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sábado, 17 de setembro de 2022

2007 - ANO TRINTA E CINCO



NOTÍCIAS SÁBADO (Revista do DN e do JN)

Na edição nº 56 desta revista (referente à semana 3 a 9 de Fevereiro de 2007) foi traçado o perfil do Grande Artista HELDER GUIMARÃES.



DIZ QUE É UMA ESPÉCIE DE MAGAZINE

Este era o nome de um programa do quarteto Gato Fedorento, cuja transmissão acontecia na RTP1, ao domingo à noite, a seguir ao Telejornal. Um dos episódios transmitido em Abril teve como convidado o HELDER GUIMARÃES.



POR TERRAS DO TIO SAM

Em Abril acompanhei o Helder na sua primeira deslocação aos Estados Unidos, pois ele havia sido contratado para actuar e conferenciar no HANK LEE'S CAPE COD CONCLAVE. É, portanto, neste congresso que aparecem as primeiras notas de conferência em inglês de HELDER GUIMARÃES designadas LECTURE NOTES 2007.



Aproveitámos a mesma viagem para participar na 37th FECHTER'S FINGER FLICKING FROLIC, uma originalíssima convenção mágica de close-up em que a participação é "by invitation only", na qual ambos actuámos.



No domingo seguinte ao encerramento da FFFF CONVENTION, realizou-se, no mesmo hotel, um outro evento mágico (THE MAUNY CONVENTION) que contratou alguns dos participantes presentes na 4F CONVENTION. Neste contexto, o Helder e eu também actuámos na Gala de Palco de tal convenção. Lembro-me que, nessa mesma gala, também participaram os saudosos VANNI BOSSI e DARYL. A presença deste último "impediu-me" de apresentar (em inglês) o meu "Poema da corda amarela", pois, como referi num anterior post, a minha rotina está alicerçada na rotina publicada no desdobrável "Daryl Rope Routine" e DARYL ia apresentar essa rotina no seu programa.

Antes desta viagem aos Estados Unidos, mais concretamente entre 16 e 18 de Março, tinha participado nos Encontros Mágicos de Sintra, que se realizaram em Tomar.


OUTRAS PUBLICAÇÕES DE HELDER GUIMARÃES

Como se pode verificar em imagens acima inseridas eu dei apoio ao Helder na tradução para inglês e na ilustração das LECTURE NOTES 2007. Idêntico apoio viria a suceder para a publicação da edição em espanhol das NOTAS DE CONFERENCIA 2007 (que foram publicadas por ocasião do XXVIII Congreso Magico Nacional de Espanha realizado entre 20 e 23 de Setembro) e do livro REFLEJOS.




Durante o ano de 2007 o Helder também participou, como convidado, na JAPAN CUP 2007, evento mágico organizado pela "JCMA / Japan Close up Magicians Association". Por tal motivo as LECTURE NOTES 2007 foram traduzidas para japonês (edição limitada de 100 exemplares) e o meu nome também lá aparece, ao lado duns "simpáticos" caracteres japoneses. 






UM MAIO MÁGICO...

Em Maio estive presente, como convidado, na 23ª Convenção da Associação Portuguesa de Ilusionismo. O Helder também foi convidado, mas, por força de compromissos anteriormente assumidos, teve que limitar a sua intervenção a uma participação gravada. Foi verdadeiramente sui generis eu, no papel de apresentador da Gala de Close-up, apresentar o meu filho em videogravação.


Também foi em Maio que foi publicada a Revista da Associação Portuguesa de Ilusionismo MAGICAMENTE inteiramente dedicada a HELDER - Campeão Mundial de Cartomagia. Esta revista incluiu um artigo de minha autoria, o qual pode ser lido aqui.

E, já que vem a talho de foice, convém lembrar que o HELDER GUIMARÃES é o único mágico português que, até este momento, possui tal título. No entanto o ano de 2007 foi fértil em proporcionar a aparição de um "artistinha" que, passeando-se, em discotecas e similares, a fazer alguns floreados com cartas tentou passar a ideia de ser ele próprio o "tal português campeão mundial de magia com cartas". Como diria o saudoso Fernando Pessa: "E esta, hein?!?!?


