, em Lisboa, pelo Bar-Concerto Solo Mio com patrocínio do "Se7e" e da "Rádio Comercial". A minha participação em tal concurso aconteceu por um feliz acaso. Sendo leitor do "Se7e", ao tomar conhecimento de tal concurso e sabendo que nas datas das eliminatórias estaria a trabalhar em Lisboa, decidi inscrever-me apenas com o objectivo de ajudar a implantar o Ilusionismo como forma de entretenimento em ambientes que, por norma, apenas "tinham olhos" para o entretenimento musical.

Depois de ser apurado para a final tive que "investir" 2 dias de férias para poder participar na mesma. Mas foi um bom investimento pois obtive, entre os 72 inscritos no concurso, o 1º Prémio ex aequo com mais três concorrentes. Um deles, o actor João Santos, é nem mais nem mesmo que o conhecido actor e apresentador de TV João Baião.

Em Novembro voltei a actuar em Lisboa, desta vez na qualidade de convidado  da Convenção API-85, tendo realizado actuações de Palco e Close-up.


MOMENTO DE MAGIA (RTP 1)

Em 27 de Dezembro foi a emitida a minha primeira colaboração regular no programa da manhã da RTP 1 (Espaço 12/13). Esta primeira série de rubricas designada "Momento de Magia" foi constituída por um total de 39 episódios, o último dos quais foi emitido em 7 de Outubro de 1986. Aqui vos deixo o primeiro desses 39 episódios com a qualidade possível de uma digitalização feita a partir de uma velhinha videocassete Betamax.


NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A FISM de Madrid.
Nota de sinal + : Obter o 1º prémio num concurso fora do ambiente mágico.
Nota de sinal + : O início da rubrica "Momento de Magia".
Nota de sinal - : O "chico-espertismo" de alguns organizadores de "homenagens"...

sábado, 22 de janeiro de 2022

1973 - ANO UM (Parte 1)

 

A MINHA PRIMEIRA FISM

O ano de 1973 ficou marcado na minha memória pela presença na FISM de Paris. Acho que muitos mágicos partilharão comigo o seguinte pensamento: a primeira FISM é inolvidável! Para mim ainda terá sido mais, pois nunca havia participado em nenhum congresso ou festival mágico.

A ida a tão importante congresso mágico foi rodeada de alguma peripécias que irei partilhar convosco. Em primeiro lugar convém notar que vivíamos num período político onde pontificava a ditadura do regime do Estado Novo. Embora Marcelo Caetano tivesse criado alguma abertura com a chamada "primavera marcelista" continuava a existir guerra colonial, para onde eram enviados os mancebos alistados no SMO (Serviço Militar Obrigatório).

Era um tempo em que muitos mancebos se escapavam ao cumprimento da prestação do SMO, emigrando "a salto" para países a Europa central, nomeadamente França. No entanto o governo permitia, a quem estivesse envolvido em estudos universitários, adiar a respectiva incorporação no SMO até concluir o respectivo curso superior, desde que tal conclusão acontecesse até o "adiado" completar uma determinada idade (creio que 25 ou 26 anos).

Nesse tempo ainda não havia UE (União Europeia), pelo que era necessário obter um passaporte para viajar. Naturalmente que era muito difícil ser atribuído um passaporte a um mancebo de 18 anos que queria viajar para França. Mas, com recurso a um compromisso pessoal do meu Pai, assegurando que eu regressaria após o Congresso FISM, lá consegui que me atribuíssem um passaporte de validade reduzida, quando o normal era uma validade de 5 anos.


Mas, mesmo após a resolução deste problema, outra situação poderia inviabilizar a minha viagem a Paris. As datas em que iria decorrer a FISM de Paris eram também datas em que decorreriam os exames universitários e uma das exigências de meu Pai relativamente às férias mágicas em Paris era a seguinte: eu não poderia prejudicar os meus estudos com tal viagem. Sendo assim aguardei a marcação de exames, sabendo que só poderia ir a Paris se o exame marcado para as datas da FISM fosse precisamente a disciplina a que havia dispensado de exame... E foi isso que aconteceu!... Claro que dei pulos de júbilo quando vi essa feliz coincidência.

