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sábado, 20 de agosto de 2022

2003 - ANO TRINTA E UM (Parte 1)


 

E A FISM NOVAMENTE EM HAIA

No mês de Julho rumei a Haia, para assistir à minha segunda FISM em tal cidade. Esta FISM teve uma excelente organização, na qual destaco o escrupuloso cumprimento dos horários. Neste congresso mundial, pela primeira vez, existiram dois títulos Grand Prix, um atribuído no conjunto das disciplinas de Palco e outro atribuído no conjunto das modalidades de Close-Up. Tal situação criou alguma confusão, pois todos os concorrentes com uma certa pontuação disputaram tal título, numa Gala Final. Ora, entrando em tal disputa concorrentes que haviam obtido o 1º, o 2º ou o 3º prémios, seria possível que viesse a ser galardoado com o Grand Prix, um mágico que não tinha obtido o 1º prémio na respectiva modalidade.

Também é de destacar nesta FISM a preocupação de diversificar a respectiva programação com a implementação de ideias inovadoras. Uma dessas ideias foi a sessão Magic Sports, uma criação de TIM ELLIS. Numa descrição breve poderei dizer que se trata de uma competição entre dois grupos de mágicos que são postos à prova com situações inesperadas que podem ocorrer numa qualquer actuação. Tais situações inesperadas são fruto de escolhas do público e um júri avalia a forma como cada equipa se desenrasca e como o público reage. É uma ideia muito divertida, que, posteriormente, viria a ser implementada em reuniões da API, nomeadamente numa reunião que ajudei a organizar no Porto.

Os concursos de mesa tiveram um bom nível. Na modalidade de Close-Up, sobressaíram JASON LATIMER (Obteve o 1º Prémio),  NICHOLAS EINHORN e SHAWN FARQUHAR (Estes dois últimos obtiveram o 2º Prémio ex aequo) e, na modalidade de Cartomagia, destacaram-se MAGOMIGUE (Obteve o 1º Prémio), GREGORY WILSON e IÑAKI (Estes dois últimos obtiveram o 2º Prémio ex aequo). Na disputa do Grand Prix de Close-up actuaram na Gala Final MAGOMIGUE e JASON LATIMER, tendo este último obtido tal galardão. A rotina de covilhetes transparentes de JASON LATIMER, com a qual venceu na FISM, pode ser vista aqui.

Na modalidade de Cartomagia também houve concorrentes portugueses. Seguidamente transcrevo o que escrevi no Boletim Informativo da API "Especial FISM 2003" (de Set./Out. 2003):

"Tivemos o PEDRO LACERDA e OS 4 DE PAU a concorrer na modalidade Cartomagia. Naturalmente, as condições de actuação eram mais adversas para o PEDRO LACERDA do que para OS 4 DE PAU, mas ambos tiveram excelentes actuações, muito bem recebidas pela plateia, realizando as rotinas que já lhes conhecemos. O nome de Portugal saiu dignificado e a Associação Portuguesa de Ilusionismo pode sentir-se orgulhosa por subscrever tais participações em concurso."


Nos concursos de Palco destaco, naturalmente, o francês NORBERT FERRÉ (uma actuação sua pode ser vista aqui), que obteve o 1º Prémio de Manipulação e o Grand Prix. Além dele também foram premiados em Manipulação o coreano EUN GYEOL LEE e o japonês KENJI MINEMURA (uma actuação sua pode ser vista aqui). Na modalidade de Magia Geral o 1º Prémio foi para o duo suiço PAT PERRY & ARCHIBALD, que, com a criação totalmente inovadora que pode ser vista aqui, conseguiu "bater" o (também) excelente DANNY COLE.

Nas Galas de Palco, destaco TOMMY WONDER, YUMI, SCOTT THE MAGICIAN AND MISS MURIEL, AMOS LEVKOWITCH, YUNKE, TOPAS (com duas rotinas completamente diferentes) e RAYMOND CROWE. Uma referência de destaque especial para WAYNE DOBSON que, apesar da sua doença (esclerose múltipla), teve uma actuação soberba numa das galas, o que lhe valeu uma merecida standing ovation. Na Gala de Close-up as "estrelas" foram MANUEL MUERTE e DAVID WILLIAMSON.

