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domingo, 10 de julho de 2022

1997 - ANO VINTE E CINCO (Parte 2)

 

25 ANOS MAGICANDO...

Este foi o nome o opúsculo que publiquei com objectivo de marcar os meus vinte e cinco anos de ligação ao Ilusionismo. Tal publicação aconteceu em 8 de Maio  data em que a programação semanal do CIF se intitulou "Uma noite para... JOMAGUY". Na época era um tipo de programação habitual nas quintas-feiras do CIF, em que um elemento da velha guarda era convidado a estar presente e partilhar algumas memórias da respectiva vida mágica.

Aproveitei essa programação, para comemorar a efeméride, distribuindo, aos presentes tal opúsculo, bem como uma fatia de bolo e uma taça de espumante (taça magicamente convertida em copo plástico, claro!).

É um dos momentos dessa comemoração que a fotografia documenta, onde se pode ver, em primeiro plano, JOFERK que foi uma referência determinante nos meus primeiros vinte e cinco anos de Ilusionismo.


A FISM EM DRESDEN

Depois de ter estado ausente da FISM realizada em 1994 no Japão, a expectativa para ver Magia ao mais alto nível era, naturalmente, muito elevada. Por isso os últimos dias antes da partida "demoraram uma eternidade" a passar, sentimento que era partilhado pelo HELDER que iria assistir à sua primeira FISM (Nota: aquela história de ter assistido à FISM de Lausanne em 1982 no ventre materno foi mesmo só para fazer piada).

A esta FISM também fui investido no papel de representante oficial do CIF e, logo à chegada, tive o dissabor de verificar que não aparecia a minha documentação, apesar da minha inscrição estar registada no respectivo sistema informático. Até que ela aparecesse, passou cerca de uma hora, tempo que teria sido muito melhor aproveitado a assistir a alguma das conferências que já decorriam.

Sobre esta FISM escrevi uma detalhada reportagem de 13 páginas que saiu na edição de Setembro / Outubro de 1997 da revista MAGIA do CIF (Nota: desde o início de 1997 o CIF tinha retomado a publicação bimestral da sua revista MAGIA em substituição da publicação mensal do boletim informativo A FOLHA MÁGICA). Irei, neste post, referir os pontos mais importantes dessa reportagem.

Nas Galas de Palco destaco CLEMENS VALENTINO, CHAPEAU, TOM VOSS, TOMMY WONDER, JORGOS, MAKHA TENDO, JOHNNY LONN, OMAR PASHA, NATHAN BURTON, CHRISTOPHER HART e PIERRE BRAHMA.

Na Gala de Close-up todos os intervenientes merecem o meu destaque. Foram eles JOHN CARNEY, RAMBLAR, TIM ELLIS, EUGENE BURGER, PAUL GERTNER, PIT HARTLING e DAVID WILLIAMSON. A apresentação esteve a cargo de ALI BONGO e isso também contribuiu para eu considerar esta a melhor de todas as galas desta FISM. DAVID WILLIAMSON foi o artista que fechou a Gala e fê-lo com uma dose reforçada "daquela loucura" com que nos havia habituado em anteriores congressos. Seguidamente reproduzo o que escrevi sobre tal actuação na supracitada reportagem.

  • David Williamson - Fechou a gala. Este artista (crazy, crazy, crazy) já atingiu um estatuto entre os mágicos que lhe permite fazer (quase...) tudo e obter sucesso sem (quase...) fazer magia. Foi o caso dessa noite em que só apresentou um efeito (o qual, inclusivé, falhou na 1ª tentativa): a carta vista pelo espectador desaparece e é vomitada (?!?!?!) pelo ilusionista. No entanto este efeito demorou, seguramente, mais do que vinte minutos a apresentar dado que a escolha duma espectadora que só entendia alemão (língua que Williamson não fala) obrigou à obtenção da apropriada tradução: eu traduzi de inglês para português e vice-versa, o Joy traduziu entre português e francês e um terceiro congressista traduziu entre francês e alemão. A situação tornou-se fortemente hilariante dada a capacidade histriónica do actuante para seguir as nossas traduções sucessivas. Como final David Williamson anunciou que iria realizar autênticos efeitos de close-up, os quais, portanto teriam que ser seguidos através do ecrã gigante. Por isso chamou o cameraman para filmar a mesa em plano picado e começou a executar um chink-a-chink de moedas. Após alguns passes levantou-se para ir buscar uma Coca Cola... e, no ecrã gigante, a actuação continuou!... Tratava-se de uma gravação antecipada, a qual, inclusivamente, integrava ostensivos truques de filmagem numa crítica óbvia aos artistas que utilizam tais métodos nos seus programas de TV.

