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domingo, 27 de março de 2022

1982 - ANO DEZ (Parte 2)

 


 A FISM DE LAUSANNE

A Fátima acompanhou-me, pela primeira vez, a uma FISM e, como ela ia grávida, poderei dizer que esta foi a primeira FISM a que o Helder "assistiu", mas vendo através do olhos da mãe. Claro que escrevo isto com a certeza que irei provocar muitos sorrisos em quem me lê, mas seja lá por que carga de água for, anos mais tarde, quando questionado sobre quem era o seu mágico preferido, o Helder respondeu: LANCE BURTON. Ora foi precisamente este o mágico galardoado com o Grande Prémio nesta edição da FISM. Coincidência ou memória do tempo de gestação passado em Lausanne?

Das diversas actuações de convidados presentes nas galas deste congresso, recordo PETER PIT (e a sua execução impecável da Dancing Cane, a par dum trabalho perfeito como apresentador de Gala de congresso mágico), BELLACHINI XIII (com a sua fantástica rotina que personificava um mágico de finais do séc. XIX e usando aparatos mágicos que haviam sido fabricados nessa época), PAUL POTASSY (e a sua soberba execução de Sympathetic Silks), DURATY (não me lembro do que fez, mas sei que foi de ir às lágrimas a rir), SALVANO (com uma rotina de manipulação levada ao limite da perfeição, na qual se destacavam as produções de copos com bebidas) e ALI BONGO (no papel de apresentador e sempre com efeitos muito criativos para "matar o tempo" entre convidados).

Claro que também merecem ser referidas as excelentes prestações (que não constituíram novidade para mim) de MAGIC CHRISTIAN, DICK AND DIANA ZIMMERMAN, PRIMO GROTTI, PIERRE BRAHMA e RICHARD ROSS AND VERONIQUE .

As conferências de HARY LORAYNE, MARCONICK, FANTASIO, JEAN MERLIN, RICHARD ROSS e (o inevitável) JUAN TAMARIZ foram muito proveitosas em ensinamentos para aumento da minha "bagagem mágica". Presente nesta FISM estava DAI VERNON e um grupo de portugueses (e não só) aproveitou para registar um fotografia na companhia de "The Professor".

No que se refere a programa social tivemos o habitual banquete, que, não tendo o brilho e glamour dos banquetes de Paris e Viena ficou muitíssimos furos acima do"desastre" de Bruxelas. O único senão resultou da falta de capacidade da sala para albergar todos os congressistas no mesmo dia. Portanto os congressistas foram divididos em dois grupos, os quais desfrutaram do banquete em dias diferentes. O programa proporcionado ao grupo que não tinha banquete foi um passeio de barco no Lago Léman.

Além do já referido LANCE BURTON (que obteve o Grande Prémio e cuja rotina pode ser vista aqui) também me ficaram na memória as actuações, em palco, de DAVIDO, ARSENE LUPIN, SOCRATE, JAY SCOTT BERRY e SANADA. Registo, igualmente, a presença de dois portugueses nos concursos de palco: FRED ALLAN em Manipulação e SERIP em Magia Cómica.

No que se refere ao concursos de mesa destacaram-se MICHAEL AMMAR, DARYL, PEPE CARROLL e AURELIO PAVIATO.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O nascimento do único (até hoje) português Campeão Mundial de Magia.
Nota de sinal + : A conferência de Tommy Wonder.
Nota de sinal + : A minha primeira conferência para mágicos.
Nota de sinal + : A FISM de Lausanne.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

1976 - ANO QUATRO


A FISM NA CIDADE DE JOHANN STRAUSS 

Para mim este ano iniciou-se com o meu primeiro contrato com o "Monumental Casino" da Póvoa do Varzim, mas o facto mais relevante do ano foi o 13º CONGRESSO FISM, realizado em Viena (Áustria) entre 7 e 11 de Julho. 

Não tendo, obviamente, o mesmo impacto que, três anos antes, tivera em mim a FISM de Paris (relembro que, nessa altura, era "virgem" em relação a congressos e festivais de magia), foi um congresso que me proporcionou assistir a inúmeras actuações de elevada qualidade. E a primeira que me vem à ideia é a soberba actuação de BORRA, um artista de pickpocket, mas, no fundo, um verdadeiro showman, com uma capacidade de lidar e interagir com a presença de espectadores em palco como, até então, nunca tinha observado.

Também foi a primeira vez que assisti a uma actuação da dupla THE MORETTIS, que tanto furor viriam a fazer, nos anos subsequentes, em festivais e congressos de Magia com a sua inigualável "Caixa das Espadas em Cartão". Igualmente, a participação da dupla espanhola NICHOLS & HONEY (com os quais viría a fazer amizade) no espectáculo de gala que decorreu no "Theater an der Wien" foi objecto de muitos elogios. A sua "Cesta Hindu" permanece como sendo a melhor que vi até hoje. O DUO ABSOLON teve uma actuação soberba com a impecável manipulação de chaves e correntes, devidamente enquadradas num pequena "peça teatral" em que personificavam carcereiro e prisioneira. No mesmo espectáculo foi, igualmente, fantástico rever as fabulosas rotinas de ALI BONGO e SHIMADA.