... E UM SETEMBRO MÁGICO

Entre 20 e 23 de Setembro estive em Barcelona a assistir ao Congreso Mágico Nacional de Espanha no qual o HELDER GUIMARÃES foi convidado para actuar na Gala Internacional de Cerca e para conferenciar. Além da conferência do Helder, destaco as conferências de JUAN TAMARIZ, MIGUEL GÓMEZ, RICK MERRILL e NICHOLAS EINHORN e a entrevista ao convidado de honra PAUL POTASSY. Nas galas de cerca retenho na memória as intervenções de GABI, MIGUEL GÓMEZ, HELDER GUIMARÃES e RICK MERRILL. Nas galas de palco destaco LOSANDER, DAVID & DANIA, TIMO MARC e PAUL POTASSY.


Mas a memória mais forte desta ida a Barcelona está ligada precisamente à viagem de ida. Como o MANOLO e a Glória também iam assistir ao congresso programámos para os quatro (a Fátima também me acompanhou) uma viagem "baratinha" Ryanair. Mas (surpresa das surpresas!) quando chegamos ao balcão de check-in o MANOLO foi barrado!... E porque é que o MANOLO foi impedido de seguir viagem?... Porque nessa época o MANOLO, apesar de viver em Portugal há vários anos, ainda não tinha decidido requerer a nacionalidade portuguesa. Era, portanto, um cidadão venezuelano com autorização de residência permanente em Portugal. E ele achava que tal autorização permanente de residência servia para viajar na União Europeia, mas a Ryanair exigiu-lhe o passaporte venezuelano, o qual ele deixara caducar!

Convém aqui referir que a viagem fora programada para o dia anterior ao início do congresso, 19 de Setembro. A solução adoptada foi seguirmos a viagem programada nós os três que estávamos legais e o MANOLO iniciar a "odisseia" de viajar de comboio até Barcelona. 

E assim foi. Fizemos uma viagem calma, rumámos ao apartamento que havíamos alugado para cinco pessoas, onde já nos aguardava o RUI MORGADO que viajara a partir de Lisboa, dormimos uma noite tranquila e, no dia seguinte, frescos como alfaces, seguimos para a sede do congresso. A meio da tarde lá apareceu o MANOLO (com ar de "mais morto que vivo") carregando a sua mala e uma bela história para contar. E também decidido a requerer a nacionalidade portuguesa com a máxima brevidade! É caso para dizer: um "NÃO" da Ryanair teve mais força para o convencer a ser (também) português do que todos os argumentos que a Glória e os amigos já tinham alguma vez enunciado. E é claro que, no final do congresso o MANOLO teve que repetir a "odisseia" em sentido inverso!

Regressado de Barcelona estive, no fim-de-semana seguinte, no MAGICVALONGO... e como convidado! LOL... Foi uma piadinha... Na realidade estive como acompanhante de um convidado, o HELDER GUIMARÃES, que actuou e conferenciou. 

Algumas das vezes em que estive presente no MAGICVALONGO, este evento conseguiu surpreender-me... Aconteceu, por exemplo, quando na mesa de honra da abertura oficial houve lugar para dirigentes de sociedades mágicas espanholas e foram "ostensivamente esquecidos" os dirigentes de sociedades mágicas portuguesas... Ou quando houve um cartaz que dava relevo, com pompa e circunstância, à presença de convidados estrangeiros e nada havia de similar relativamente aos convidados portugueses...


Este ano, mais uma vez, o MAGICVALONGO conseguiu surpreender-me. Refiro-me ao cartaz que reproduzo acima... É que ainda hoje dou voltas à cabeça para tentar perceber o critério da escolhas das quatro fotografias que rodeiam a frase "O Festival com os campeões portugueses". Ainda pensei que a recente tentativa do Sporting para fazer crescer o seu pecúlio de títulos de campeão nacional de futebol me ajudasse a ter uma perspectiva do critério usado no cartaz, mas nada feito. Por isso o melhor é deixar de dar voltas à cabeça para não ficar permanentemente estonteado.


