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sábado, 10 de dezembro de 2022

2019 - ANO QUARENTA E SETE





INVISIBLE TANGO

Em 7 de Maio estreou em Los Angeles (GEFFEN PLAYHOUSE) um novo espectáculo de HELDER GUIMARÃES com o título Invisible Tango. Naturalmente que me desloquei a Los Angeles para poder assistir a mais uma criação do HELDER.



Poderia tecer os maiores elogios a esta criação do HELDER GUIMARÃES, mas prefiro deixar aqui a opinião do crítico do periódico Los Angeles Times.



OPEN HOUSE PORTO 2019

Este ano, o Clube Fenianos Portuenses aderiu, novamente, a esta iniciativa e, consequentemente, o CIF (Clube Ilusionista Fenianos) esteve envolvido na mesma. Embora não tivesse repetido todos os erros do ano anterior, mantiveram-se alguns. Disso mesmo dou conta neste texto.




SECRET LANGUAGE - VOL.1

Este foi o título escolhido por HELDER GUIMARÃES para o livro que publicou para partilhar as suas ideias mágicas com a restante comunidade. É seguramente um livro que ficará como referência da magia desenvolvida e criada pelo seu autor. E o facto do nome incluir "VOL.1" dá-me a esperança de, pelo menos, ver a publicação de um "VOL.2"


NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O espectáculo INVISIBLE TANGO de HELDER GUIMARÃES.
Nota de sinal + : A publicação de SECRET LANGUAGE - Vol.1.
Nota de sinal - : O CIF na OPEN HOUSE PORTO.

sábado, 3 de dezembro de 2022

2018 - ANO QUARENTA E SEIS



PONTO DE FUGA

Em 2018, HELDER GUIMARÃES voltou a Portugal para protagonizar mais um espectáculo escrito pelo próprio: PONTO DE FUGA. O espectáculo estreou no Casino Estoril em 31 de Maio e teve um breve digressão que incluiu Leiria, Estarreja, Tróia e Porto.

Para promoção deste espectáculo HELDER esteve nas Manhãs da Rádio Comercial e a respectiva intervenção pode ser vista aqui.

A divulgação do espectáculo PONTO DE FUGA apareceu em alguns órgãos da imprensa escrita, de que é exemplo esta publicação no Jornal de Notícias.


Também a RTP Notícias se referiu à presença de HELDER em Portugal nos moldes que podem ser vistos aqui.



OCEAN'S 8

Em 21 de Junho estreou nas salas de cinema de Portugal este filme, o qual teve a particularidade de contar com HELDER GUIMARÃES como "magic consultant". A isso foi dado o devido destaque na notícia "Ocean's 8" teve mão (e magia) de um português.


OPEN HOUSE PORTO

Neste evento (cuja programação geral pode ser vista aqui) estava incluída uma visita ao Clube Fenianos Portuenses, constando no respectivo roteiro um apartado intitulado "SECÇÃO E MUSEU DE MAGIA: A história do ilusionismo no Porto e o CIF". Naturalmente que tal me suscitou interesse e realizei a visita. As impressões colhidas na mesma deixaram-me triste e desiludido e ficaram expressas neste post de NOV@M@GI@.



MAGIA NO HARD ROCK CAFE PORTO

A programação de magia num espaço como o Hard Rock Cafe, por si só, teria que atrair a minha atenção. Se a isso acrescentar que nunca ouvira falar do nome do mágico que aí iria actuar (MOISÉS MAGIC), que a programação estava anunciada para se repetir todos os domingos e que, pela espreitadela que dei na página Facebook do citado mágico, fiquei ciente do envolvimento de VICTOR VALENTE e TONY KLAUF na assessoria mágica ao espectáculo do MOISÉS MAGIC, é fácil concluir que foi com uma elevada expectativa que, em 7 de Outubro, me desloquei ao Hard Rock Cafe. 

E qual foi o resultado? Desilusão total. O espectáculo foi um fiasco completo e, a corroborar isso mesmo, não voltou a repetir-se no Hard Rock Cafe. Ainda hoje me questiono como é que duas pessoas que reputo de muito conhecedoras no que concerne a Magia e a espectáculo se deixaram "embarcar" naquele projecto.

Pergunto a mim mesmo se, caso aquela abertura do Hard Rock Cafe para programar actuações de Ilusionismo tivesse sido bem aproveitada, não poderíamos ter, nos dias de hoje, um espaço no centro do Porto com presença regular de Magia.

