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sábado, 26 de novembro de 2022

2017 - ANO QUARENTA E CINCO



RETRATO CLANDESTINO

Este foi o nome do espectáculo escrito e protagonizado por HELDER GUIMARÃES que, em 9 de Fevereiro,  estreou em Lisboa (Teatro do Bairro). A temporada na capital decorreu até 19 de Fevereiro e, em seguida, o espectáculo veio para o Teatro do Bolhão, no Porto.

Para divulgação deste espectáculo o HELDER esteve presente, em 31 de Janeiro, nas programa Manhãs da Radio Comercial e a respectiva intervenção pode ser vista aqui. E como os apresentadores do programa ficaram "de olhos em bico" quiseram ver, novamente, um Campeão Mundial de Magia em acção. Por isso HELDER voltou ao programa em 15 de Fevereiro e esta sua segunda intervenção pode ser vista aqui.

Esta presença de HELDER GUIMARÃES em Portugal com o espectáculo Retrato Clandestino também mereceu uma entrevista no DN (ver aqui) e outra na RTP (ver aqui).



O FALECIMENTO DE JODIVIL

Em 26 de Abril faleceu, em Lisboa, José Dias Vilhena, que, artisticamente, era conhecido como JODIVIL. Tive o prazer de desfrutar da sua companhia nos inúmeros congressos e festivais mágicos em que participamos, onde se criou uma amizade que se manteve apesar da distância geográfica. Pouco antes do seu falecimento tive oportunidade de adquirir o valioso acervo mágico que ele reunira durante a sua vida. Decorridos cinco anos sobre a sua morte, escrevi um texto que pode ser lido aqui.



CONGRESO MÁGICO NACIONAL - MANRESA 2017

Estive presente neste congresso espanhol onde sobressaíram as conferências de DANI DAORTIZ, JOHN CARNEY e GABI PARERAS. Também relembro as actuações de LUÍS OLMEDO, MIGUEL AJO e JOHN CARNEY (em Close-up) e SERGI BUKA (em palco). E também recordo a bonita exposição de aparatos mágicos patente no Casino de Manresa. 



No regresso de Manresa, tive a oportunidade de estar algum tempo em Barcelona e aproveitei para visitar o meu amigo JOAN FONT.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O espectáculo RETRATO CLANDESTINO de HELDER GUIMARÃES.
Nota de sinal - : O falecimento de JODIVIL.

sábado, 7 de maio de 2022

1988 - ANO DEZASSEIS (Parte 1)

 


A FISM NA HOLANDA (HAIA)

Mais uma FISM (para mim foi a sexta) que não defraudou as expectativas que são sempre muito elevadas.

Uma das curiosidades implementadas pela organização desta FISM foi cunhar duas moedas homenageando dois "monstros sagrados" da magia holandesa: OKITO e FRED KAPS. Tais moedas eram necessárias para pagar as bebidas adquiridas nos bares do Centro de Congressos. Hoje são peças de colecção.

Relativamente aos convidados das galas de palco ficaram na minha memória as actuações de RUDY COBY, JOHNNY LONN, THE PENDRAGONS, TINA LENERT, FUKAI AND KIMIKA, DAVIDE COSTI, JEFF McBRIDE, JAMES DIMMARE e VLADIMIR DANILIN. Numa das galas também trabalhou, como convidado, o português especializado em "sombras chinesas" JOE MARVEL. Esteve no bom nível que lhe conhecia e, para rematar a sua actuação, "desenhou", com as mãos, o perfil de FRED KAPS. Excelente ideia para uma FISM realizada na Holanda.

Como convidada esteve também a estrela japonesa PRINCESS TENKO, cuja actuação preencheu toda a segunda parte de uma das galas. Apesar de toda a publicidade de que foi precedida e da fama que, na época, tinha no seu país, ficou bastante aquém das minhas expectativas.

A Gala de Close-up foi designada com toda a propriedade "CLOSE-UP FESTIVAL". E foi mesmo um festival de boa magia onde todos os atuantes merecem ser destacados. BOB READ, CARLOS VAQUERA e DR. SAWA, talvez por ser a primeira vez que os vi actuar, merecem, para mim, um destaque especial.