QUINTAS DE LEITURA

Em 13 de Dezembro participei neste evento para apresentação do livro ARQUIVO DE NUVENS, a convite da respectiva autora, Marta Bernardes.


NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : Participar e actuar na Convenção FFFF.
Nota de sinal + : A revista MAGICAMENTE dedicada a HELDER GUIMARÃES.
Nota de sinal + : A participação de HELDER GUIMARÃES no programa "Diz que é uma espécie de magazine".
Nota de sinal - : A minha incapacidade de perceber certos critérios.

domingo, 14 de agosto de 2022

2002 - ANO TRINTA (Parte 2)

 


EVENTOS MÁGICOS

No início de Junho participei, de novo, nos "Encuentros La Barranca". E, neste ano, além das habituais participações nos trabalhos, também actuei no "espectáculo formal" La Regala.

Em meados de Junho participei na CONVENÇÃO API (1º Festival de Magia de Oeiras), que me proporcionou assistir a duas boas conferências: RAFAEL BENATAR e JUAN MAYORAL. Além das actuações destes mesmos artistas nas respectivas galas também merece realce a actuação de VIKTOR VOIKTO.

Ultrapassada a polémica referida no post anterior, pude então assistir, no final de Setembro, ao MAGICVALONGO. As actuações de PETER MARVEY e AMOS LEVKOVITCH, em palco, e as actuações de BORIS WILD, DIDIER LADANE e CARLOS VAQUERA, em close-up, merecem o meu destaque. A par das conferências dos quatro últimos artistas citados, também a conferência de BODIE BLAKE foi muito interessante.

E, logo na semana seguinte, participei no XXV Congreso Mágico Nacional de Espanha, realizado en San Sebastián, o qual me proporcionou um excelente leque de artistas. MAX MAVEN, SYLVESTER THE JESTER, MIGUEL GÓMEZ, AURELIO PAVIATO, GREAT TOMSONI (uma actuação pode ser vista aqui), JUAN TAMARIZ, JEROME MURAT (uma actuação pode ser vista aqui) e JOAQUIN AYALA merecem o meu destaque. Mas naturalmente que, para mim, a memória mais relevante deste congresso espanhol foi o facto do HELDER ter concorrido na modalidade de Cartomagia e ter obtido o 2º Prémio. Era a subida de mais um degrau, depois do 3º Prémio obtido em 2001.

Também me parece adequado registar aqui a visita que, aproveitando umas vacances (entenda-se "férias passadas em França"), fiz à MAISON DE LA MAGIE, existente em Blois, terra natal de ROBERT-HOUDIN. É uma visita que se recomenda e, para abrir o "apetite", podem visitar o respectivo website.


O PRIMEIRO FORUM PORTUGUÊS DE ILUSIONISMO

Em Agosto de 2002, fruto da carolice do jovem mágico madeirense MIGUEL DIAS, foi colocado online o primeiro fórum português dedicado à Arte Mágica no qual me inscrevi em 1 de Setembro, mantendo nele uma participação activa. Naturalmente que o timing do lançamento deste fórum levou a que viesse a ter um forte impacto na denúncia e discussão pública da recusa de certas inscrições por parte da organização do MAGICVALONGO.

E se, por um lado, a maioria dos nicknames registados no fórum eram facilmente identificáveis como membros da comunidade mágica portuguesa, por outro lado, apareceram alguns"meninos" cuja cobardia os levou a escolher nicknames que lhes permitisse manter o anonimato. Estou a lembrar-me, por exemplo, do "maraugo" e do "antivírus", cujas participações no fórum tinham, claramente, o objectivo de criar confusão.