Normalmente, quando um mau músico faz um mau trabalho num local que o acolhe, esse músico não volta a ser contratado, mas outros músicos não deixam de o ser. Infelizmente, no Ilusionismo, regra geral, quando um mágico faz um mau trabalho, todos os restantes mágicos deixam de ser contratados, pois é o Ilusionismo que é abolido da respectiva programação.


NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O espectáculo PONTO DE FUGA de HELDER GUIMARÃES.
Nota de sinal - : O CIF na OPEN HOUSE PORTO.
Nota de sinal - : O péssimo trabalho do MOISÉS MAGIC no Hard Rock Cafe.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

1977 - ANO CINCO (Parte 1)

 

OS MÁGICOS

Este foi o nome do espectáculo público integrado nas comemorações de S. João Bosco levado a cabo pelo CIF no dia 14 de Fevereiro no Teatro Sá da Bandeira. Foi uma iniciativa louvável da Secção de Ilusionismo do Clube Fenianos Portuenses que pretendeu, com ela, aproximar a Magia dum público mais abrangente daquele que frequentava, por norma, os espectáculos realizados na sede do clube. A crítica publicada em 16 de Fevereiro, no jornal "O Comércio do Porto" foi a que, seguidamente, reproduzo.

Fruto da dinâmica de trabalho que, nessa época, existia no CIF foram criados dois grupos de mágicos para apresentar rotinas de Grandes Ilusões. Juntamente com o UL-DE-KAR formei o grupo SKORPIUS (ao qual também se associou para colaborar o OLIMACK) e preparamos um efeito (A  Decapitação) baseado num dos quadros do espectáculo de JOHN CALVERT em que ambos tínhamos trabalhado. O funcionamento mecânico da ilusão era substancialmente diferente e suficientemente seguro para o OLIMACK arriscar a própria cabeça nele. Ao contrário da apresentação de CALVERT, que era cómico-burlesca, a nossa encenação era "pesada" e o público tinha direito a ver sangue jorrar durante o corte da cabeça (Nota: não só ver como também sentir alguns salpicos, como viria a acontecer num espectáculo posterior em que as dimensões do palco obrigaram a uma menor distância relativamente à primeira fila da plateia).

Portanto nesse espectáculo, além de apresentar a minha premiada rotina de manipulação, apresentei (em parceria com UL-DE-KAR), pela primeira vez, um número de Grandes Ilusões. A estreia dessa rotina correu muitíssimo bem e fomos, inclusivamente, elogiados pelo categorizado Roberto (da dupla NICHOLS & HONEY). O que também relembro desse espectáculo foi a ovação espontânea com que fui interrompido quando, durante a rotina de manipulação, realizava o meu  último efeito mágico : o bastão dançarino. Por isso, nessa noite, a rotina ficou um pouco mais curta. Dado o êxito do programa, a empresa do Teatro Sá da Bandeira contratou-nos para realizar uma mini-série de 3 espectáculos num dos fins de semana seguintes.

As comemorações de S. João Bosco não se limitaram a este espectáculo público e tiveram outras actividades realizadas apenas entre os ilusionistas. Uma dessas actividades foi inovadora no ambiente mágico. Tratou-se de um "Rali Paper" realizado nas ruas da cidade do Porto, o qual, além de permitir um salutar convívio entre os participantes também ajudou a divulgar o espectáculo já referido.

Uma das outras actividades integradas nas comemorações de S. João Bosco, foi o almoço convívio realizado num conceituado restaurante situado nos arredores do Porto. No final do repasto houve os tradicionais discursos. Delas, recordo com carinho a intervenção do saudoso LE-A-FAR, pois incluiu uma situação que ficou bem gravada na minha memória. Ao finalizar a sua intervenção, LE-A-FAR informou que, pouco tempo antes, tinha estado no Brasil e era portador de diplomas "Magirama" que lhe tinham sido entregues pelo CONDE RAMSÉS para homenagear alguns mágicos portugueses que se haviam distinguido em escritos sobre Ilusionismo. Mas quando entregou, a um dos homenageados, um diploma sem nome, logo se percebeu que os diplomas tinham vindo do Brasil apenas com a assinatura de CONDE RAMSÉS e fora a escolha de LE-A-FAR que determinara a "lista de homenageados". Isto permitiu-me aferir a dimensão correcta de certas distinções atribuídas no país irmão que, nas minhas leituras, tinha visto referenciadas.