Também merece uma referência especial o artista ARMANDO LUCERO, que foi a grande sensação deste congresso. Apresentando rotinas de moedas originais e de uma perfeição técnica extrema não se limitou a participar no "Bar Magic" que, à noite, funcionava na cave do Centro de Congressos. Durante o dia sempre que se via uma grande aglomeração de mágico à volta de uma mesa era certo e sabido que lá estava o ARMANDO LUCERO a "pôr os olhos em bico" a todos os presentes.

Por fim esta FISM também apresentou um variado leque de conferências. Daquelas a que assisti destaco as de DAVID BERGLAS e JOHN CARNEY. Merece também uma menção especial a conferência liderada por DICK KOORNWINDER sobre FRED KAPS.

UMA HISTÓRIA COM A "DEAN'S BOX"

Quem também integrou o contingente que de Portugal se deslocou até HAIA para assistir a este congresso FISM foi o mágico brasileiro LEONY, o qual se revelou um companheiro muito simpático e divertido. Muito interessado nas novidades que a feira mágica permitia a apreciar, LEONY ficou verdadeiramente enfeitiçado por um truque que fez algum furor nesta FISM e que, sendo da autoria do mágico americano DEAN DILL, era vendido com o nome de "DEAN´S BOX".

Tendo assistido à demonstração do efeito e ficado literalmente "à nora" quanto a uma possível explicação para a respectiva execução e verificando que o preço de aquisição do truque era bastante elevado, LEONY foi levando, aos poucos, os mágicos portugueses à banca que vendia tal truque para apreciarem o quão impossível ele era, para, em seguida, sugerir uma "vaquinha" entre todos, a qual permitiria comprar o truque. No final, o truque adquirido seria sorteado entre os participantes na "vaquinha", mas todos ficariam a saber o modus operandi do mesmo de forma a permitir o respectivo fabrico.

Foi, portanto, em tal contexto que acompanhei o LEONY para assistir a uma demonstração da DEAN'S BOX. E tal demonstração permitiu-me, no imediato, entender o princípio em que se baseava, pois já me cruzara, nas minhas leituras, com outra aplicação do mesmo princípio. Por isso imediatamente descartei a hipótese da tal "vaquinha" e disse-lhe que o truque estava baseado num princípio antigo que eu já vira aplicado num outro truque descrito num livro de WENCESLAO CIURÓ. 

No dia seguinte, o LEONY correu todas as bancas da feira mágica à procura de livros do citado autor. Naturalmente que livros antigos em língua espanhola dificilmente seriam encontrados ali. Perante o desespero do LEONY (que, a certa altura, me pareceu começar a ter dúvidas relativamente ao meu efectivo conhecimento do truque em causa), decidi explicar-lhe o funcionamento do mesmo. E a sua forma de agradecer foi, tempos mais tarde, numa das suas vindas a Portugal, oferecer-me uma "DEAN'S BOX" feita por si.

Para quem não conhece, aqui deixo uma apresentação da DEAN'S BOX feita pelo seu criador.


E como, relativamente a 2003, há mais memórias além das da FISM, amanhã haverá novo post.


domingo, 31 de julho de 2022

2000 - ANO VINTE E OITO (Parte 2)

 


A FISM EM PORTUGAL

O fim do milénio trouxe, pela primeira vez, a organização do Congresso Mundial FISM a Portugal. Muito provavelmente, foi, de todas as FISM em que participei, aquela em que menos desfrutei. Tal ficou a dever-se ao facto de ter colaborado com a organização, sendo responsável pela coordenação dos concursos de mesa. 


Apesar disso tive oportunidade de assistir ao muito do bom que esta FISM teve.