Também houve uma Mini-gala "Especial Close-up" onde se destacaram JUAN TAMARIZ (que também a apresentou) e LISA MENNA.

No que se refere as conferências, a FISM de DRESDEN proporcionou excelentes e variadas possibilidades. A conferência histórica sobre HOFZINSER de MAGIC CHRISTIAN e a conferência sobre "magia de rua" de CELLINI foram dois bons exemplos dessa variedade. Além destas, também pude assistir às conferências de RAMBLAR, DAVID WILLIAMSON, EUGENE BURGER, PAUL GERTNER, FERTIGE FINGER, HIRO SAKAI, TOMMY WONDER e PAVEL. Resumindo e concluindo: consegui assistir a metade das vinte conferências programadas e todas me agradaram.

Nos concursos de palco destaco os premiados JUNGE JUNGE, SONNY FONTANA, RICHARD McDOUGALL, JULIANA CHEN e, naturalmente, o vencedor do Grand Prix, IVAN NECHEPORENKO (cuja rotina pode ser vista aqui). Nos concursos de mesa merecem destaque os premiados BORIS WILD, JORG ALEXANDER, THOMAS MEIER, SIMO AALTO e MANUEL MUERTE.

Nos concursos estiveram presentes dois portugueses: SERIP (em Invenção) e SALGUERY (em Magia Geral). SERIP esteve mal, pois as salsichas incendiaram-se e o bombeiro de serviço teve que entrar em palco e despejar o conteúdo de um extintor no interior do aparato em chamas. SALGUERY esteve bem, mas uma rotina de rolas para se destacar num concurso FISM tem que ter algo mais do que a mera perfeição técnica.

Por fim uma referência para LUÍS DE MATOS que foi artista convidado numa das Galas de Palco. A sua prestação ficou afectada pelo percalço dum "lenço voador"... que se recusou a voar.

Nesta FISM a presença portuguesa foi bastante notada durante todo o congresso, fruto da atitude activa de todos mágicos portugueses na promoção da candidatura da API à organização da FISM 2000 em Lisboa.  E como a candidatura saiu vencedora, tivemos a oportunidade de ver o auditório do Kulturpalast repleto de bandeirinhas portuguesas a serem agitadas, enquanto o testemunho de Presidente da FISM era passado para HORCAR.

Infelizmente, HORCAR não iria cumprir este mandato, pois, em 4 de Dezembro, faleceu de forma totalmente inesperada. Por comparação com o sucedido após a morte do PROF. SITTA, temeu-se que Portugal fosse perder a organização da FISM 2000. Felizmente MARQUES VIDAL conseguiu tomar as rédeas do projecto e levar a bom porto tal organização.

E o mês de Dezembro voltaria a causar o luto na comunidade mágica portuguesa, pois, no dia 15, ocorreu o falecimento de SAIUR, um nome incontornável na dignificação do Ilusionismo como Arte, sendo preponderante a sua acção no associativismo mágico lisboeta.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A FISM de Dresden.
Nota de sinal + : A atribuição da organização da FISM 2000 à API.
Nota de sinal + : Os meus "25 anos magicando..."
Nota de sinal + : O "anti-vedetismo" de DAVID WILLIAMSON.
Nota de sinal - : O falecimento de ARTURO DE ASCANIO.
Nota de sinal - : O falecimento de HORCAR.
Nota de sinal - : O falecimento de SAIUR.

sábado, 7 de maio de 2022

1988 - ANO DEZASSEIS (Parte 1)

 


A FISM NA HOLANDA (HAIA)

Mais uma FISM (para mim foi a sexta) que não defraudou as expectativas que são sempre muito elevadas.