O MEU PRIMEIRO "HECKLER"

1977 foi também o ano em que terminei o meu curso de Engenharia de Telecomunicações. Por isso, em data que não consigo precisar, realizou-se o habitual "Jantar de Fim de Curso". Se a data não relembro, o local ainda está bem presente na minha memória: a "Farmácia Campos" em Matosinhos! E já agora convém referir que o restaurante tinha, na altura, um nome pelo qual toda a gente o conhecia: "O Farta Brutos".

Embora eu não andasse pelos cantos da Faculdade com um baralho na mão a "impingir truques" aos colegas, todos eles conheciam a minha ligação ao Ilusionismo. Por isso era inevitável que, no final do repasto, me iriam solicitar uma actuação improvisada... para a qual eu ia, obviamente, preparado.

Nessa noite, um dos efeitos que decidi apresentar foi uma rotina "Fora Deste Mundo". E foi aqui que tive o azar de fazer uma má escolha do espectador que iria separar as cartas entre pretas e vermelhas pois escolhi um "brincalhão" (Nota: creio que esse "brincalhão" foi o Pedro Sampaio). E o que fez ele? Escolher sempre a mesma cor!... Claro que a rotina terminou (e bem!) quando atingi metade do baralho, mas, os mágicos percebem que teria sido muito mais impactante se usasse todo o baralho.

Naturalmente que são experiências deste tipo que nos fazem crescer. Por isso, na época, deixei de apresentar essa rotina até encontrar uma solução que fosse "à prova de brincalhão". Encontraria tal solução alguns meses depois e pude voltar a apresentar, com confiança, tal rotina. A solução que encontrei faz parte integrante do efeito "Out of this water" descrito pelo meu filho (HELDER GUIMARÃES) na sua colaboração para o livro "BEST OF ALL WORLDS".

Amanhã haverá novo post referente a 1977.

sábado, 29 de janeiro de 2022

1974 - ANO DOIS

 

Seguramente que, por mais eventos ilusionísticos relevantes que este ano (1974) tivesse tido, não poderia deixar de referir o 25 de Abril (Revolução dos Cravos) como o evento mais mágico do ano. Naturalmente que afectou a vida de todo o povo português. As alterações que vieram a ser introduzidas na sociedade portuguesa permitiram aos mágicos outra possibilidade de contacto com o estrangeiro, nomeadamente no que se refere à aquisição de material e livros (as explicações em videocassetes e DVD's ainda pertenciam à  ficção científica da época)

Foi precisamente, em Junho deste ano que adquiri um livrinho (Dai Vernon's Symphony of the Rings) a partir do qual aprendi a técnica de uma rotina de Argolas Chinesas que, essencialmente, é a mesma que, hoje em dia, ainda apresento. Aprender a partir da leitura de texto com apoio em fotografias é substancialmente diferente de aprender a partir de videos, mas permite obter uma manuseamento dos objectos (neste caso, das argolas) que difere dos "maneirismos" do professor ("pun intended" para mágicos).

Foi durante este ano que tive a minha primeira experiência de "mágico profissional", ao realizar actuações iguais, em dias consecutivos, para públicos diferentes e em locais tão "especiais" como um castelo ou as escadarias frontais de uma Câmara Municipal. Foi uma digressão por terras transmontanas integrado no elenco artístico da FNAT (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho), organismo que viria a dar lugar ao INATEL (Instituto Nacional para Aproveitamento dos Tempos Livres). Era uma digressão que estava programada com a participação de JOFERK, que não a concretizou por um bom motivo: ficar "à espera da cegonha" que lhe trazia a filha Raquel.

Mesmo sendo uma digressão curta, deu para ter uma pequena ideia do grau de perfeição que um profissional pode atingir quando executa, diariamente, a mesma rotina mágica, a qual vai "polindo" com a experiência de cometer pequenos erros e de os solucionar.


Perto do final do ano o CIF organizou o 3º ENCONTRO NACIONAL DE ILUSIONISMO, o qual teve dois convidados estrangeiros de peso: JUAN TAMARIZ e EBERHARD LIEBENOW. As respectivas actuações e conferências foram muito bem recebidas e trouxeram aos mágicos portugueses muitos ensinamentos. A magia com fichas de jogo (apresentada por Liebenow) viria a ser parte integrante de muitas das minhas rotinas de close-up (nessa época eu ainda não tinha introduzido o termo Magia de Proximidade para designar o que, internacionalmente, é conhecido como Close-up Magic) e começar a perceber a teoria com que Tamariz suportava as suas apresentações foi muito importante para entender que a Magia ia muito mais além do que o truque bem executado.