No que respeita às galas de palco destaco JAY MARSHALL, RICHARD ROSS, TOPPER MARTYN, JOHN GAUGHAN e o "seu" ANTONIO DIAVOLO (uma actuação pode ser vista aqui), ALI BONGO, MAC KING, JUNGE JUNGE, MIKE CAVENEY, TINA LENERT, GER COOPER, THE NAPOLEONS, BILLY McCOMB, VORONIN e SALVANO. 

Devido à lotação do Grande Auditório do CCB ser inferior ao número total de congressistas inscritos, as galas eram repetidas, sendo os congressistas divididos em dois grupos. Eu estava incluído no segundo grupo e, por isso, na Gala de 7 de Julho, não assisti à actuação do MAGO ANTON que iria apresentar a sua versão do Water Torture Escape, que HOUDINI imortalizou. Na realidade, nessa mesma gala realizada no dia anterior, aconteceu um lamentável acidente (felizmente sem quaisquer consequências além dos prejuízos materiais) e, mal o MAGO ANTON entrou, acorrentado a uma pedra, no enorme aquário, a parede frontal do mesmo partiu-se e a água, trazendo consigo o artista, jorrou para o proscénio e o fosso de orquestra. Dado que o espectáculo estava a ser filmado, os congressistas do segundo grupo tiveram oportunidade de ver, projectado num ecrã, o acidente que sucedera na véspera.

No que se refere à Gala de Close-up, destaco GUY HOLLINGWORTH, BILL MALONE, CAMILO VASQUÉZ e DAVID WILLIAMSON. E relativamente a conferências, assisti às de GUY HOLLINGWORTH, DAVID ACER, TOM STONE, DAVID ROTH e DAVID WILLIAMSON e todas elas considerei como "muito interessantes".

Das entrevistas previstas, assisti às feitas a JUAN TAMARIZ e PAUL DANIELS e ambas se revelaram muito enriquecedoras. Uma outra entrevista que estava referida no programa era a que seria feita a RICKY JAY. No entanto este artista não se deslocou a Lisboa (segundo a organização informou, devido a exigências feitas à última hora) e até houve uma cena um bocadinho caricata em que LUÍS DE MATOS informou tal ausência ao mesmo tempo que riscava o nome de RICKY JAY do programa. No entanto, numa reportagem que registou "para a posteridade, por escrito e em português, tudo o que aconteceu ao longo dos 6 dias que durou" a FISM 2000, a entrevista a RICKY JAY foi referida como tendo acontecido.

Não tendo tido oportunidade de assistir aos concursos de mesa, calmamente sentado na plateia como gosto, fui espreitando as actuações sempre que pude e destacaria, em Close-Up, as actuações de MANUEL MUERTE e SIMO AALTO e, em Cartomagia, as de MAGO MIGUE, HENRY EVANS e THOMAS FRAPS. Em Cartomagia também tiveram excelentes prestações os espanhóis MIGUEL GÓMEZ e FRANCISCO HERRERO, mas viram as suas pontuações afectadas pelo facto de terem feito as respectivas intervenções em espanhol, língua que a grande maioria dos jurados não entendia.

Nos concursos de palco destaco MASK, KENJI MINEMURA, NORBERT FERRÉ, YUNKE, LUÍS BOYANO & ISABELLA e, naturalmente, SCOTT THE MAGICIAN & MURIEL, que obtiveram o Grande Prémio desta FISM (Nota: uma actuação sua, que inclui o acto levado a concurso na FISM, pode ser vista aqui).

Nos concursos participaram vários mágicos portugueses, nenhum dos quais obteve prémio. Em Magia Geral concorreram RUI MORGADO, CHARLES BROOK e SALGUERY; em Manipulação participaram MÁRIO DANIEL e DAVID SOUSA; e em Close-Up concorreram DAVID REGO e MICHAEL JOSEPH.

Infelizmente esta FISM teve duas falhas que a penalizaram na opinião publicada em diversas reportagens que foram feitas. 