Uma das curiosidades implementadas pela organização desta FISM foi cunhar duas moedas homenageando dois "monstros sagrados" da magia holandesa: OKITO e FRED KAPS. Tais moedas eram necessárias para pagar as bebidas adquiridas nos bares do Centro de Congressos. Hoje são peças de colecção.

Relativamente aos convidados das galas de palco ficaram na minha memória as actuações de RUDY COBY, JOHNNY LONN, THE PENDRAGONS, TINA LENERT, FUKAI AND KIMIKA, DAVIDE COSTI, JEFF McBRIDE, JAMES DIMMARE e VLADIMIR DANILIN. Numa das galas também trabalhou, como convidado, o português especializado em "sombras chinesas" JOE MARVEL. Esteve no bom nível que lhe conhecia e, para rematar a sua actuação, "desenhou", com as mãos, o perfil de FRED KAPS. Excelente ideia para uma FISM realizada na Holanda.

Como convidada esteve também a estrela japonesa PRINCESS TENKO, cuja actuação preencheu toda a segunda parte de uma das galas. Apesar de toda a publicidade de que foi precedida e da fama que, na época, tinha no seu país, ficou bastante aquém das minhas expectativas.

A Gala de Close-up foi designada com toda a propriedade "CLOSE-UP FESTIVAL". E foi mesmo um festival de boa magia onde todos os atuantes merecem ser destacados. BOB READ, CARLOS VAQUERA e DR. SAWA, talvez por ser a primeira vez que os vi actuar, merecem, para mim, um destaque especial.

As conferências de ALDO COLOMBINI, DARYL e EUGENE BURGER foram aquelas em que mais ensinamentos colhi.

Os concursos tiveram um nível excelente. Portugal esteve presente por intermédio de HORTINY (na modalidade de Invenção) e JORGE SORIAC (na modalidade de Manipulação). Não obtiveram prémios mas não desmereceram o aval obtido para os respectivos concursos.

Nos concursos de palco fiquei especialmente bem impressionado com as prestações de TOM MULLICA (3º prémio de Magia Cómica e uma actuação similar à do concurso pode ser vista aqui), TOPAS (2º prémio de Manipulação), YUKA (3º prémio de Magia Geral), THE NAPOLEONS (3º prémio de Grandes Ilusões), TOMMY WONDER (2º prémio de Magia Geral com a rotina que pode ser vista aqui) e VIK & FABRINI (1º prémio de Magia Geral com a rotina que pode ser vista aqui).

Nos concursos de mesa destaco as prestações de JOSE CARROL (1º prémio de Cartomagia), ROBERTO GIOBBI (2º prémio de Cartomagia) e JOHN CARNEY (2º prémio Close-up) e, naturalmente, JOHNNY ACE PALMER que foi o primeiro concorrente numa modalidade de mesa (Close-up) a conquistar o GRANDE PRÉMIO FISM. A sua rotina vencedora pode ser vista aqui.

No programa social do evento estava incluída uma recepção promovida pelo Ministro da Cultura da Holanda e pelo Presidente da Câmara de Haia. Esta recepção (que incluiu bebidas e aperitivos à discrição) teve lugar num edifício público destinado a eventos culturais que anteriormente havia sido uma igreja (Grote Kerk). Não pude deixar de comentar com alguns portugueses que nós, ali numa "igreja", de copo na mão, só estávamos a dar sentido literal à expressão "correr as capelinhas". E não é que, anos mais tarde, numa outra FISM, o JODIVIL ainda se lembrava deste meu comentário!