As conferências de ALDO COLOMBINI, DARYL e EUGENE BURGER foram aquelas em que mais ensinamentos colhi.

Os concursos tiveram um nível excelente. Portugal esteve presente por intermédio de HORTINY (na modalidade de Invenção) e JORGE SORIAC (na modalidade de Manipulação). Não obtiveram prémios mas não desmereceram o aval obtido para os respectivos concursos.

Nos concursos de palco fiquei especialmente bem impressionado com as prestações de TOM MULLICA (3º prémio de Magia Cómica e uma actuação similar à do concurso pode ser vista aqui), TOPAS (2º prémio de Manipulação), YUKA (3º prémio de Magia Geral), THE NAPOLEONS (3º prémio de Grandes Ilusões), TOMMY WONDER (2º prémio de Magia Geral com a rotina que pode ser vista aqui) e VIK & FABRINI (1º prémio de Magia Geral com a rotina que pode ser vista aqui).

Nos concursos de mesa destaco as prestações de JOSE CARROL (1º prémio de Cartomagia), ROBERTO GIOBBI (2º prémio de Cartomagia) e JOHN CARNEY (2º prémio Close-up) e, naturalmente, JOHNNY ACE PALMER que foi o primeiro concorrente numa modalidade de mesa (Close-up) a conquistar o GRANDE PRÉMIO FISM. A sua rotina vencedora pode ser vista aqui.

No programa social do evento estava incluída uma recepção promovida pelo Ministro da Cultura da Holanda e pelo Presidente da Câmara de Haia. Esta recepção (que incluiu bebidas e aperitivos à discrição) teve lugar num edifício público destinado a eventos culturais que anteriormente havia sido uma igreja (Grote Kerk). Não pude deixar de comentar com alguns portugueses que nós, ali numa "igreja", de copo na mão, só estávamos a dar sentido literal à expressão "correr as capelinhas". E não é que, anos mais tarde, numa outra FISM, o JODIVIL ainda se lembrava deste meu comentário!

Também nos foi proporcionada uma Festa Mágica onde ficamos distribuídos em mesas (repletas de comidas e bebidas) de duas salas diferentes, cada uma tendo uma orquestra para proporcionar música ao vivo para dançar. Mas a parte mais sui generis desta festa foi a entrada, pois, a cada congressista era oferecido um (e um só) flute com champanhe. Ora cada um deles tinha no fundo um diamante, numa evidente acção promocional dos diamantes holandeses. No entanto nos mais de dois mil flutes com champanhe servidos à entrada só havia três diamantes verdadeiros, sendo os restantes falsos. Cada congressista tinha que evitar "beber" o diamante e recolhê-lo para fazer o teste e discernir se se tratava de um diamante verdadeiro ou falso. Acontece que nessa festa apenas apareceram dois diamantes verdadeiros. Por isso a organização resolveu, durante a Gala Final, sortear um terceiro diamante entre o congressistas e o diamante veio para Portugal, pois a feliz contemplada foi a MARIA JOÃO TAVARES!

E porque 1988 me traz outras memórias além das da FISM, amanhã haverá novo post.


sábado, 12 de março de 2022

1980 - ANO OITO


JORNADAS MÁGICAS CIDADE DE LISBOA

Este foi o evento mágico que marcou o ano de 1980 em Portugal. Como o próprio nome indica realizou-se em Lisboa, mas teve uma participação artística alargada, juntando intervenientes do norte e do sul do país, como se pode ver pela lista dos artistas convidados. Foi uma excelente jornada de propaganda do Ilusionismo junto do público alfacinha, na qual também participei actuando numa das galas.

Também participou no elenco o meu amigo (e mestre) JOFERK. Tendo, há algum tempo, começado a trabalhar com a ajuda da sua esposa Cristina, ainda não se tinha decidido por um nome artístico para a dupla. Por isso, no programa deste evento, constava JOFERK AND KATIE, que, tanto quanto me lembro, foi um nome pouco duradouro.