A primeira falha esteve relacionada com transportes. Como a zona do CCB não era forte em oferta hoteleira, a maioria dos hotéis em que os congressistas se encontravam alojados situava-se no centro de Lisboa. Por isso foi implementado um serviço de autocarros com a função de, todos os dias, trazer para o CCB os congressistas no início da manhã e de os levar de regresso aos seus hotéis no final do último espectáculo. Como tal serviço apresentou diversas falhas, os congressistas que dele necessitavam tentaram suprir as mesma com recurso ao uso de táxi (lembro que, naquele tempo, não havia UBER nem similares). Ora se, de manhã, junto aos respectivos hotéis, era fácil conseguir táxi, o mesmo não acontecia à noite, junto ao CCB.

A segunda falha aconteceu no último dia, no derradeiro evento programado para esta FISM: Jantar de Encerramento / Gala de Premiados. Ora este evento foi marcado para a Praça Sony (na zona da EXPO'98) e correu muito mal quer a nível de jantar, em que muitos se queixaram de falta de comida e saíram para comprar pizzas nas proximidades, quer a nível de espectáculo, em que as condições não eram as mais apropriadas para certos artistas. A queixa quanto à falta de comida é exagerada, pois acho que existia comida em quantidade suficiente. Mas como era uma refeição ao ar livre, feita em "modo churrasco", convenhamos que ter apenas três grelhadores para preparar, atempadamente, os grelhados para mais de dois mil congressistas é manifestamente mal pensado.

Ora, como sabemos, a última impressão pode marcar de forma indelével a opinião sobre um evento. Por isso não me admiraram as opiniões negativas que foram formuladas por quem deu demasiado "peso" ao que se passou nas últimas quatro horas de um evento que durou seis dias.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O espectáculo de DAVID COPPERFIELD.
Nota de sinal + : A FISM 2000 em Portugal.
Nota de sinal - : As últimas quatro horas da FISM 2000.
Nota de sinal - : O falecimento de EDUARDO FRANCO.

domingo, 10 de julho de 2022

1997 - ANO VINTE E CINCO (Parte 2)

 

25 ANOS MAGICANDO...

Este foi o nome o opúsculo que publiquei com objectivo de marcar os meus vinte e cinco anos de ligação ao Ilusionismo. Tal publicação aconteceu em 8 de Maio  data em que a programação semanal do CIF se intitulou "Uma noite para... JOMAGUY". Na época era um tipo de programação habitual nas quintas-feiras do CIF, em que um elemento da velha guarda era convidado a estar presente e partilhar algumas memórias da respectiva vida mágica.

Aproveitei essa programação, para comemorar a efeméride, distribuindo, aos presentes tal opúsculo, bem como uma fatia de bolo e uma taça de espumante (taça magicamente convertida em copo plástico, claro!).

É um dos momentos dessa comemoração que a fotografia documenta, onde se pode ver, em primeiro plano, JOFERK que foi uma referência determinante nos meus primeiros vinte e cinco anos de Ilusionismo.


A FISM EM DRESDEN

Depois de ter estado ausente da FISM realizada em 1994 no Japão, a expectativa para ver Magia ao mais alto nível era, naturalmente, muito elevada. Por isso os últimos dias antes da partida "demoraram uma eternidade" a passar, sentimento que era partilhado pelo HELDER que iria assistir à sua primeira FISM (Nota: aquela história de ter assistido à FISM de Lausanne em 1982 no ventre materno foi mesmo só para fazer piada).

A esta FISM também fui investido no papel de representante oficial do CIF e, logo à chegada, tive o dissabor de verificar que não aparecia a minha documentação, apesar da minha inscrição estar registada no respectivo sistema informático. Até que ela aparecesse, passou cerca de uma hora, tempo que teria sido muito melhor aproveitado a assistir a alguma das conferências que já decorriam.

Sobre esta FISM escrevi uma detalhada reportagem de 13 páginas que saiu na edição de Setembro / Outubro de 1997 da revista MAGIA do CIF (Nota: desde o início de 1997 o CIF tinha retomado a publicação bimestral da sua revista MAGIA em substituição da publicação mensal do boletim informativo A FOLHA MÁGICA). Irei, neste post, referir os pontos mais importantes dessa reportagem.