Também nos foi proporcionada uma Festa Mágica onde ficamos distribuídos em mesas (repletas de comidas e bebidas) de duas salas diferentes, cada uma tendo uma orquestra para proporcionar música ao vivo para dançar. Mas a parte mais sui generis desta festa foi a entrada, pois, a cada congressista era oferecido um (e um só) flute com champanhe. Ora cada um deles tinha no fundo um diamante, numa evidente acção promocional dos diamantes holandeses. No entanto nos mais de dois mil flutes com champanhe servidos à entrada só havia três diamantes verdadeiros, sendo os restantes falsos. Cada congressista tinha que evitar "beber" o diamante e recolhê-lo para fazer o teste e discernir se se tratava de um diamante verdadeiro ou falso. Acontece que nessa festa apenas apareceram dois diamantes verdadeiros. Por isso a organização resolveu, durante a Gala Final, sortear um terceiro diamante entre o congressistas e o diamante veio para Portugal, pois a feliz contemplada foi a MARIA JOÃO TAVARES!

E porque 1988 me traz outras memórias além das da FISM, amanhã haverá novo post.


sábado, 16 de abril de 2022

1985 - ANO TREZE (Parte 1)

 


A FISM... AQUI TÃO PERTO!

O ano de 1985 propiciou-me uma FISM em Madrid, que, na época, pensei ser a mais próxima de casa a que, alguma vez, teria possibilidade de assistir, pois estava a léguas de imaginar que ainda iria poder assistir a uma FISM no nosso país. Naturalmente que a proximidade do local da FISM relativamente a Portugal, permitiu que o contingente português fosse mais numeroso do que o habitual.

Nas galas de palco tive oportunidade de assistir a excelentes actuações de FINN JON, THE PENDRAGONS, VITO LUPO, GAETAN BLOOM, ARSÈNE LUPIN, PETRICK AND MIA, MARK METRAL (excelente ventríloquo), JEFF McBRIDE e OTTO WESSELY. Para quem não conhece o género de magia praticado por OTTO WESSELY aqui deixo um exemplo:

Para a sua entrada em palco OTTO WESSELY gizou um excelente gag, o qual só é possível ser criado num grande congresso mágico como a FISM. Ao ser anunciado o seu nome, entraram em palco dois mágicos  (RICHARD ROSS e LANCE BURTON) que já haviam obtido o Grande Prémio FISM estendendo uma passadeira de pétalas de rosa para a entrada do "Artista". E quando toda a gente ria a bom rir, pensando que o gag era só isto, eis que entrou DAI VERNON a prestar idêntica homenagem ao "Artista". Para mágicos foi um momento único e inesquecível.

Para mim também foi "inesquecível" a actuação de BOB BROWN AND BRENDA. Desta vez não apresentaram a excelente levitação que já havia apreciado numa anterior FISM, mas sim uma sequência de truques clássicos sem ponta de originalidade, levando-me a pensar que, se aquele acto fosse apresentado em concurso, provavelmente seria classificado como "below FISM level". Também me ficou na memória, por maus motivos, a actuação de FLIP, artista que já apreciara na FISM de Paris. Só que, desta vez, FLIP esteve lento e sem ritmo, o que redundou numa intervenção que merece o qualificativo de... "muito chata".

A Gala de Close-up  deu uma imagem da força daquele género de Magia em Espanha ao apresentar ARTURO DE ASCANIO, JUAN TAMARIZ, CAMILO VASQUEZ e PEPE CARROL. Irrepetível.

As conferências de MAX MAVEN, MAGIC CHRISTIAN, MICHAEL AMMAR,  PETRICK AND MIA e TOMMY WONDER foram aquelas em que mais ensinamentos novos consegui colher. As notas de conferência de TOMMY WONDER foram um verdadeiro hino à forma de orientar os mágicos no caminho certo. Apesar de ter apresentado e explicado algumas das suas criações mágicas, TOMMY WONDER quis deixar a mensagem sobre a necessidade de ler (bons) livros. Por isso as notas de conferência eram uma simples folha de papel vermelho em que referia os livros onde aprendera tudo o que sabia. Essa simples folha vermelha custava  1500 pesetas e quem a adquirisse teria direito à oferta de um pequeno opúsculo, onde estavam explicados todos os truques que havia demonstrado.