Além das diversas colaborações escritas no fórum refiro a colaboração (em inglês) na revista HALF-BAKED nº 8, publicada em Abril. Fruto dessa colaboração o meu nome vem referido aqui. Igualmente em inglês foi a minha colaboração na secção IN THE TRENCHES (de Paul Green) publicada na revista THE MAGIC MENU (Issue 63 - Summer 2002).


"CON LA MAGIA SE LIGA"

Este foi o título que encimou a entrevista feita aos 4 DE PAU e apresentada na edição de 14 de Abril de 2002 por um jornal espanhol a propósito da respectiva participação na Trobada Internacional de Mags (Almussafes).


NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O 2º lugar do HELDER no Congreso Mágico de San Sebastián.
Nota de sinal + : A visita à MAISON DE LA MAGIE.
Nota de sinal - : As mentiras que me envolveram numa polémica.

sábado, 6 de agosto de 2022

2001 - ANO VINTE E NOVE (Parte 1)

 


ACTUAÇÕES DIVERSAS

Na segunda quinzena de Abril voltei ao mar, a bordo do Paquete Funchal, integrado no respectivo staff de animação.

Em 16 de Outubro iniciei uma temporada de actuações regulares semanais no PINGUIM CAFÉ, um bar de ambiente português, que é muito conhecido pelas suas "Noites de Poesia". Essa temporada estendeu-se até 20 de Junho de 2002.

Em 12 de Novembro participei, como convidado, numa sessão da "Onda Poética", tendo apresentado algumas rotinas mágicas acompanhadas por poemas.

Em 15 de Novembro participei, em directo, no programa televisivo "SIC 10 HORAS". Seguidamente reproduzo parte da minha intervenção em tal programa numa digitalização feita a partir de uma velhinha cassete Betamax, perdão, a partir duma moderníssima cassete VHS! (Esta foi uma private joke para o meu amigo Henrique Silva, leitor atento deste blogue)


Como já se tornara habitual, em Junho, participei na edição 2001 dos "Encuentros La Barranca".


UM SETEMBRO MUITO MÁGICO

Entre 13 e 16 de Setembro participei no XXIV Congreso Mágico Nacional de Espanha que se realizou em Granada. Dele destaco as intervenções dos convidados MICHEL, GRECO, FANTASIO, ALDO COLOMBINI e JUAN TAMARIZ. Mas o momento mais mágico deste congresso foi mesmo o facto do HELDER ter sido premiado no concurso de Cartomagia com o 3º Prémio. Depois da Mención Honorífica obtida em Málaga (1998) foi a subida de um degrau num percurso que se adivinhava promissor. 

Convém acrescentar que o HELDER, além deste 3º Prémio, também obteve 25% do 2º Prémio na mesma modalidade. Mas isso são "contas de outro rosário" que abordarei no post que será publicado amanhã.

Em 22 de Setembro participei como conferencista no 2º Simpósio de Arte Mágica (integrado nos Encontros Mágicos de Coimbra). Nele apresentei a conferência "Improvisos... e não só!", tendo publicado as respectivas notas. O meu trabalho em tal evento incluiu o papel de tradutor das restantes conferências que foram proferidas em inglês. Aliás não tenho qualquer dúvida que foi mesmo a "necessidade" de ter um tradutor para todas as outras conferências que levou o LUÍS DE MATOS a convidar-me.

Entre 26 e 30 de Setembro realizou-se V CONGRESSO PORTUGUÊS DE ILUSIONISMO (MAGICVALONGO 2001) ao qual assisti e do qual destaco as conferências de ALI BONGO, FINN JON e CAMILO VASQUEZ.  Relativamente a actuações, além dos três nomes já referidos destaco as intervenções de MAGICOPÓLIS, MASK e JORGOS. Este congresso (que relembre-se era de... Ilusionismo) teve como convidado com direito a homenagem o actor RUY DE CARVALHO. Ora como nunca se soube de nenhuma ligação desse GRANDE SENHOR do teatro português à Arte Mágica, foi fácil concluir que tal convite (e homenagem) foi um "pequeno frete" feito pela organização ao poder político local em ano de eleições.