Numa outra gala foi muito bom poder assistir à actuação de duas verdadeiras lendas vivas: PROF. SITTA (uma actuação sua pode ser vista aqui) e KUDA BUX (uma actuação sua pode ser vista aqui). A rotina apresentada por este último ainda hoje tem, para mim, alguns contornos de verdadeiro mistério.

Os concursos também proporcionaram muitos momentos de elevada qualidade. Em Micromagia a actuação que ainda recordo é a de ALDO COLOMBINI (que, na época, usava o nome artístico "MR. FABIAN") e os seus covilhetes "voadores". Notar que obteve o segundo lugar na competição, mas, na óptica de muitos, merecia o primeiro. Anos mais tarde, essa rotina seria publicada num livrinho editado por Supreme Magic e eu iria usá-la como base de uma rotina mágica que apresentei em diversos espectáculos. Em Cartomagia recordo a excelente rotina do espanhol TONY CACHADIÑA.

Nos concurso de palco recordo, naturalmente, PIERRE BRAHMA, que foi galardoado com o Grande Prémio com a sua rotina de jóias e moedas. É fantástico admirar um artista que ultrapassa um forte handicap (falta de audição) e consegue uma actuação perfeita ao ritmo da música. As actuações de JAN TORELL (2º lugar em Magia Geral), PETRICK & MIA (não obteve prémio), e ROY GARDNER & ASSISTANT (1º lugar em Magia Cómica) foram prestações que, igualmente, permanecem na minha memória.

No que se refere à componente social o programa estabelecia uma ceia num "Heuriger" (uma típica taberna vienense). A comitiva portuense (alguns dos quais tinham experienciado a recepção na Orangerie do Palácio de Versalhes na FISM 1973) abordou o cumprimento deste ponto do programa na expectativa de um opíparo jantar. Por isso o copo de vinho que foi servido acompanhado de algo para "picar" soube a muito pouco. Valeu o descontraído ambiente de convívio em que grupos de diversas nacionalidades cantaram espontaneamente canções típicas dos respectivos países. E o vinho fazia um belo efeito... Terá sido essa a razão pela qual, à saída, um dos congressistas queria levar, como "recuerdo", a cadeira em que estivera sentado?

Na comitiva portuense, a visita ao "Heuriger" teve uma consequência que poderemos classificar de... "humorística". Passados dois dias estava programada uma recepção na Câmara Municipal de Viena seguida de baile. O vestuário recomendado era, naturalmente, formal, mas nada era especificado quando a "comes e bebes". Por isso, no trajecto para o Wiener Rathaus, paramos numa roulotte de comida rápida e, ali mesmo, em pé e trajando os nossos melhores fatos de gala, tratámos de aconchegar o estômago para o caso de se repetir a situação vivenciada no "Heuriger". Esse "aperitivo" ingerido por precaução não nos impediu de apreciar o excelente jantar de gala que nos foi proporcionado no palácio.

Na Feira Mágica do Congresso tive que ser bastante selectivo quanto a compras, pois ainda era estudante e a mesada não era elástica. Mas adquiri dois livros fundamentais para a boa formação de qualquer mágico: "The Dai Vernon Book of Magic" e "The Magic of Slydini", ambos da autoria de Lewis Ganson.

No pouco tempo que o Congresso me deixou livre, pude passear por Viena e sentir a cultura ser emanada em parques e jardins. Lembro-me, durante anos, de pensar que, se algum dia tivesse que escolher uma cidade estrangeira para viver, essa cidade seria, indubitavelmente, Viena.

Mais alguns factos marcaram o panorama mágico português no ano de 1976, os quais, seguidamente se registam de forma breve. Em 9 de Julho faleceu D. AGUINALDO. Aqui registo que recebi dele importantes ensinamentos quando estava a preparar a minha rotina de manipulação de cigarros acesos. Um desses ensinamentos foi perpetuado no artigo "LEMBRANDO D. AGUINALDO" que escrevi e foi publicado em "A Folha Mágica" (CIF) de Abril de 1995. Seguidamente apresento dois curiosos  panfletos publicitários de D. AGUINALDO, datados de 1951 e 1965.

Em 20 de Agosto foi efectuada a escritura relativa à criação da Associação Portuguesa de Ilusionismo. Por coincidência, nesse mesmo dia estreou em Lisboa o espectáculo "O Mundo Fantástico da Magia" encabeçado por RICHIARDI Jr.. Foi uma tentativa de reeditar o êxito que, em 1972, tivera o "1º Festival Internacional de Magia", mas a época do ano (Verão) não foi propícia, tal como não tinha sido, no ano anterior, para o espectáculo de JOHN CALVERT, no Porto. Como o espectáculo não veio à cidade invicta, desloquei-me a Lisboa para, a ele, poder assistir. No respectivo elenco destaco, além de RICHIARDI Jr., as presenças de RICHARD ROSS (que, em 1973, na FISM Paris conquistara pela segunda vez o Grande Prémio) e OTTO WESSELY.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A FISM de Viena.
Nota de sinal + : A criação da Associação Portuguesa de Ilusionismo.
Nota de sinal - : O falecimento de D. AGUINALDO.