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sábado, 23 de julho de 2022

1999 - ANO VINTE E SETE

 


MÁGICO DE PROXIMIDADE

Sempre fui defensor da utilização da língua portuguesa nos escritos sobre Ilusionismo, como pode ser verificado pela leitura do artigo de minha autoria entitulado "EM PROL DE UM LÉXICO MÁGICO PORTUGUÊS", o qual foi publicado na revista o O MÁGICO nº4 (Setembro de 1996). 

Por isso não admira que procurasse uma expressão que pudesse traduzir de forma conveniente o conceito de "Magia de Close-up". Muito sinceramente, as traduções "Magia de Perto" ou "Magia Íntima" que já vira referenciadas por alguns mágicos não me agradavam. Assim, à falta de melhor, continuava a apresentar-me como "Mágico de Close-up".

Ora foi precisamente, durante este ano, que a ideia de "Magia de Proximidade" me surgiu e, a partir daí, passei a apresentar-me como "O Mágico de Proximidade". Hoje é com regozijo que vejo tal designação ser usada por diversos ilusionistas, embora ainda não tenha visto nenhum ter a preocupação de dar crédito a quem, pela primeira vez, usou tal expressão. Enfim, nada de novo debaixo do sol.

FESTIVAIS, ENCONTROS, ETC.

No âmbito do Festival de São João Bosco (CIF), proferi, em 31 de Janeiro, a conferência "A Lógica Mágica". No dia anterior tinha integrado o elenco da Gala de Close-up. Também foi durante este evento que adquiri o importante opúsculo (da autoria de TONY KLAUF) entitulado "A importância do baralho ordenado no ilusionismo".

Em Março participei nos Encontros Mágicos de Sintra, em Junho participei na 2ª edição dos Encontros Mágicos "LA BARRANCA" e em Setembro assisti ao MAGICVALONGO em que destaco as conferências de ROBERTO GIOBBI, PAVEL, PABLO SEGOBRIGA e JAHN GALLO. 


O POEMA DA CORDA AMARELA

A magia com cordas sempre mereceu da minha parte uma atenção muito especial. Pergunto a mim mesmo se tal não terá sido consequência da oficina ministrada por JEAN MERLIN durante a FISM 1973 (Paris). O certo é que desde essa altura tenho mantido uma rotina com corda no meu repertório. 1999 marcou uma viragem na forma de apresentar a minha habitual rotina: passei a declamar um texto em verso a que chamei "O poema da corda amarela". A primeira vez que tal aconteceu foi num espectáculo realizado em 26 de Junho.

A partir desse momento, esta rotina de corda passou a ser, para mim, uma verdadeira "pièce de resistente". O que nunca pensei é que alguém encontrasse pouca originalidade no conjunto, pela simples razão que já havia mágicos a usar cordas amarelas...

A gravação acima apresentada foi realizada no PINGUIM CAFÉ no ano 2009.

NOTA DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A criação da expressão "O Mágico de Proximidade"


sábado, 16 de julho de 2022

1998 - ANO VINTE E SEIS

 


MAGIAS À MEIA-NOITE

Este foi o título de uma série de actuações iniciadas à meia-noite (que surpresa...) no Café Concerto do Teatro Rivoli e que integraram a programação do FANTASPORTO em 18, 22 e 26 de Fevereiro deste ano. Além de mim também actuaram MANOLO, HELDER e RICARDO. 

Durante o FANTASPORTO, o espaço de Café Concerto funcionava como ponto de convívio dos participantes no Festival, após o final das projecções dos filmes programados. O que ninguém esperava é que pessoas tão envolvidas na chamada "Sétima Arte" não tivessem compreensão e respeito pelo trabalho de artistas cuja Arte não esteja registada num pedaço de celulóide.

E foi isso que aconteceu! Quando os espectáculos começavam, havia pessoas que se mantinham a conversar, de costas viradas para o palco, sem qualquer respeito pelo artista aí presente ou pelos espectadores que queriam seguir atentamente a respectiva actuação. Numa das noites, o alheamento de uma mesa era tão óbvio (direi mesmo, era "provocador") que o MANOLO decidiu que eles tinham que colaborar numa das ilusões e, para tal, atirou algumas cartas gigantes para o centro da mesa... Foi hilariante!