Embora não viesse com o estatuto de convidado, um outro mágico espanhol de elevada qualidade acompanhou Tamariz na sua deslocação ao Porto: Juan Antón. As suas actuações de improviso fizeram as delícias de quem a elas assistiu. Antón era um comunicador nato e tinha um enorme sentido de humor e (relembro) tinha sido o parceiro de Tamariz na formação da dupla LOS MANCOS que, no Congresso FISM de 1970 (Amesterdão), havia conquistado o 2º lugar no Concurso de Micromagia. Seguidamente deixo um video em que Juan Antón executa a sua rotina pessoal de covilhetes.


Além das Notas de Conferência, Tamariz trouxe para venda dois livros de que era autor e que pertenciam à colecção "Monografias Mágicas Misdirection" publicada pela Editorial CYMYS. A qualidade mágica de tais publicações, abriu-me o apetite para outras publicações mágicas da mesma editora, pelo que, de imediato, enviei carta à Editorial CYMYS a solicitar toda a informação disponível sobre tal matéria. Na sequência de tal resposta iria adquirir (no início de 1975) vários livros dos quais destaco os dois volumes de MAGIA DE CERCA da autoria de Lewis Ganson.

No âmbito do 3ª ENCONTRO NACIONAL DE ILUSIONISMO integrei o elenco do espectáculo "Noite de Magia", realizado no Salão Nobre do Clube Fenianos Portuenses na noite de 2 de Novembro. No programa que apresentei estava incluída uma rotina de corda e argola que servia de introdução a uma rotina mágica com três argolas. No dia seguinte realizou-se um almoço informal com vários mágicos num restaurante da zona ribeirinha do Porto. Enquanto esperávamos no exterior que preparassem uma mesa apropriada para o convívio gastronómico que se ia seguir, LIEBENOW abeirou-se de mim e perguntou se lhe poderia ensinar um dos passes da minha rotina de corda e argola que vira na noite anterior. Dado que ainda tinha o material do espectáculo na mala do carro (o qual estava ali mesmo estacionado com o "ovo estrelado" à vista), imediatamente fui buscar a corda e argola necessárias para proceder a tal demonstração/ensinamento. É precisamente esse momento que a fotografia seguinte documenta e onde se pode ver que, além de LIEBENOW, também a MARGOT e o JOFERK seguem atentamente a minha explicação.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A experiência actuar todos os dias, como um profissional a tempo inteiro.
Nota de sinal + : A conferência de Juan Tamariz.

sábado, 8 de janeiro de 2022

PRÉ-HISTÓRIA MÁGICA, DESPERTAR E AUTODIDATISMO


A MINHA PRÉ-HISTÓRIA MÁGICA

Relembro a excitação que sempre me causavam, na minha infância, as idas ao circo na companhia dos meus Pais. Mais do que as actuações dos palhaços eram as prestações dos mágicos que mereciam a minha preferência. Ainda hoje retenho a imagem de um desses mágicos, vestido de branco, produzindo cigarros atrás de cigarros. Quem seria?

Mais tarde relembro um espectáculo de circo e variedades, realizado no Cine-Teatro Vale Formoso, em que o apresentador, depois de realizar a sua actuação de mágico, fez desaparecer uma garrafa de vinho e alguns chocolates numa das suas caixas mágicas, desafiando a assistência a descobrir o truque. E lá subi ao palco para descobrir a marosca e... ganhar a garrafa e os chocolates. Foi esse o meu primeiro contacto com uma caixa que, mais tarde, viria a saber denominar-se, no meio mágico, como "tip over box".

O DESPERTAR

Em 1967 o Jornal de Notícias publicou uma série (em minha opinião, curta) de 14 artigos designada «FAÇA VOCÊ TAMBÉM DE MÁGICO!», que recortei (e ainda hoje conservo), li e reli vezes sem conta, onde aprendi alguns truques, que fui praticando entre familiares e amigos, alimentando, ainda que de forma ténue, um "bichinho" que um dia iria desenvolver-se.