Foi também em Setembro que a revista interna da empresa em que trabalhava (PT Comunicações) me dedicou uma página.


UTOPIA

Se calhar, nos dias de hoje, é uma utopia desejar que todos os mágicos leiam bons livros, quando a maioria só quer aprender através de DVD's (ou downloads). Em 2001 adquiri, entre outros, dois livros que permanecerão intemporais: "La Magia de Ascanio - Estúdios de Cartomagia - Sus Favoritos" e "La Magia de Ascanio - Estúdios de Cartomagia - Sus Clásicos".

UTOPIA foi também o nome do espectáculo com o qual LUÍS DE MATOS "esgotou" a lotação do Pavilhão Atlântico na noite de 19 de Outubro. Desloquei-me a Lisboa na companhia do sr. Manuel da Costa (MACOS) que, gentilmente, me havia convidado para assistir ao espectáculo. O "esgotou" está propositadamente entre aspas pois tratou-se de um esgotar muito sui generis.

De facto, à hora marcada para início do espectáculo, estaria talvez meia casa (ou menos...). Ora ninguém acredita que haja uma tão grande taxa de absentismo à hora marcada de pessoas que pagam um bilhete de preço elevado para um espectáculo e que, com o seu desleixo nas horas, se arriscam a chegar quando as portas do local do espectáculo já se encontrem fechadas.

Então a que se deve a chegada tardia de metade da lotação do Pavilhão Atlântico? Muito simples... Para que o espectáculo tivesse o ambiente desejado (casa cheia), em cima da hora, a organização andou a distribuir bilhetes (gratuitamente, é claro!) pelas pessoas que passeavam no Centro Comercial Vasco da Gama e arredores. 

sábado, 9 de julho de 2022

1997 - ANO VINTE E CINCO (Parte 1)

 


DESERTO E COMPANHIA

Nas comemoração a S. João Bosco do CIF, actuei na Gala de Close-Up e na Gala de Palco. Nesta, além de ter o papel de apresentador da mesma, encarnei uma personagem (RUIZ DE CACOS) num sketch humorístico que teve como contexto uma hipotética ligação televisiva directa aos "Estúdios da Virgem do Monte" e ao programa que o mágico RUIZ DE CACOS aí estava a gravar. Em tal programa não faltou a presença de uma figura pública convidada (LUÍS MANUEL TROUXA encarnado por MANOLO), a quem o mágico cortou a gravata. 

Tal como no final do mesmo eu referi, este sketch só foi possível ser realizado devido à existência de um mágico muito conhecido do grande público (LUÍS DE MATOS), pois, até então, este género de charge a uma figura pública, só era possível realizar mimando situações relativas a figuras pública de outras áreas artísticas.

Foi o "sucesso" desta apresentação que nos levou (a mim e ao MANOLO) a desenvolver o conceito e a criar a rotina do grupo DESERTO E COMPANHIA. Com tal rotina concorremos, em Magia de Palco, no Estorilmágico Carcais 97 e obtivemos o 3º Prémio. A opinião corrente foi de que merecíamos o 2º Prémio, mas o jovem inglês que o obteve era aluno de RON MacMILLAN, que integrava o júri.

Embora estivesse nesse evento (realizado no início de Novembro) com a preocupação de concorrer em palco (com uma rotina que envolvia a coordenação de oito pessoas), ainda consegui desfrutar de bons momentos como espectador com as actuações, em palco, de PETER MARVEY, JUNGE JUNGE, DANI LARY e LUÍS BOYANO. Na Gala de Close-up, em que também actuou o HELDER, destaco as intervenções de EUGENE BURGER e JUAN TAMARIZ. As conferências foram todas interessantes, mas DARWIN ORTIZ deixou-me com um sabor agridoce, pois nem sempre conseguiu pôr em boa prática as excelentes noções teóricas que transmitiu.