JORNADA MÁGICA DO CMP

No dia 18 de Abril rumei a Mafra para participar na Jornada Mágica do CMP (Clube Mágico Português). Era um evento que se perspectivava muito promissor, pois anunciava três conferências. Infelizmente as expectativas foram completamente defraudadas, pois não houve uma única conferência, além de outras incidências (como, por exemplo, manchar a homenagem a SAIUR) que me levam a considerar este como o pior evento mágico em que, até hoje, participei. A minha apreciação circunstanciada às diversas vicissitudes do evento foi publicada na revista MAGIA (do CIF) de Maio/Junho 1998.


EL PRIMER ENCUENTRO "LA BARRANCA"

Por iniciativa de MIGUEL GÓMEZ e ARMANDO GÓMEZ (e mais alguns mágicos espanhóis), realizou-se o primeiro dos encontros de La Barranca. Num formato semelhante aos "Encontros de Sintra", este encontro realizou-se num hotel das proximidades de Madrid, onde todos os participantes ficavam alojados. A participação não implicava qualquer inscrição (ou seja, não havia nenhum outro custo além dos relativos a viagem e alojamento), mas, para estar presente, era necessário receber o respectivo convite da Comissão Organizadora. Desta forma, tal comissão conseguiu garantir um nível mínimo de conhecimentos mágicos dos participantes (para garantir um andamento fluido dos trabalhos) e limitar o número de participantes de acordo com a capacidade da sala disponível para as reuniões.


Sendo um evento pensado para reunir mágicos espanhóis, foi igualmente aberto à participação de mágicos portugueses. Nesta primeira edição estive presente acompanhado pelo HELDER e pelo RICARDO.


UM SETEMBRO MUITO MÁGICO

Entre 10 e 13 de Setembro estive presente no Congreso Mágico Nacional de Espanha que se realizou em Málaga. Foi o primeiro congresso espanhol a que assisti e foi também o primeiro evento mágico fora de Portugal em que o HELDER viu o seu trabalho ser reconhecido. Concorreu na modalidade de Cartomagia e obteve uma "Mencion Honorífica" como dizem "nuestros hermanos". 

Entre os eventos programados destaco as conferências e as actuações de close-up de JOHN CARNEY, ROBERTO GIOBBI e MIGUEL APARÍCIO. Nas actuações de palco o meu destaque vai para VIKTOR VOITKO, JUNGE-JUNGE e PETER MARVEY.

Viria a ter oportunidade de rever estes dois últimos artistas, passadas duas semanas, no MAGICVALONGO. Deste evento também relembro a actuação, no Concurso de Mesa, do MICHAEL em que o prato principal foram... os amendoins! Acho que, durante mais de quinze dias, o HELDER ainda tinha o gosto das cascas de amendoim na boca... É no que dá ser escolhido como "espectador voluntário" e não querer estragar o truque ao amigo mágico.

Por último registo que foi neste ano que "descobri" a magia de SIMON ARONSON, fruto da aquisição dos livros Bound to Please, Simply Simon e The Aronson Aproach.


UM EPISÓDIO CURIOSO

Em 10 de Novembro, o JN deu o destaque que a imagem reproduzida documenta ao facto de CHARLES BROOK ter arrebatado o prestigiado "Trophy John Hart" com que o famoso "Magic Circle" contempla o melhor entre os melhores nesta competição (sic). Ora a notícia transmitiu uma versão errada da situação pois o prémio obtido por CHARLES BROOK não foi numa competição do "famoso Magic Circle", mas sim dum clube mágico muito menos famoso: o Home Counties Magical Society. E o facto do presidente do Magic Circle, Michael Bailey, ter estado presente no evento e ter sido convidado a entregar o prémio não deveria ser usado para misturar alhos com bugalhos. O que é mesmo lamentável é que CHARLES BROOK não tenha aproveitado a reunião do CIF em que este assunto foi abordado para repor a verdade dos factos, alimentando, portanto, a mentira de ter obtido um prémio do Magic Circle

Este assunto proporcionou-me um reflexão da qual resultou um texto que foi publicado na revista MAGIA (CIF) de Janeiro/Junho 1999 e que está reproduzido aqui.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O encontro La Barranca.
Nota de sinal + : O primeiro reconhecimento do HELDER "fora de portas".
Nota de sinal - : A Jornada Mágica do CMP.
Nota de sinal - : O alimentar da mentira no seio de um clube mágico.

sábado, 2 de julho de 2022

1996 - ANO VINTE E QUATRO


FESTIVAL DE S. JOÃO BOSCO E COLABORAÇÕES LITERÁRIAS

Magicamente o ano começou, para mim, no Festival S. João Bosco, promovido pelo CIF, durante o qual, recebi o troféu MÁGICO DO ANO 1995 na categoria "Close-Up" conforme pode ser lido aqui. Infelizmente tal evento mágico foi palco de um acontecimento trágico: o falecimento de HORTINY, nos bastidores do palco, poucos momentos após o fim da Gala de Palco. Em 2021, quando se completaram 25 anos sobre o infausto acontecimento, publiquei um texto para o lembrar, o qual pode ser lido aqui.