Também registo, neste evento, a participação especial de JUAN TAMARIZ, que proporcionou mais uma imperdível conferência. Já agora, aproveito para referir que foi também este ano que, por gentileza do JODIVIL, tomei contacto com a publicação "Método Simbólico" da autoria de JUAN TAMARIZ. É uma daquelas "ideias loucas" do mestre espanhol que, a meu ver, não teve a divulgação e adesão que merecia. Em breves palavras pode descrever-se sucintamente a mesma como sendo "uma estenografia para descrever truques com cartas". E que jeito dava adoptar tal método para tomar apontamentos numa conferência de cartomagia.



MICHAEL'S AT MONTECHORO

Antes deste evento eu tinha cumprido o meu primeiro contrato com o MICHAEL'S AT MONTECHORO. Esta casa era um restaurante existente nos arredores de Albufeira, que primava, na época, por apresentar espectáculos que rivalizavam, em qualidade e glamour, com os espectáculos dos Casinos do Algarve. Virado, maioritariamente, para os turistas estrangeiros atraídos pelo clima algarvio, não descurava os clientes portugueses (que, de certa maneira, lhe garantiam poder estar aberto o ano inteiro), apresentando a sua publicidade em inglês e português.


NADA NA MANGA... E MAGIGRAM

Como referi num post anterior havia efectuado em 16 de Novembro de 1979 a minha primeira gravação televisiva. O episódio do programa NADA NA MANGA em que actuei foi emitido em 17 de Fevereiro deste ano, ou seja, decorreram três meses entre a gravação e a emissão. Infelizmente, demorou um pouco mais o pagamento do cachet, pois só viria a recebê-lo cinco meses após a emissão do programa (Julho). Anos mais tarde, ao verificar os tempos que, normalmente, mediavam entre a prestação de um serviço a uma entidade estatal e o recebimento dos respectivos honorários, viria a reavaliar tal demora como perfeitamente aceitável...

Foi também, em 1980, que foi publicada a minha primeira colaboração numa revista mágica estrangeira. Tratou-se do meu efeito "Jumping Joker Surprise", o qual mereceu ser incluído na rubrica GANSON'S "TEACH-IN" da responsabilidade do reconhecido LEWIS GANSON. E mais do que o facto da minha colaboração ter merecido a publicação em tal rubrica, o que me deixou mais "babado" foram as palavras elogiosas de GANSON a propósito da mesma.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A publicação de um original meu na revista MAGIGRAM.
Nota de sinal - : A demora de pagamento do cachet da minha participação no NADA NA MANGA.

domingo, 20 de fevereiro de 2022

1977 - ANO CINCO (Parte 2)


FESTIVAL DA FIGUEIRA, ESCORIAL E CONVENÇÃO API

Entre 9 e 12 de Junho decorreu mais um Festival Mágico da Figueira, no qual estive presente, apenas como espectador. Recordo as  excelentes  conferências de ALDO COLOMBINI (ainda usando o nome FABIAN), RODEN e CAMPS. Foi nesta última que tomei contacto, pela primeira vez, com uma rotina de "Peixe cortado e recomposto", que iria servir de base de trabalho para construir aquela que é a minha rotina. Um dos complementos culturais desta edição do Festival Mágico da Figueira foi uma exposição de 42 quadros de um artista local (Zé Carlos), glosando 42 truques, mais ou menos icónicos, que são apresentados pelos ilusionistas. 

O grande açambarcador de prémios do Festival foi JOFERK, que, entre outros mais, obteve quatro primeiros prémios (Magia Geral, Magia Cómica, Micromagia e Grandes Ilusões), mostrando, uma vez mais, que era um artista eclético. Também é de referir JODIVIL & MARGOT que obtiveram o Grande Prémio do Festival. Durante este recebemos a notícia da morte de Eduardo Relvas "SAVLER", que era referido, carinhosamente, dentro da comunidade mágica portuguesa, como "Pai Relvas".