Nas Galas de Palco destaco CLEMENS VALENTINO, CHAPEAU, TOM VOSS, TOMMY WONDER, JORGOS, MAKHA TENDO, JOHNNY LONN, OMAR PASHA, NATHAN BURTON, CHRISTOPHER HART e PIERRE BRAHMA.

Na Gala de Close-up todos os intervenientes merecem o meu destaque. Foram eles JOHN CARNEY, RAMBLAR, TIM ELLIS, EUGENE BURGER, PAUL GERTNER, PIT HARTLING e DAVID WILLIAMSON. A apresentação esteve a cargo de ALI BONGO e isso também contribuiu para eu considerar esta a melhor de todas as galas desta FISM. DAVID WILLIAMSON foi o artista que fechou a Gala e fê-lo com uma dose reforçada "daquela loucura" com que nos havia habituado em anteriores congressos. Seguidamente reproduzo o que escrevi sobre tal actuação na supracitada reportagem.

  • David Williamson - Fechou a gala. Este artista (crazy, crazy, crazy) já atingiu um estatuto entre os mágicos que lhe permite fazer (quase...) tudo e obter sucesso sem (quase...) fazer magia. Foi o caso dessa noite em que só apresentou um efeito (o qual, inclusivé, falhou na 1ª tentativa): a carta vista pelo espectador desaparece e é vomitada (?!?!?!) pelo ilusionista. No entanto este efeito demorou, seguramente, mais do que vinte minutos a apresentar dado que a escolha duma espectadora que só entendia alemão (língua que Williamson não fala) obrigou à obtenção da apropriada tradução: eu traduzi de inglês para português e vice-versa, o Joy traduziu entre português e francês e um terceiro congressista traduziu entre francês e alemão. A situação tornou-se fortemente hilariante dada a capacidade histriónica do actuante para seguir as nossas traduções sucessivas. Como final David Williamson anunciou que iria realizar autênticos efeitos de close-up, os quais, portanto teriam que ser seguidos através do ecrã gigante. Por isso chamou o cameraman para filmar a mesa em plano picado e começou a executar um chink-a-chink de moedas. Após alguns passes levantou-se para ir buscar uma Coca Cola... e, no ecrã gigante, a actuação continuou!... Tratava-se de uma gravação antecipada, a qual, inclusivamente, integrava ostensivos truques de filmagem numa crítica óbvia aos artistas que utilizam tais métodos nos seus programas de TV.

Também houve uma Mini-gala "Especial Close-up" onde se destacaram JUAN TAMARIZ (que também a apresentou) e LISA MENNA.

No que se refere as conferências, a FISM de DRESDEN proporcionou excelentes e variadas possibilidades. A conferência histórica sobre HOFZINSER de MAGIC CHRISTIAN e a conferência sobre "magia de rua" de CELLINI foram dois bons exemplos dessa variedade. Além destas, também pude assistir às conferências de RAMBLAR, DAVID WILLIAMSON, EUGENE BURGER, PAUL GERTNER, FERTIGE FINGER, HIRO SAKAI, TOMMY WONDER e PAVEL. Resumindo e concluindo: consegui assistir a metade das vinte conferências programadas e todas me agradaram.

Nos concursos de palco destaco os premiados JUNGE JUNGE, SONNY FONTANA, RICHARD McDOUGALL, JULIANA CHEN e, naturalmente, o vencedor do Grand Prix, IVAN NECHEPORENKO (cuja rotina pode ser vista aqui). Nos concursos de mesa merecem destaque os premiados BORIS WILD, JORG ALEXANDER, THOMAS MEIER, SIMO AALTO e MANUEL MUERTE.

Nos concursos estiveram presentes dois portugueses: SERIP (em Invenção) e SALGUERY (em Magia Geral). SERIP esteve mal, pois as salsichas incendiaram-se e o bombeiro de serviço teve que entrar em palco e despejar o conteúdo de um extintor no interior do aparato em chamas. SALGUERY esteve bem, mas uma rotina de rolas para se destacar num concurso FISM tem que ter algo mais do que a mera perfeição técnica.