Em Dezembro de 1969 iniciou-se a publicação regular dominical da secção MAGIA (da autoria de Cardinal), no Jornal de Notícias, que, igualmente, recortei e li, embora ficasse, nessa altura, desiludido com a pouca profusão no que se referia a explicação de truques. Mas foi através da leitura dessa rubrica que tomei conhecimento da actividade da Academia Portuguesa de Ilusionismo (API), nessa altura já a cargo de José Carlos Martins Oliveira, pois o pai já havia falecido. Depois dos primeiros contactos escritos com a API, como resposta a um desafio publicitado nas páginas do JN (“Tabuleiro de Damas”), e dum posterior contacto telefónico desloquei-me à respectiva sede (Campo Mártires da Pátria, 27-1º) e adquiri o meu primeiro conjunto de material, pode dizer-se, profissional.


Igualmente, através da MAGIA do JN, tomei conhecimento da existência do Clube Ilusionista Fenianos, mas a ausência de um estímulo directo para o contacto a par de alguma timidez natural inibiu-me de dar o primeiro passo de aproximação. 

Antes mesmo desse contacto com a API já havia descoberto que a Livraria Bertrand tinha alguns livros de Ilusionismo à venda, cuja aquisição comecei a fazer, na medida das minhas possibilidades. Esta busca de livros de Ilusionismo levou-me ao contacto, entre outros, com os livros de Martins Oliveira (o meu primeiro livro de Ilusionismo foi MAGIA DO SÉC. XX, adquirido em 25 de Junho de 1970). O estilo desse prolífero autor, com a permanente referência a círculos restritos de amadores seleccionados, despertou em mim a vontade inequívoca de aprender sempre mais, imaginando o dia em que atingiria o grau necessário para ingressar nessa classe de elite. Nessa aprendizagem os truques de cartas eram, sistematicamente, postos de lado pois ou os achava enfadonhos pela demora da respectiva execução ou de pouca ilusão, face aos princípios matemáticos envolvidos, cuja existência me parecia de fácil detecção pelos espectadores. 

Foi, igualmente, na Livraria Bertrand que descobri os livros de magia de língua espanhola da autoria do Padre Wenceslao Ciuró. "Ilusionismo Elemental" foi o primeiro livro que adquiri deste autor e foi, provavelmente, o livro de magia que mais vezes reli nos anos que se seguiram.

AUTODIDACTISMO

Passei então por uma fase (1970/1971) de constante procura de livros e de espectáculos em que actuassem ilusionistas. Começava nessa época a ter uma certa atitude crítica em relação às actuações dos ilusionistas, ditos de circo (sem desprimor por quem quer que seja que alguma vez tenha integrado tais elencos), pois me pareciam, de uma forma geral, bastante repetitivos. Retenho, no entanto, como excepções, os casos de Conde D’Aguilar (pela sua impecável apresentação) e de D. Aguinaldo (pela surpresa e ineditismo dos seus números). 

Aos domingos de manhã, no Porto, havia um espectáculo de variedades chamado Festival que, infelizmente para o meu desejo, não era tão variado assim, pois não apresentava Ilusionismo. Mas eis que surgiu um programa similar, mas suficientemente abrangente e (porque não dizer?) inovador para o panorama artístico da época a ponto de incluir ilusionistas no respectivo elenco: foi o programa Pica-Pau. Infelizmente, para meu desencanto, durou pouco tempo esse projecto. Creio que não falhei a presença num único desses espectáculos, onde tive oportunidade de apreciar algumas actuações que me maravilharam, até porque fugiam do figurino habitual das actuações de circo. Foi, nesse programa, que adoptei o meu primeiro ídolo no âmbito do Ilusionismo. Adivinham de quem se tratava? Se responderam JOFERK, acertaram.

Para além de assistir às actuações dos ilusionistas, procurava, nessa época, descobrir como eles executavam os truques e fabricar o material necessário para os mesmos, nuns casos com sucesso, noutros, nem por isso. Por vezes, quando tal fabrico exigia aptidões de costura que, obviamente, não possuía, recorria aos serviços de uma costureira que, ocasionalmente, trabalhava lá em casa em prejuízo dos arranjos de roupa para cuja execução era contratada pela minha mãe. Ainda hoje conservo um lenço de pintas e um saco-galinha fabricados nessa época. Tal processo de aprendizagem conduziu-me, naturalmente, para efeitos de magia de palco. A magia de close-up permanecia como uma pérola por descobrir.

NOTAS DE RODAPÉ
Nota de sinal + : A descoberta dos livros do Padre Wenceslao Ciuró.
Nota de sinal - : O encerramento da Academia Portuguesa de Ilusionismo.