A viagem para Paris foi feita de comboio e quem tratou de a organizar foi o Coimbra pois já tinha experiência de anteriores idas a Paris com grupos do Instituto Francês. Além dos quatro mágicos (DE ROCK, JOFERK, JOMAGUY e MACOS) o grupo integrou a Cristina (esposa e partenaire do JOFERK) e mais alguns amigos do Coimbra que iam passar uma semana de férias a Paris. Apesar de viajarmos nas carruagens ditas "couchettes" não deu para dormir o suficiente pois a expectativa de ir assistir a uma FISM a par do bom convívio entre todos não o permitiram. E também não deu sequer para abrir a "sebenta" para estudar para o exame que me esperava três dias após o regresso de Paris.

O programa da FISM 1973 (cuja capa está reproduzida acima) estava repleto de momentos que se revelariam inolvidáveis para um neófito em tais andanças, que nunca tinha sequer assistido a uma simples conferência mágica. E relativamente a conferências a FISM de Paris apresentou inúmeros "pesos pesados" da Arte Mágica, como por exemplo: FLIP, LIEBENOW, GEOFFREY BUCKINGHAM, NIC NIBERCO e DICK ZIMMERMANN. Em todas elas aprendi algo que me durou para a "vida mágica", mas destacaria como sendo as mais importantes para a minha aprendizagem mágica as conferências de Jean Merlin e Fred Kaps. Assistir à actuação de FRED KAPS numa das galas foi algo de muitíssimo especial e "beber" os seus ensinamentos transmitidos na conferência que proferiu foi mesmo a "cereja no topo do bolo". Ainda hoje constitui um dos meus "pequenos tesouros mágicos" as notas de conferência que adquiri e que ele, gentilmente, autografou,

A par das actuações primorosas de muitos convidados (SAMSON, SILVAN, TOPPER MARTYN, ALI BONGO, SHIMADA e OMAR PASHA foram alguns deles), tive a oportunidade de assistir às exibições de concorrentes (muitos deles de grande qualidade) com ideias e apresentações cénicas inovadoras e que rompiam com o modelo mais tradicional do estereótipo de um mágico. Direi que tais actuações como que ampliaram largamente a minha perspectiva da Arte Mágica.

Os Congressos FISM têm sempre uma componente social com um jantar de gala. Desta minha primeira FISM não esqueço a recepção que tivemos no Palácio de Versalhes com almoço na "Orangerie do Palácio", em que, ao entrar, tivemos direito a ser anunciados com o toque de trombetas à boa maneira das recepções da realeza. A comida (variadíssima) e bebida à discrição que nos esperavam constituíram um lauto banquete que proporcionou sadios momentos de descontracção e convívio.

Um dos focos de bastante interesse nos grandes Festivais e Congressos de Magia é a respectiva Feira Mágica. Naturalmente que a FISM não é excepção. Nesta minha primeira FISM, como estudante, as poupanças da minha mesada não deram para grandes flostrias. No entanto, uma das aquisições que fiz viria a ser fundamental na minha aprendizagem da manipulação de cigarros que, anos mais tarde, iria integrar uma das minhas rotinas mágicas. Refiro-me ao livro "Enciclopédie des Tours de Cigarettes" da autoria de Keith Clark.

Uma das memórias que tenho desse tempo é a da fraca participação dos associados do CIF nas respectivas reuniões semanais. Apenas os 4 elementos acima referidos que se deslocaram a Paris e o Sr. João Marques Pinto eram assíduos frequentadores das mesmas. No entanto nas primeiras reuniões agendadas pós-FISM o CIF registou uma afluência que eu, até aí, nunca tinha visto. Essa situação foi por mim caricaturada com o cartoon que seguidamente reproduzo.

NOTA FINAL: Amanhã publicarei um novo post em que partilharei outras memórias deste ano.