Em Fevereiro foi eleita a nova Direcção do CIF, da qual eu fazia parte como Vice-Presidente, e o meu envolvimento na publicação da FOLHA MÁGICA recrudesceu, com a produção de conteúdos diversificados e a reformulação do respectivo aspecto gráfico. No que respeita a conteúdos diversificados procurei, aqui e ali, introduzir alguma dose de humor através da publicação de NOTÍCIAS OFF-RECORD.

A minha colaboração literária para a revista O MÁGICO continuou durante o ano e, além da secção TEMAS DE CLOSE-UP, elaborei outros conteúdos. Entre eles quero relembrar o artigo, publicado na respectiva edição de Junho, intitulado "Um Achado Bibliográfico - THESOVRO DE PRVDENTES de Gaspar Cardozo de Sequeira", onde era revelada a existência de um livro de um autor português, publicado em Portugal em 1612, que descreve truques que se pensava terem sido descritos pela primeira vez largas dezenas de anos mais tarde. A descoberta deste livro foi fruto da pesquisa empenhada de TONY KLAUF.


LISBOA É MÁGICA

No início de Junho tivemos a CONVENÇÃO API, a qual adoptou o slogan "LISBOA É MÁGICA". Esta convenção, que se realizou no Teatro Taborda, teve como ponto alto uma Gala de Close-up de Homenagem a ARTURO DE ASCANIO, a qual teve um conjunto de intérpretes ligados a ASCANIO por fortes laços de amizade e grandes doses de aprendizagem dos conceitos mágicos do Mestre. Portanto, além do próprio ASCANIO, actuaram: PEDRO LACERDA, ROBERTO GIOBBI, AURELIO PAVIATO, CARLOS VAQUERA e BERNARD BILIS. Foi, naturalmente, uma gala insuperável!

Na Gala de Palco destaco as presenças de NICHOLAS NIGHT & KINGA, JEFF McBRIDE e LUNA SHIMADA e todas as conferências (BERNARD BILIS, CARLOS VAQUERA, NICHOLAS NIGHT, JEFF McBRIDE e ASCANIO) foram de elevado nível e interesse. Foi durante esta convenção que a API entregou ao Secretário Geral da FISM o dossier da candidatura de Lisboa à organização do CONGRESSO MUNDIAL DE MAGIA FISM 2000. 


MAGICVALONGO

Em finais de Setembro realizou-se a quinta edição do MAGICVALONGO. Participei como concorrente em Magia de Mesa e obtive o 2º lugar. Entre os convidados destaco os estrangeiros PATRICK PAGE e ALI BONGO que proporcionaram excelentes actuações e conferências.Também merece referência o argentino MAD MARTIN, especialmente, pela respectiva actuação na Gala de Close-up. Entre os convidados portugueses esteve JOFERK que parecia querer mudar de "imagem" ao apresentar-se como COIMBRA'S.


Enquanto decorria o MAGICVALONGO, soube do falecimento do Prof. Armindo de Matos, que fora um dos fundadores do CIF e da firma Magiarte.


ESTORILMÁGICO - CASCAIS 96

Na sua segunda edição, este Festival Internacional de Magia não desmereceu todos os elogios feitos à primeira edição e apresentou excelentes convidados em palco (JULIANA CHEN, BERTRAN LOTTH, AMOS LEVKOVITCH, STEVE SHERATON e JUAN MAYORAL) e em mesa (CAMILO VASQUEZ; MICHAEL WEBER e JOHN CARNEY). No conjunto das seis conferências programadas destacaria a dos três últimos mágicos referidos e a de JUAN MAYORAL.

Participei neste evento como concorrente, não tendo obtido prémio. O HELDER também participou como concorrente em Magia Juvenil e foi classificado em 2º lugar (O primeiro classificado foi JORGE SANCHEZ, agora mais conhecido como JORGE BLASS).