Relativamente aos concorrentes de palco, fiquei muito bem impressionado com as actuações de MAHKA TENDO, DAVIDO, SELIM, SCOTT CERVINE (que, na altura, me pareceu merecer mais do que o 3º lugar em Magia Geral que lhe foi outorgado) e JAVIER AND ANA (que obtiveram o Grande Prémio e cuja rotina pode ser apreciada mais abaixo). Em palco também pude apreciar a actuação de um português: SERIP. Nos concursos de mesa saliento as intervenções de FERNANDO KEOPS, MICHAEL WEBER, JOHN CORNELIUS e PAUL GERTNER.

Quem consultar o programa desta FISM, verá que o meu nome consta na lista de concorrentes na disciplina de Cartomagia. Na realidade, inscrevi-me para participar em tal concurso, mas uma arreliadora lesão num dedo da mão direita criou atrasos na preparação e treino da rotina que estava a preparar. Por tal motivo comuniquei à organização a minha desistência do concurso, mas, pelos vistos, tal comunicação não foi suficientemente atempada.

Claro que uma FISM realizada em Espanha teria que incluir, no seu programa social, uma tourada... E incluiu! Não foi propriamente uma tourada, mas sim uma garraiada onde alguns espontâneos puderam dar asas ao seu espírito corajoso e enfrentar os novilhos para gáudio dos restantes congressistas presentes nas bancadas. Depois da garraiada seguiu-se uma visita a Aranjuez. Mais tarde voltou-se à Praça de Touros, agora transformada em "Salão de Banquete", para um agradável jantar complementado com o indispensável show de flamenco.

E como há mais memórias deste ano, amanhã haverá novo post.


sábado, 26 de março de 2022

1982 - ANO DEZ (Parte 1)

 


6º FESTIVAL MÁGICO DA FIGUEIRA DA FOZ

Nesta edição do Festival Mágico da Figueira da Foz fui convidado a proferir uma conferência e, por isso, tive direito a fotografia no programa, a qual foi acompanhada por alguns dados biográficos. Foi a minha primeira conferência para mágicos e seguiu a linha mais habitual das conferências que tinha visto até então: apresentação de efeitos mágicos, os quais eram, posteriormente, explicados. Procurei apresentar apenas efeitos nos quais eu tinha introduzido melhoramentos nas respectivas apresentação e execução técnica, fugindo daquilo que já tinha visto fazer em algumas conferências: a apresentação e explicação tout court de truques já publicados por outros mágicos.


No final da conferência, a par da venda das respectivas notas, também vendi quatro truques de cartas de minha autoria, que havia fabricado. Um deles ("Aros chinos") ainda hoje integra o meu repertório de Magia de Proximidade. 

Além de conferencista convidado também participei neste Festival como concorrente naquelas modalidades em que, nos últimos tempos, passara a centrar a minha atenção e o meu estudo: Cartomagia e Micromagia. Em Cartomagia obtive o 2º Prémio (Ex-aequo com SAVIL) e em Micromagia obtive o 1ºPrémio.

Mas uma das memórias mais fortes deste Festival foi a excelente conferência de TOMMY WONDER (que havia sido 2º Prémio de Magia Geral na FISM Bruxelas) e a possibilidade de privar com ele, bebendo ensinamentos de um dos maiores pensadores mágicos que tive a felicidade de conhecer pessoalmente. Infelizmente TOMMY WONDER faleceu prematuramente em 2006 (com 52 anos de idade) e, nesse mesmo ano, a FISM atribuiu-lhe, a título póstumo um mais que merecido galardão: o Theory and Philosophy Award. Hoje esse troféu é uma das jóias da minha pequena colecção.


A VISITA AO CLAM

Por motivos profissionais em Julho de 1981 e Junho de 1982 estive em Milão, com permanência de cerca de três semanas em cada uma das situações. Aproveitei tais estadias para contactar o clube mágico local (CLAM), onde fui muito bem recebido pelos respectivos membros, dos quais relembro OTTORINO BAI (que era, nessa altura, o presidente), TONY MANTOVANI e RAUL CREMONA. Este último teve, inclusivamente, a gentileza de me oferecer, em 1982 o opúsculo "Anyway Aces" que publicara.