Eu, tendo passado o Festival num dolce far niente, voltaria, dias mais tarde, à Figueira da Foz, para trabalhar, cumprindo um contrato com o Casino da Figueira. Para tal tive que fazer "alguma ginástica" relativamente às aulas em que deveria estar presente. Como a última noite de trabalho foi num domingo e, na manhã de segunda feira eu tinha uma aula importante às 10h30 projectei o meu regresso para bem cedinho nesse dia. Faltaria conscientemente às aulas das 8h30 e 9h30, mas estaria presente nessa "aula imprescindível" das 10h30. Assim quando, por volta das 2h00 da madrugada subi para o quarto no hotel onde estava hospedado (Albergaria Nicola, mesmo em frente ao Casino), pedi para ser despertado às 6h30. Portanto quando acordei e vi as horas, soltei uma imprecação de raiva contra o recepcionista pois já passava das 10h00. Nada havia a fazer. Já só poderia assistir às aulas da tarde. Claro que, ao fazer o check-out, fiz o reparo relativamente ao facto de não ter sido despertado na hora prevista. E fui surpreendido com a resposta do recepcionista. Tinha-me telefonado às 6h30, eu atendera e agradecera o aviso. Por isso até estranhara eu não tivesse descido após meia hora, mas pensou que, provavelmente, o pedido de despertar era fruto da necessidade de tomar alguma medicação à hora marcada. Não tive dúvidas que a resposta fora sincera, mas eu não me lembrava de ter atendido o telefone. Faltei à "aula imprescindível" mas aprendi uma lição. A partir desse dia sempre que, estando hospedado num hotel, tive necessidade de ser despertado a horas muito matutinas, optei por afastar o telefone para bem longe da cama, para me obrigar a sair do leito quanto tivesse necessidade de o atender.

Entre 28 e 30 de Outubro participei nas Jornadas Mágicas do Escorial. Fi-lo na companhia de JOFERK, MAURY e IVO (Fred Alan). Este encontro mágico tem uma componente muito pessoal do respectivo organizador (JUAN TAMARIZ) que, na época, juntamente com ASCANIO, era o "motor" da Escuela Magica de Madrid. Foram dias intensos essencialmente preenchidos por Cartomagia. Para descontrair tivemos a visitas dos amigos NICHOLS & HONEY, aproveitando para conviver durante um almoço num restaurante das redondezas.

Ainda hoje recordo a maestria que GABRIEL MORENO e LUÍS GARCIA demonstraram ao abordar o tema Second Deal. Pareciam extra-terrestres... Para além dos apontamentos fornecidos relativamente a cada um dos temas tratados, foi neste evento que adquiri o primeiro volume de LA MAGIA DE ASCANIO ("edición canutillo" da Escuela Magica de Madrid), que tanto me ajudou a começar a entender os conceitos teóricos do mestre ASCANIO.

O ano de 1977 proporcionou-me, ainda, a participação em mais um evento mágico: a Convenção API que decorreu nos dias 26 e 27 de Novembro. Entre as três conferências do evento ficou-me na memória a de CAMILO VASQUEZ, o Campeão Mundial FISM 1973 de Micromagia e, também ele, um elemento destacado da Escuela Magica de Madrid. Dado o facto de já ter terminado o curso, mas ainda não ter emprego, aproveitei esta convenção para "ganhar uns cobres", tendo a minha primeira experiência como Magic Dealer. Para tal fabriquei  o material para três truques que criara a partir de outros já existentes. Eis a reprodução dos envelopes de dois deles.


NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O projecto SKORPIUS
Nota de sinal + : A presença nas Jornadas Mágicas do Escorial.
Nota de sinal - : O falecimento do "Pai Relvas".

POST SCRIPTUM

Em 11 de Março de 2023 descobri, nos Arquivos da RTP, a gravação de um programa com uma reportagem circunstanciada sobre a Convenção API acima referida. Tal programa está referido neste post.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

1975 - ANO TRÊS (Parte 3)

 

A REVISTA "QUATRO ASES"

O mês de Novembro de 1975 proporcionou à comunidade mágica portuguesa dois factos relevantes que merecem o destaque neste post.

Um deles foi o retomar da publicação da revista QUATRO ASES, após nove anos de interregno. Lembro que a publicação de QUATRO ASES se iniciara em 1958 sob a "batuta" de Dr. António de Meneses e tendo como redactores principais OSODRAC e HERBERT. Essa "primeira vida" de QUATRO ASES duraria até 1966.