DIVERSOS

Mais uma vez realizei diversas actuações a bordo do navio FUNCHAL, integrado no respectivo staff de animação.

Adquiri os livros THE BOOKS OF WONDER, uma verdadeira jóia da literatura mágica, na qual TOMMY WONDER reuniu toda a sua maneira de pensar a Magia. São livros imprescindíveis na formação de qualquer mágico.

DOMINGO EM CHEIO foi o título de um programa transmitido na RTP ao domingo à noite com apresentação de Luís de Matos. Não foi um programa de Magia, mas sim um programa de entrevistas. Na noite de 16 de Junho o entrevistado foi Júlio Isidro. A propósito de tal escolha de convidado escrevi em "A FOLHA MÁGICA" (CIF) de Julho de 1996 um texto que está reproduzido aqui.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O ESTORILMÁGICO - CASCAIS 96
Nota de sinal + : A CONVENÇÃO API 96
Nota de sinal - : O falecimento de HORTINY.
Nota de sinal - : O falecimento do Prof. Armindo de Matos.

sábado, 25 de junho de 2022

1995 - ANO VINTE E TRÊS (Parte 1)


FESTIVAIS, ENCONTROS e CONVENÇÃO

No início de Fevereiro participei no habitual Festival S. João Bosco organizado pelo CIF como actuante na Gala de Close-up (na qual tive a companhia do HELDER) e como conferencista. A conferência, que denominei "A LÓGICA MÁGICA", deu lugar à publicação das correspondentes notas de conferência.

Esta foi uma publicação autónoma que marcou o início de uma fase pessoal de produção literária bastante regular, pois, tendo o CIF retomado, em Janeiro, a publicação da sua FOLHA MÁGICA, passei a escrever, mensalmente, para a mesma, artigos técnicos, reportagens e artigos de opinião. Entre as diversas colaborações que escrevi ao longo do ano destaco o artigo "Rotina Chop Cup de Paul Daniels"(publicado na edição de Junho) e o longo artigo "Falando de... Cartas de Jogar" (que foi dividido em três partes publicadas nas edições de Julho, Agosto e Setembro)

Entre 3 e 5 de Março, participei nos ENCONTROS MÁGICOS DE SINTRA e a reportagem que escrevi pode ser lida na FOLHA MÁGICA do CIF de Março de 1995. Destaco a presença, nos encontros deste ano, de três espanhóis: ANTÓNIO FERRAGUT, MIGUEL GÓMEZ e ARMANDO GÓMEZ. 

No final de Maio teve lugar a CONVENÇÃO API (que integrou o VIII FESTIVAL INTERNACIONAL DE ILUSIONISMO DA AMADORA), na qual estive como convidado, actuando na Gala de Close-up, onde partilhei "palco" com o HELDER. Os convidados MIGUEL GÓMEZ, OTTO WESSELEY, JAMES DIMMARE e THE PENDRAGONS fizeram as delícias da audiência.

No início de Outubro aconteceu mais um MAGICVALONGO, ao qual assisti tendo o HELDER sido convidado. Os convidados ROCCO, ENRIC MAGOO, CH'APEAU e TONY CACHADIÑA merecem destaque como actuantes. As conferências de TONY CACHADIÑA e ROCCO foram muito interessantes. Nesta última prestei a minha desinteressada colaboração como tradutor.

E para culminar um ano repleto de bons eventos mágicos tivemos, no início de Novembro o ESTORILMÁGICO-CASCAIS 95 que verdadeiramente "arrasou a concorrência" com um lote de convidados que incluiu ISORA y GAVILONGO, ALPHA, VICTOR VOITKO, NETCHEPORENKO, JORGOS, JOAQUIN AYALA & LILIA, JOHN BANNON, ROBERTO GIOBBI e ROGER KLAUSE. As conferências destes três últimos foram excelentes e, a partir daqui, passei a dar mais atenção às criações mágicas de JOHN BANNON. Neste evento estive como concorrente em Magia de Close-up, não obtendo prémio. Por seu turno o HELDER obteve o 1º Prémio na categoria de Magia Juvenil.