O MÁGICO, ENCONTROS DE SINTRA e "BRAVO, BRAVÍSSIMO"

Em Março deste ano terminou a minha colaboração regular na revista "O Mágico". Tal ficou a dever-se à demissão do respectivo Conselho Editorial, conforme expressei no artigo "Em jeito de despedida". Os mágicos portugueses que possuem (ou que leram) a colecção completa de tal revista podem achar estranho que, tendo eu sido colaborador da mesma, nunca tenha havido a inclusão, na revista, de um "DOSSIER JOMAGUY". Tal aconteceu por minha expressa vontade, pois declinei o convite que, para tal, me foi enviado pelo MAIK MAGIC através de carta datada de 13 de Novembro de 1997.

Entre 4 e 6 de Abril, participei nos Encontros Mágicos de Sintra, no qual o tema Wild Card foi rei e senhor. Isso e a polivalência de "um gajo que eu cá sei" a reorganizar mesas em restaurantes. Após o regresso a casa tomei conhecimento de uma coincidência pouco feliz. O último dia dos Encontros de Sintra deste ano também tinha sido o último dia de vida de ARTURO DE ASCANIO, que havia falecido na sua casa de Madrid com cartas de jogar na mão, enquanto demonstrava, a amigos, algunos de sus juegos. Sobre este assunto escrevi um artigo na revista MAGIA (CIF) de Março/Abril 1997, o qual está reproduzido aqui.

Também foi em Abril que HELDER participou no programa televisivo "Bravo, Bravíssimo".


CONVENÇÃO API - 97

Decorreu entre 18 e 20  de Abril e nela destaco, nas galas, as prestações de JAY SCOTT BERRY, VLADIMIR DANILIN, CLEMENS VALENTINO e PIERRE EDERNAC. A conferência de JAY SCOTT BERRY, sendo muito interessante em si mesma, teve o senão de ser, praticamente, a repetição da conferência que, dois meses antes, apresentara no CIF. Por seu turno a conferência de PIERRE EDERNAC pareceu-me desorganizada. Há, no entanto, que destacar a conferência de TONY KLAUF que complementou a a exposição existente e apresentou a monografia "Bibliografia Portuguesa de Ilusionismo até ao séc. XIX".



O TRUQUE DO CARRO CORTADO AO MEIO

Foi em Junho que RICARDO PEREIRA realizou com sucesso o grande truque da sua vida: escapar incólume de um acidente de viação que mereceu destaque na capa da edição do JN de 15 de Junho de 1997.


MAGICVALONGO

Neste evento, destaco as conferências de PEDRO LACERDA, CAMILO VASQUEZ e MARKO. Aliás MARKO foi uma excelente surpresa enquanto actuante, pois, apresentando truques clássicos bastante conhecidos conseguiu dar aquela volta que os tornou "novidades" muito interessantes. Também relembro a actuação de ZONGO (um mágico espanhol da "velha guarda") e as suas "bandas afegãs".

Amanhã haverá novo post, no qual lembrarei a FISM de Dresden e não só.


O "VEDETISMO" DE UM ARTISTA VERSUS A "SIMPLICIDADE" DE OUTRO

Sob o título "ILUSÕES, MAIS TARDE" foram integradas no PO.N.T.I. (Porto Natal Teatro Internacional) quatro espectáculos mágicos, com artistas estrangeiros que foram "trazidos" até ao Porto por LUÍS DE MATOS. Lembro-me concretamente da presença de DAVID WILLIAMSON no espectáculo que decorreu, em 13 de Dezembro, no Café Concerto do Teatro Rivoli. No final do mesmo, DAVID WILLIAMSON foi até à mesa onde eu estava com o MANOLO e o HELDER e estivemos a conversar durante um bom bocado. Ora, como os bastidores do Café Concerto do Teatro Rivoli não tinham saída directa para o exterior, o LUÍS DE MATOS ficou retido, durante todo esse tempo, no backstage por, nitidamente, não querer juntar-se à "plebe mágica portuguesa" presente. Foi hilariante!


sábado, 16 de abril de 2022

1985 - ANO TREZE (Parte 1)

 


A FISM... AQUI TÃO PERTO!