Portanto, após nove anos de "hibernação", reapareceu uma revista que havia sido muito elogiada na época, tendo, inclusivamente, sido distinguida, em 1959, com um prémio no Congresso Espanhol de Sevilha. Agora já sem a presença do Dr. António de Meneses (entretanto falecido em Outubro de 1968), mas com a equipa de redactores responsáveis reforçada com JÓNIO e SAIUR, que, seguramente, eram, nessa época, dois dos elementos da comunidade mágica portuguesa mais conhecidos e conhecedores. Esta "segunda vida" de QUATRO ASES viria a terminar no final de 1979, tendo mantido um elevado padrão de qualidade e sendo, ainda hoje um bom repositório de ensinamentos em língua portuguesa para os novos mágicos.


A 1ª CONVENÇÃO PORTUGUESA DE MAGIA

Em 1 e 2 de Novembro realizou-se, em Lisboa um encontro de mágicos portugueses que se designou "1ª Convenção Portuguesa de Magia". Tal encontro incluiu o espectáculo público ISTO É MAGIA, que se realizou no Teatro S. Luiz e de cujo programa se reproduz a capa e a primeira página. Em termos mágicos esta convenção permitiu-me tomar contacto com a criatividade de ALI BONGO, cuja "loucura" eu já conhecia das suas actuações em palco.

A Convenção incluiu uma reunião para discutir os moldes da criação de uma futura associação que englobasse os mágicos portugueses. Da reunião saiu uma comissão constituída por JODIVIL, JÓNIO, Dr. Jorge Teixeira, JOMAGUY e Marques Pinto. Eu e o Sr. Marques Pinto viríamos a abandonar tal comissão na sequência de uma reunião do CIF, que se realizou em 17 de Dezembro. 

Nessa reunião, considerando que os ilusionistas do Porto e concelhos circunvizinhos já se encontravam agrupados no Clube Ilusionista Fenianos (Secção do Clube Fenianos Portuenses), resolveu-se apontar numa direcção diferente da prevista formação de uma associação nacional de ilusionistas. Seria a formação de clubes idênticos ao CIF em diferentes zonas do país, nomeadamente, Lisboa, para depois se pensar na criação de um organismo de cúpula que coordenasse a defessa dos interesses da classe a nível nacional. Tal ideia era muito semelhante à perfilhada por José Luís Machado "ZYTTO", a qual foi exposta na "Carta Aberta..." publicada na revista QUATRO ASES de Janeiro de 1976. De certa maneira o CIF tentou proteger-se de um provável esvaziamento de sócios a que a formação de um clube nacional poderia conduzir.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O 1º prémio de Manipulação no Festival da Figueira.
Nota de sinal + : A participação no espectáculo de JOHN CALVERT.
Nota de sinal + : O reatar da publicação de QUATRO ASES.

domingo, 23 de janeiro de 2022

1973 - ANO UM (Parte 2)

 


A MINHA PRIMEIRA "FIGUEIRA"

O ano de 1973 reservava ainda um evento relevante para eu vivenciar, desta vez como concorrente: o II Festival Mágico da Figueira da Foz, organizado pela "carolice empenhada" de Fausto Caniceiro da Costa. Concorri na modalidade de Magia Geral e fruto das inovações que, pouco tempo antes, vira na FISM de Paris, optei por substituir as "tradicionais" mesas de mágico por um cenário que aparentava ser um muro feito em tijolo "burro". Tal cenário foi fabricado em madeira e era dividido em três secções principais (e grandes), as quais eram unidas por intermédio de dois blocos de dimensões mais razoáveis para transporte.

Como não tinha carro nem carta de condução, "cravei" o Dr. Homero Rocha (DE ROCK) para me dar boleia para a Figueira da Foz. A viagem de ida foi efectuada de dia e o entusiasmo partilhado pela participação no Festival ocupou o nosso diálogo e fez parecer rápida uma viagem naturalmente demorada, pois a auto-estrada para aquele destino ainda não havia sido construída. O espaço entre bancos da viatura era ocupado pelas peças maiores do meu "muro", pois a mala do SIMCA 1100 não tinha bagageira com arcaboiço para as mesmas.