Amanhã haverá novo post com memórias deste ano.


sábado, 28 de maio de 2022

1991 - ANO DEZANOVE (Parte 1)

 


FISM - O REGRESSO IMPREVISÍVEL A LAUSANNE

O 18º Congresso Mundial de Magia estava programado para Roma, mas a morte inesperada (Julho de 1989) do respectivo presidente (PROF. SITTA), que era o elemento agregador das diversas sensibilidades existentes na magia italiana, criou a necessidade de ser encontrada uma nova solução. A equipa que tinha organizado a FISM três anos antes em Haia e o Club des Magiciens de Lausanne que organizara o Congresso FISM nove anos tinham "bem oleadas" as respectivas máquinas organizativas e propuseram-se suprir tal necessidade. A escolha recaiu em Lausanne.

Entre os concorrentes nas modalidades de palco destaco os premiados TOPAS, ARSENE LUPIN, JUAN MAYORAL e, naturalmente, o vencedor do Grand Prix VLADIMIR DANILIN (a sua rotina vencedora pode ser vista aqui). Além destes também recordo as excelentes prestações de DAVIDO e TIM ELLIS. Este último teve direito a um Special Award pela sua versão rap do clássico "Sempre Seis"(que pode ser vista aqui). 

Portugal teve três concorrentes envolvidos nos concursos de palco: SALGUERY (Magia Geral), DAMIÃO (Magia Geral) e OLIMACK (Manipulação). Este último apresentou a sua rotina de sombras chinesas e a inscrição na disciplina de Manipulação foi a solução adoptada por não haver modalidade de Artes Anexas no concurso. Nenhum obteve prémio, mas todos eles deixaram uma boa imagem da Magia em Portugal.

Nas modalidades de mesa destaco os premiados FRANCIS TABARY, JOHN CARNEY, SIMO AALTO, LENNART GREEN E ROBERTO GIOBBI e os não premiados VANNI BOSSI e SHANKAR JUNIOR. Este último, com 13 anos, surpreendeu tudo e todos pela sua desenvoltura ao apresentar a versão indiana dum clássico da Magia: o truque dos covilhetes. E fê-lo da forma mais tradicional possível: sentado no chão, de pernas cruzadas (a rotina pode ser vista, a partir do 1m40s, aqui). 

Na minha perspectiva, na Gala de Close-up, sobressaíram JUAN TAMARIZ, BERNAD BILLIS, RENÉ LAVAND, MICHAEL AMMAR e DAVID WILLIAMSON e, nas conferências, destaco os três últimos nomes referidos e ARTURO DE ASCANIO.

Mas seria numa das galas de palco que me estaria reservado o momento mais emocional que até então tinha vivenciado nos congressos FISM. Entre os diversos convidados presentes nas galas ficaram-me na retina as actuações de VORONIN, ALI BONGO, MAHKA TENDO, LIVING MAGIC THEATRE, AMOS LEVKOWITCH, RUDY COBY e THE PENDRAGONS. 

Mas um senhor ultrapassou todas as minhas expectativas: HARRY BLACKSTONE JR.!... Na minha memória ficaram estas autênticas jóias mágicas: Vanishing Birdcage (que pode ser vista aqui) e Floating Lightbulb

Ora foi precisamente, durante a exibição de Floating Lightbulb que eu vivenciei o tal momento emocional que ainda hoje, ao relembrar, me provoca um arrepio na espinha igual ao que experimentei na altura. Como pode constatar-se, durante a exibição, HARRY BLACKSTONE JR. descia à plateia e entregava a lâmpada acesa a um espectador para que a mesma fosse examinada. Nessa gala inesquecível eu fui o escolhido. E, durante breves momentos, um aparato mágico carregado de história esteve nas minhas mãos. Inolvidável!

Foi também durante este Congresso FISM que adquiri o excelente livro "The Magic of Michael Ammar" e o desdobrável "Daryl Rope Routine" que iria ser o alicerce da minha rotina "O poema da corda amarela". Quando, em Março de 2000, Daryl esteve no Porto a realizar uma conferência tive oportunidade de obter uma dedicatória em tal desdobrável.

Depois de relembrar a emoção de segurar a lâmpada de HARRY BLACKSTONE JR. acho que preciso de um descanso. As restantes memórias deste ano ficam para um novo post que será colocado amanhã.

sábado, 7 de maio de 2022

1988 - ANO DEZASSEIS (Parte 1)

 


A FISM NA HOLANDA (HAIA)

Mais uma FISM (para mim foi a sexta) que não defraudou as expectativas que são sempre muito elevadas.

Uma das curiosidades implementadas pela organização desta FISM foi cunhar duas moedas homenageando dois "monstros sagrados" da magia holandesa: OKITO e FRED KAPS. Tais moedas eram necessárias para pagar as bebidas adquiridas nos bares do Centro de Congressos. Hoje são peças de colecção.