O ano de 1985 propiciou-me uma FISM em Madrid, que, na época, pensei ser a mais próxima de casa a que, alguma vez, teria possibilidade de assistir, pois estava a léguas de imaginar que ainda iria poder assistir a uma FISM no nosso país. Naturalmente que a proximidade do local da FISM relativamente a Portugal, permitiu que o contingente português fosse mais numeroso do que o habitual.

Nas galas de palco tive oportunidade de assistir a excelentes actuações de FINN JON, THE PENDRAGONS, VITO LUPO, GAETAN BLOOM, ARSÈNE LUPIN, PETRICK AND MIA, MARK METRAL (excelente ventríloquo), JEFF McBRIDE e OTTO WESSELY. Para quem não conhece o género de magia praticado por OTTO WESSELY aqui deixo um exemplo:

Para a sua entrada em palco OTTO WESSELY gizou um excelente gag, o qual só é possível ser criado num grande congresso mágico como a FISM. Ao ser anunciado o seu nome, entraram em palco dois mágicos  (RICHARD ROSS e LANCE BURTON) que já haviam obtido o Grande Prémio FISM estendendo uma passadeira de pétalas de rosa para a entrada do "Artista". E quando toda a gente ria a bom rir, pensando que o gag era só isto, eis que entrou DAI VERNON a prestar idêntica homenagem ao "Artista". Para mágicos foi um momento único e inesquecível.

Para mim também foi "inesquecível" a actuação de BOB BROWN AND BRENDA. Desta vez não apresentaram a excelente levitação que já havia apreciado numa anterior FISM, mas sim uma sequência de truques clássicos sem ponta de originalidade, levando-me a pensar que, se aquele acto fosse apresentado em concurso, provavelmente seria classificado como "below FISM level". Também me ficou na memória, por maus motivos, a actuação de FLIP, artista que já apreciara na FISM de Paris. Só que, desta vez, FLIP esteve lento e sem ritmo, o que redundou numa intervenção que merece o qualificativo de... "muito chata".

A Gala de Close-up  deu uma imagem da força daquele género de Magia em Espanha ao apresentar ARTURO DE ASCANIO, JUAN TAMARIZ, CAMILO VASQUEZ e PEPE CARROL. Irrepetível.

As conferências de MAX MAVEN, MAGIC CHRISTIAN, MICHAEL AMMAR,  PETRICK AND MIA e TOMMY WONDER foram aquelas em que mais ensinamentos novos consegui colher. As notas de conferência de TOMMY WONDER foram um verdadeiro hino à forma de orientar os mágicos no caminho certo. Apesar de ter apresentado e explicado algumas das suas criações mágicas, TOMMY WONDER quis deixar a mensagem sobre a necessidade de ler (bons) livros. Por isso as notas de conferência eram uma simples folha de papel vermelho em que referia os livros onde aprendera tudo o que sabia. Essa simples folha vermelha custava  1500 pesetas e quem a adquirisse teria direito à oferta de um pequeno opúsculo, onde estavam explicados todos os truques que havia demonstrado.

Relativamente aos concorrentes de palco, fiquei muito bem impressionado com as actuações de MAHKA TENDO, DAVIDO, SELIM, SCOTT CERVINE (que, na altura, me pareceu merecer mais do que o 3º lugar em Magia Geral que lhe foi outorgado) e JAVIER AND ANA (que obtiveram o Grande Prémio e cuja rotina pode ser apreciada mais abaixo). Em palco também pude apreciar a actuação de um português: SERIP. Nos concursos de mesa saliento as intervenções de FERNANDO KEOPS, MICHAEL WEBER, JOHN CORNELIUS e PAUL GERTNER.