A presença no Festival da Figueira permitiu-me ter contacto pessoal com alguns mágicos do sul do país, os quais apenas conhecia de nome. SAIUR, JODIVIL e JÓNIO foram três deles. A minha prestação no concurso de Magia Geral foi modesta, tendo obtido o 6º lugar entre 11 concorrentes. Matematicamente falando: exactamente a meio da tabela! Nada mau para um principiante. Mas o que verdadeiramente destaco de todo o ambiente vivido nesse Festival foi a camaradagem nos bastidores e sentido de entreajuda dos diversos concorrentes.


O programa do Festival terminou no domingo (7 de Outubro) com o Espectáculo de Gala e distribuição de prémios. Claro que o 6º lugar não dava direito a prémio, mas permitiu-me obter um diploma de participação.

Uma desenvolvida reportagem sobre este Festival Mágico da Figueira da Foz foi transmitida no programa Movimento da RTP e pode ser apreciada aqui.

Terminado o espectáculo, havia que arrumar as "tralhas" no SIMCA 1100 do Dr. Homero Rocha. E com uma dificuldade acrescida: o Ivo (que algum tempo depois adoptaria o nome artístico de Fred Alan) também iria viajar connosco para o Porto... Ele e a sua bagagem, claro! O Ivo estava consciente da dificuldade que iria ter em encaixar-se, juntamente com o meu "muro", no banco de trás da viatura, mas ele era elegante e cabia, seguramente, melhor do que eu.

Convém aqui fazer uma breve referência ao facto do Dr. Homero Rocha ter alguma insuficiência visual (obviamente corrigida com óculos de elevada graduação) pelo que adoptava, na condução nocturna, (ainda) mais precaução do que na respectiva condução diurna. Quer dizer que as estradas dessa época aliadas a tal facto fizeram com que chegássemos ao Porto por volta das 7 horas da manhã (tínhamos saído entre as 2 horas e as 2 horas e meia da Figueira da Foz). Eu viajava na frente, no chamado lugar do "pendura", e cedo me apercebi do cansaço acumulado pelo nosso "motorista". Sendo assim, passei toda a viagem em permanente diálogo com ele, a fim de garantir que o mantinha bem acordado.

O Ivo, que, no arranque da viagem, participava na nossa conversa, cedo abandonou a mesma e, aconchegando-se no banco traseiro atrás do meu "muro", adormeceu, deixando-me só na importante missão de manter o Dr. Homero Rocha bem desperto. A certa altura eu reparei nesse facto e disse:

- Ó Dr. Homero, o Ivo já dorme profundamente...

De imediato, o meu interlocutor respondeu:

- Ó Jomaguy, eu até já me tinha esquecido que o Ivo viajava connosco!...

E o Ivo lá acordou... quando chegamos ao Porto e fizemos a primeira paragem para descarga de material. Foi precisamente à porta da minha residência. Começámos a descarga pelas diversas peças do meu "muro" e, a certa altura, o Ivo retirou do carro uma pequena mala e colocou-ma à porta, pensando que era minha. Imediatamente lhe disse que aquela mala não é minha, o Dr. Homero Rocha também não reconheceu a mala como sendo sua e, obviamente também não era do Ivo. Conclusão: na confusão de malas e materiais que havia nos bastidores tínhamos trazido para o Porto uma mala que não era de nenhum de nós!

Abriu-se ali mesmo a mala e, pelo respectivo conteúdo, percebeu-se, de imediato, que era o material do espectáculo do SERIP. O Dr. Homero Rocha prontificou-se a ficar com a mala e contactar o SERIP para ver a melhor maneira de lha fazer chegar às mãos. Soube depois que o SERIP andou toda a noite às voltas nos bastidores e camarins do Casino da Figueira da Foz à procura do seu material, pois ia para o estrangeiro cumprir um contrato de actuações e, sem o material, nada feito.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A FISM de Paris.
Nota de sinal + : O Festival da Figueira.
Nota de sinal - : A pouca assiduidade nas reuniões semanais do CIF.