Por fim uma referência para LUÍS DE MATOS que foi artista convidado numa das Galas de Palco. A sua prestação ficou afectada pelo percalço dum "lenço voador"... que se recusou a voar.

Nesta FISM a presença portuguesa foi bastante notada durante todo o congresso, fruto da atitude activa de todos mágicos portugueses na promoção da candidatura da API à organização da FISM 2000 em Lisboa.  E como a candidatura saiu vencedora, tivemos a oportunidade de ver o auditório do Kulturpalast repleto de bandeirinhas portuguesas a serem agitadas, enquanto o testemunho de Presidente da FISM era passado para HORCAR.

Infelizmente, HORCAR não iria cumprir este mandato, pois, em 4 de Dezembro, faleceu de forma totalmente inesperada. Por comparação com o sucedido após a morte do PROF. SITTA, temeu-se que Portugal fosse perder a organização da FISM 2000. Felizmente MARQUES VIDAL conseguiu tomar as rédeas do projecto e levar a bom porto tal organização.

E o mês de Dezembro voltaria a causar o luto na comunidade mágica portuguesa, pois, no dia 15, ocorreu o falecimento de SAIUR, um nome incontornável na dignificação do Ilusionismo como Arte, sendo preponderante a sua acção no associativismo mágico lisboeta.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A FISM de Dresden.
Nota de sinal + : A atribuição da organização da FISM 2000 à API.
Nota de sinal + : Os meus "25 anos magicando..."
Nota de sinal + : O "anti-vedetismo" de DAVID WILLIAMSON.
Nota de sinal - : O falecimento de ARTURO DE ASCANIO.
Nota de sinal - : O falecimento de HORCAR.
Nota de sinal - : O falecimento de SAIUR.

sábado, 9 de julho de 2022

1997 - ANO VINTE E CINCO (Parte 1)

 


DESERTO E COMPANHIA

Nas comemoração a S. João Bosco do CIF, actuei na Gala de Close-Up e na Gala de Palco. Nesta, além de ter o papel de apresentador da mesma, encarnei uma personagem (RUIZ DE CACOS) num sketch humorístico que teve como contexto uma hipotética ligação televisiva directa aos "Estúdios da Virgem do Monte" e ao programa que o mágico RUIZ DE CACOS aí estava a gravar. Em tal programa não faltou a presença de uma figura pública convidada (LUÍS MANUEL TROUXA encarnado por MANOLO), a quem o mágico cortou a gravata. 

Tal como no final do mesmo eu referi, este sketch só foi possível ser realizado devido à existência de um mágico muito conhecido do grande público (LUÍS DE MATOS), pois, até então, este género de charge a uma figura pública, só era possível realizar mimando situações relativas a figuras pública de outras áreas artísticas.

Foi o "sucesso" desta apresentação que nos levou (a mim e ao MANOLO) a desenvolver o conceito e a criar a rotina do grupo DESERTO E COMPANHIA. Com tal rotina concorremos, em Magia de Palco, no Estorilmágico Carcais 97 e obtivemos o 3º Prémio. A opinião corrente foi de que merecíamos o 2º Prémio, mas o jovem inglês que o obteve era aluno de RON MacMILLAN, que integrava o júri.

Embora estivesse nesse evento (realizado no início de Novembro) com a preocupação de concorrer em palco (com uma rotina que envolvia a coordenação de oito pessoas), ainda consegui desfrutar de bons momentos como espectador com as actuações, em palco, de PETER MARVEY, JUNGE JUNGE, DANI LARY e LUÍS BOYANO. Na Gala de Close-up, em que também actuou o HELDER, destaco as intervenções de EUGENE BURGER e JUAN TAMARIZ. As conferências foram todas interessantes, mas DARWIN ORTIZ deixou-me com um sabor agridoce, pois nem sempre conseguiu pôr em boa prática as excelentes noções teóricas que transmitiu.