Relativamente aos convidados das galas de palco ficaram na minha memória as actuações de RUDY COBY, JOHNNY LONN, THE PENDRAGONS, TINA LENERT, FUKAI AND KIMIKA, DAVIDE COSTI, JEFF McBRIDE, JAMES DIMMARE e VLADIMIR DANILIN. Numa das galas também trabalhou, como convidado, o português especializado em "sombras chinesas" JOE MARVEL. Esteve no bom nível que lhe conhecia e, para rematar a sua actuação, "desenhou", com as mãos, o perfil de FRED KAPS. Excelente ideia para uma FISM realizada na Holanda.

Como convidada esteve também a estrela japonesa PRINCESS TENKO, cuja actuação preencheu toda a segunda parte de uma das galas. Apesar de toda a publicidade de que foi precedida e da fama que, na época, tinha no seu país, ficou bastante aquém das minhas expectativas.

A Gala de Close-up foi designada com toda a propriedade "CLOSE-UP FESTIVAL". E foi mesmo um festival de boa magia onde todos os atuantes merecem ser destacados. BOB READ, CARLOS VAQUERA e DR. SAWA, talvez por ser a primeira vez que os vi actuar, merecem, para mim, um destaque especial.

As conferências de ALDO COLOMBINI, DARYL e EUGENE BURGER foram aquelas em que mais ensinamentos colhi.

Os concursos tiveram um nível excelente. Portugal esteve presente por intermédio de HORTINY (na modalidade de Invenção) e JORGE SORIAC (na modalidade de Manipulação). Não obtiveram prémios mas não desmereceram o aval obtido para os respectivos concursos.

Nos concursos de palco fiquei especialmente bem impressionado com as prestações de TOM MULLICA (3º prémio de Magia Cómica e uma actuação similar à do concurso pode ser vista aqui), TOPAS (2º prémio de Manipulação), YUKA (3º prémio de Magia Geral), THE NAPOLEONS (3º prémio de Grandes Ilusões), TOMMY WONDER (2º prémio de Magia Geral com a rotina que pode ser vista aqui) e VIK & FABRINI (1º prémio de Magia Geral com a rotina que pode ser vista aqui).

Nos concursos de mesa destaco as prestações de JOSE CARROL (1º prémio de Cartomagia), ROBERTO GIOBBI (2º prémio de Cartomagia) e JOHN CARNEY (2º prémio Close-up) e, naturalmente, JOHNNY ACE PALMER que foi o primeiro concorrente numa modalidade de mesa (Close-up) a conquistar o GRANDE PRÉMIO FISM. A sua rotina vencedora pode ser vista aqui.

No programa social do evento estava incluída uma recepção promovida pelo Ministro da Cultura da Holanda e pelo Presidente da Câmara de Haia. Esta recepção (que incluiu bebidas e aperitivos à discrição) teve lugar num edifício público destinado a eventos culturais que anteriormente havia sido uma igreja (Grote Kerk). Não pude deixar de comentar com alguns portugueses que nós, ali numa "igreja", de copo na mão, só estávamos a dar sentido literal à expressão "correr as capelinhas". E não é que, anos mais tarde, numa outra FISM, o JODIVIL ainda se lembrava deste meu comentário!

Também nos foi proporcionada uma Festa Mágica onde ficamos distribuídos em mesas (repletas de comidas e bebidas) de duas salas diferentes, cada uma tendo uma orquestra para proporcionar música ao vivo para dançar. Mas a parte mais sui generis desta festa foi a entrada, pois, a cada congressista era oferecido um (e um só) flute com champanhe. Ora cada um deles tinha no fundo um diamante, numa evidente acção promocional dos diamantes holandeses. No entanto nos mais de dois mil flutes com champanhe servidos à entrada só havia três diamantes verdadeiros, sendo os restantes falsos. Cada congressista tinha que evitar "beber" o diamante e recolhê-lo para fazer o teste e discernir se se tratava de um diamante verdadeiro ou falso. Acontece que nessa festa apenas apareceram dois diamantes verdadeiros. Por isso a organização resolveu, durante a Gala Final, sortear um terceiro diamante entre o congressistas e o diamante veio para Portugal, pois a feliz contemplada foi a MARIA JOÃO TAVARES!

E porque 1988 me traz outras memórias além das da FISM, amanhã haverá novo post.