As reuniões semanais eram realizadas na cripta de uma igreja e tinham bastantes participantes, a maioria deles participantes activos no desenrolar das reuniões.

Foi numa dessas reuniões (não consigo precisar se foi em 1981 ou 1982) que conheci PAOLO MORELLI, um profissional que estava a trabalhar num night club de topo de Milão. Mantivemos uma amena cavaqueira durante essa reunião e, quando se aproximou o final da mesma, ele convidou-me a ir assistir ao seu espectáculo. Na reunião, juntamente com ele, estava uma senhora (que me apresentou como mulher ou namorada) e que eu supunha ser também partenaire. Tal não era o caso. E o convite dele para assistir ao espectáculo tinha também algum interesse pessoal que irei detalhar seguidamente.

No night club onde o PAOLO MORELLI estava a actuar não era "aconselhável" uma senhora estar sozinha numa mesa a assistir ao espectáculo. Por isso a namorada (ou mulher) permanecia no camarim enquanto ele actuava, só frequentando a sala na sua companhia. Com a minha presença, ela conseguiu, pela primeira vez, vê-lo a actuar naquele night club. A actuação que lhe vi fazer nessa noite foi muito similar a esta que pode ser vista aqui.

Depois de terminar a sua actuação, fomos comer uma pizza a um local que estava aberto toda a noite, onde tive a oportunidade de apreciar que PAOLO MORELLI tinha, em close-up, tanta qualidade e desenvoltura como a que revelara na pista do night club.


O NASCIMENTO DE UM FUTURO CAMPEÃO MUNDIAL

Deixarei para um outro post (a publicar amanhã) a referência ao evento mágico do ano (a FISM Lausanne) para atentar no evento mais mágico a nível pessoal: o nascimento do meu filho. Foi a 16 de Novembro e, por isso mesmo, eu escrevi, no post "1979 - ANO SETE (Parte 1)", que o dia 16 de Novembro era um dia "relevante" no Ilusionismo português. É que não é todos os dias que nasce um Campeão Mundial de Magia e, até agora, Portugal continua a só ter um.

Qualquer pai quer que o seu filho tenha sucesso seja qual for a actividade a que se dedique, mas os pais mágicos têm uma tendência natural para "empurrarem" os filhos para a prática do Ilusionismo. Não fiz nada disso mas soube incutir-lhe o gosto pela BOA Magia e orientá-lo na melhor direcção no que se refere a leituras de aprendizagem. No entanto talvez fosse uma espécie de premonição a primeira fotografia que fiz, quando ele chegou a casa, vindo da maternidade.

E se, três dias após o nascimento, o Helder teve que suportar a fastidiosa sessão fotográfica até eu conseguir obter a imagem reproduzida, um mês depois, teve outra "prova de fogo": acompanhar-me à zona de Leiria onde realizei actuações em Festas de Natal para duas empresas e suportar a "seca" de ficar com a mãe nos bastidores enquanto eu actuava.


domingo, 6 de março de 2022

1979 - ANO SETE (Parte 2)



A MINHA TERCEIRA FISM

Sete anos antes de haver políticos portugueses a invadirem Bruxelas, por força da entrada de Portugal na CEE, já alguns mágicos o haviam feito no período de 27 de Junho a 1 de Julho de 1979, para assistirem ao 14º Congresso Mundial de Magia FISM.

Depois das duas anteriores edições da FISM (Paris e Viena) que haviam sido excelentes, esta edição ficou, no cômputo global, aquém das minhas expectativas. E nada o fazia prever, pois o elenco da Gala de Abertura do Congresso (designada "Parada de Grandes Prémios") foi constituído única e exclusivamente por vencedores do "Grande Prémio FISM" em anteriores edições do evento. Todos fizeram jus ao título obtido, mas registo na minha memória duas actuações em concreto: as de VIGGO JAHN e de GEOFFREY BUCKINGHAM.