O MÁGICO, ENCONTROS DE SINTRA e "BRAVO, BRAVÍSSIMO"

Em Março deste ano terminou a minha colaboração regular na revista "O Mágico". Tal ficou a dever-se à demissão do respectivo Conselho Editorial, conforme expressei no artigo "Em jeito de despedida". Os mágicos portugueses que possuem (ou que leram) a colecção completa de tal revista podem achar estranho que, tendo eu sido colaborador da mesma, nunca tenha havido a inclusão, na revista, de um "DOSSIER JOMAGUY". Tal aconteceu por minha expressa vontade, pois declinei o convite que, para tal, me foi enviado pelo MAIK MAGIC através de carta datada de 13 de Novembro de 1997.

Entre 4 e 6 de Abril, participei nos Encontros Mágicos de Sintra, no qual o tema Wild Card foi rei e senhor. Isso e a polivalência de "um gajo que eu cá sei" a reorganizar mesas em restaurantes. Após o regresso a casa tomei conhecimento de uma coincidência pouco feliz. O último dia dos Encontros de Sintra deste ano também tinha sido o último dia de vida de ARTURO DE ASCANIO, que havia falecido na sua casa de Madrid com cartas de jogar na mão, enquanto demonstrava, a amigos, algunos de sus juegos. Sobre este assunto escrevi um artigo na revista MAGIA (CIF) de Março/Abril 1997, o qual está reproduzido aqui.

Também foi em Abril que HELDER participou no programa televisivo "Bravo, Bravíssimo".


CONVENÇÃO API - 97

Decorreu entre 18 e 20  de Abril e nela destaco, nas galas, as prestações de JAY SCOTT BERRY, VLADIMIR DANILIN, CLEMENS VALENTINO e PIERRE EDERNAC. A conferência de JAY SCOTT BERRY, sendo muito interessante em si mesma, teve o senão de ser, praticamente, a repetição da conferência que, dois meses antes, apresentara no CIF. Por seu turno a conferência de PIERRE EDERNAC pareceu-me desorganizada. Há, no entanto, que destacar a conferência de TONY KLAUF que complementou a a exposição existente e apresentou a monografia "Bibliografia Portuguesa de Ilusionismo até ao séc. XIX".



O TRUQUE DO CARRO CORTADO AO MEIO

Foi em Junho que RICARDO PEREIRA realizou com sucesso o grande truque da sua vida: escapar incólume de um acidente de viação que mereceu destaque na capa da edição do JN de 15 de Junho de 1997.


MAGICVALONGO

Neste evento, destaco as conferências de PEDRO LACERDA, CAMILO VASQUEZ e MARKO. Aliás MARKO foi uma excelente surpresa enquanto actuante, pois, apresentando truques clássicos bastante conhecidos conseguiu dar aquela volta que os tornou "novidades" muito interessantes. Também relembro a actuação de ZONGO (um mágico espanhol da "velha guarda") e as suas "bandas afegãs".

Amanhã haverá novo post, no qual lembrarei a FISM de Dresden e não só.


O "VEDETISMO" DE UM ARTISTA VERSUS A "SIMPLICIDADE" DE OUTRO

Sob o título "ILUSÕES, MAIS TARDE" foram integradas no PO.N.T.I. (Porto Natal Teatro Internacional) quatro espectáculos mágicos, com artistas estrangeiros que foram "trazidos" até ao Porto por LUÍS DE MATOS. Lembro-me concretamente da presença de DAVID WILLIAMSON no espectáculo que decorreu, em 13 de Dezembro, no Café Concerto do Teatro Rivoli. No final do mesmo, DAVID WILLIAMSON foi até à mesa onde eu estava com o MANOLO e o HELDER e estivemos a conversar durante um bom bocado. Ora, como os bastidores do Café Concerto do Teatro Rivoli não tinham saída directa para o exterior, o LUÍS DE MATOS ficou retido, durante todo esse tempo, no backstage por, nitidamente, não querer juntar-se à "plebe mágica portuguesa" presente. Foi hilariante!


sábado, 28 de maio de 2022

1991 - ANO DEZANOVE (Parte 1)

 


FISM - O REGRESSO IMPREVISÍVEL A LAUSANNE

O 18º Congresso Mundial de Magia estava programado para Roma, mas a morte inesperada (Julho de 1989) do respectivo presidente (PROF. SITTA), que era o elemento agregador das diversas sensibilidades existentes na magia italiana, criou a necessidade de ser encontrada uma nova solução. A equipa que tinha organizado a FISM três anos antes em Haia e o Club des Magiciens de Lausanne que organizara o Congresso FISM nove anos tinham "bem oleadas" as respectivas máquinas organizativas e propuseram-se suprir tal necessidade. A escolha recaiu em Lausanne.