VIGGO JAHN com a sua impecável manipulação de castões brancos com luvas pretas (uma actuação sua pode ser vista aqui) fez-me lembrar D. AGUINALDO e GEOFFREY BUCKINGHAM mostrou que, aos 77 anos (sim, era essa a sua idade na altura!), ainda era possuidor da destreza e coordenação de movimentos que lhe valera o Grande Prémio em 1952 (uma actuação sua pode ser vista aqui). E foi ainda mais enriquecedor perceber, na conferência deste último, os detalhes da preparação do seu número, onde se percebia que tudo tinha sido estudado em prol da obtenção da máxima perfeição artística.

Nas categorias do concurso de palco, além de GER COOPER (uma actuação sua pode ser vista aqui) e SULTANGALI SHUKUROV & SARA KABIGUJINA (uma parte da sua actuação pode ser vista aqui), que foram galardoados ex-aequo com o Grande Prémio, ficaram na minha memória as actuações de VITO LUPO (Magia Geral), SANADA (Manipulação), CHRISTIAN FECHNER (Grandes Ilusões), PETRICK & MIA (Manipulação) e SONNY FONTANA (Sombras Chinesas) e MYKOG (Invenção). Nos concursos de mesa merecem referência especial JOHN CORNELIUS e TOMMY WONDER.

Além da conferência de GEOFFREY BUCKINGHAM acima referida, também foram muito interessantes as conferências de TONY BINARELLI e JOHN CORNELIUS.

Numa outra gala tive a oportunidade de me deliciar com as actuações de ARTURO BRACHETTI (uma fabulosa rotina de Quick Change), FANTASIO (rotina de velas e bastões), GERARD MAJAX (pickpocket), PRIMO GROTTI (sombras chinesas) e MARVIN & CAROL ROY (a rotina clássica de Mr. Electric). Também ficou na memória de todos os presentes a excelente levitação apresentada por BOB BROWN & BRENDA.

Sexta-feira, 29 de Junho, reservava a pior lembrança que tenho de uma FISM. Provavelmente será ela a responsável por esta FISM ser a menos valorizada nas minhas memórias. O final do dia apresentava um programa social interessante: saída de autocarros que, após um "City Tour", rumariam ao "Trade Mart", que fica nas proximidades do Atomium (símbolo da Bélgica e de Bruxelas), para um "Jantar-Buffet", seguido de um espectáculo de Magia. Ora chamar "Jantar-Buffet" a um prato de plástico pré-preparado com algumas carnes frias e um bocado de peixe marinado em "sabe-se lá o quê" acompanhado de um pão (seco!) e uma garrafa (de 33 cl) de vinho só pode ser gozo. Ahhhh... Claro que havia mais bebida, mas apenas para quem estivesse disposto a pagá-la!

O ambiente geral de incredulidade e "revolta" seria, parcialmente, amenizado pelo espectáculo. E digo "parcialmente" porque apenas uma parte dos presentes tinha a visibilidade mínima necessária para o estrado onde decorreu o mesmo. Os restantes (eu integrava este grupo) teriam que se levantar do seu lugar e procurar um sítio em que pudessem ver algo do que se passava em palco.

Mas o pior ainda estava para vir. No final o regresso ao centro de Bruxelas seria feito de autocarro, mas não houve autocarros em quantidade suficiente para transportar todos os congressistas. Assim muitos tiveram que, a expensas próprias, viajar de táxi. E, como havia poucos táxis na zona, a "luta" para conseguir um táxi livre foi um verdadeiro pandemónio, de acordo com o que me contaram no dia seguinte.

Felizmente a malta do Porto é vivaça e, quando nos apercebemos da má organização do evento da noite, saímos com rapidez do local do dito "Jantar-Buffet" e conseguimos garantir transporte num dos autocarros da organização. E os que tínhamos ido a Paris e Viena passamos a viagem a relembrar as recepções na Orangerie do Palácio de Versalhes e no Wiener Rathaus. Tais lembranças ajudaram a passar o tempo de viagem e a esquecer o "ratinho".

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A experiência da minha primeira gravação para TV.
Nota de sinal - : O termo da publicação de QUATRO ASES.
Nota de sinal - : O Jantar-Buffet da FISM Bruxelas.
Nota de sinal - : O fim da publicação da secção semanal "MAGIA por Cardinal" nas páginas do Jornal de Notícias.