Entre os concorrentes nas modalidades de palco destaco os premiados TOPAS, ARSENE LUPIN, JUAN MAYORAL e, naturalmente, o vencedor do Grand Prix VLADIMIR DANILIN (a sua rotina vencedora pode ser vista aqui). Além destes também recordo as excelentes prestações de DAVIDO e TIM ELLIS. Este último teve direito a um Special Award pela sua versão rap do clássico "Sempre Seis"(que pode ser vista aqui). 

Portugal teve três concorrentes envolvidos nos concursos de palco: SALGUERY (Magia Geral), DAMIÃO (Magia Geral) e OLIMACK (Manipulação). Este último apresentou a sua rotina de sombras chinesas e a inscrição na disciplina de Manipulação foi a solução adoptada por não haver modalidade de Artes Anexas no concurso. Nenhum obteve prémio, mas todos eles deixaram uma boa imagem da Magia em Portugal.

Nas modalidades de mesa destaco os premiados FRANCIS TABARY, JOHN CARNEY, SIMO AALTO, LENNART GREEN E ROBERTO GIOBBI e os não premiados VANNI BOSSI e SHANKAR JUNIOR. Este último, com 13 anos, surpreendeu tudo e todos pela sua desenvoltura ao apresentar a versão indiana dum clássico da Magia: o truque dos covilhetes. E fê-lo da forma mais tradicional possível: sentado no chão, de pernas cruzadas (a rotina pode ser vista, a partir do 1m40s, aqui). 

Na minha perspectiva, na Gala de Close-up, sobressaíram JUAN TAMARIZ, BERNAD BILLIS, RENÉ LAVAND, MICHAEL AMMAR e DAVID WILLIAMSON e, nas conferências, destaco os três últimos nomes referidos e ARTURO DE ASCANIO.

Mas seria numa das galas de palco que me estaria reservado o momento mais emocional que até então tinha vivenciado nos congressos FISM. Entre os diversos convidados presentes nas galas ficaram-me na retina as actuações de VORONIN, ALI BONGO, MAHKA TENDO, LIVING MAGIC THEATRE, AMOS LEVKOWITCH, RUDY COBY e THE PENDRAGONS. 

Mas um senhor ultrapassou todas as minhas expectativas: HARRY BLACKSTONE JR.!... Na minha memória ficaram estas autênticas jóias mágicas: Vanishing Birdcage (que pode ser vista aqui) e Floating Lightbulb

Ora foi precisamente, durante a exibição de Floating Lightbulb que eu vivenciei o tal momento emocional que ainda hoje, ao relembrar, me provoca um arrepio na espinha igual ao que experimentei na altura. Como pode constatar-se, durante a exibição, HARRY BLACKSTONE JR. descia à plateia e entregava a lâmpada acesa a um espectador para que a mesma fosse examinada. Nessa gala inesquecível eu fui o escolhido. E, durante breves momentos, um aparato mágico carregado de história esteve nas minhas mãos. Inolvidável!

Foi também durante este Congresso FISM que adquiri o excelente livro "The Magic of Michael Ammar" e o desdobrável "Daryl Rope Routine" que iria ser o alicerce da minha rotina "O poema da corda amarela". Quando, em Março de 2000, Daryl esteve no Porto a realizar uma conferência tive oportunidade de obter uma dedicatória em tal desdobrável.

Depois de relembrar a emoção de segurar a lâmpada de HARRY BLACKSTONE JR. acho que preciso de um descanso. As restantes memórias deste ano ficam para um novo post que será colocado amanhã.