Quem consultar o programa desta FISM, verá que o meu nome consta na lista de concorrentes na disciplina de Cartomagia. Na realidade, inscrevi-me para participar em tal concurso, mas uma arreliadora lesão num dedo da mão direita criou atrasos na preparação e treino da rotina que estava a preparar. Por tal motivo comuniquei à organização a minha desistência do concurso, mas, pelos vistos, tal comunicação não foi suficientemente atempada.

Claro que uma FISM realizada em Espanha teria que incluir, no seu programa social, uma tourada... E incluiu! Não foi propriamente uma tourada, mas sim uma garraiada onde alguns espontâneos puderam dar asas ao seu espírito corajoso e enfrentar os novilhos para gáudio dos restantes congressistas presentes nas bancadas. Depois da garraiada seguiu-se uma visita a Aranjuez. Mais tarde voltou-se à Praça de Touros, agora transformada em "Salão de Banquete", para um agradável jantar complementado com o indispensável show de flamenco.

E como há mais memórias deste ano, amanhã haverá novo post.


sábado, 9 de abril de 2022

1984 - ANO DOZE

 

A MAGIA NA RTP . . .

Em 8 de Março de 1984 foi, finalmente, exibido na RTP 2 o episódio do programa "Nocturno" que incluía a minha participação como convidado. E sublinho "finalmente" pois o mesmo havia sido gravado, nos estúdios da RTP do Monte da Virgem em 18 de Agosto de 1983. Esse programa, além da actuação propriamente dita, também incluiu uma breve entrevista feita no camarim. Aqui está uma parte dela, com a qualidade possível, pois originalmente a gravação foi efectuada num gravador Betamax.

E aqui está a actuação feita nesse mesmo programa.

Na programação da RTP das tardes de domingo existia o programa de entretenimento chamado "A Festa Continua" que era apresentado por Júlio Isidro. Era normal esse programa escolher, em cada semana, um tema diferente para moldar o guião do programa e escolher o respectivos convidados. Por isso, quanto foi anunciado que o programa "A Festa Continua" do dia 15 de Abril seria dedicado ao Ilusionismo, fiquei entusiasmado com a perspectiva de assistir a exibições de bons mágicos. Infelizmente tal não aconteceu e o programa foi uma autêntica "palhaçada" (no mau sentido).

Nessa altura um grupo de ilusionistas (Eng. António Cândido, JOFERK, UL-DE-KAR, ZÉPI, JOMAGUY e FERKAR) havia formado um "Círculo Mágico" com o intuito de desenvolver trabalho de pesquisa na área da Magia de Close-up. Éramos todos sócios do CIF, mas o funcionamento do "Círculo Mágico" não se integrava na programação das actividades do CIF. Perante a abordagem que havia sido dada à nossa Arte, o "Círculo Mágico" escreveu a Júlio Isidro uma carta a repudiar a mesma. 

Dessa carta foi dado conhecimento ao Conselho de Gerência da RTP, às entidades mágicas portuguesas e a diversos orgãos de comunicação social e nela se escreveu o seguinte:

"De facto, o senhor, no seu programa, serviu-se do Ilusionismo sem, minimamente, ter servido o Ilusionismo e uma Arte não deve ser vilipendiada de tal forma. Não! Não se trata de falta de humor da nossa parte, pois até encaramos como lógicas as brincadeiras que, sobre o Ilusionismo, decidiu apresentar; mas, simplesmente, entendemos que, a par dessas brincadeiras, deveria privilegiar a apresentação de Ilusionismo (do autêntico) em prejuízo, por exemplo, da Música, o que seria, naturalmente, um benefício para o contexto do programa. Mas nem uma só apresentação de um ilusionista houve!... E porquê? Naturalmente, só o senhor o saberá... Mas o seu arrojo foi mais longe, utilizando aparelhos de Ilusionismo "para fazer uns truques", revelando, por vezes, devido à sua falta de preparação (perfeitamente adequada a um espectáculo inter-sócios de uma colectividade da província), a forma de os executar.
Por tudo o que atrás expomos, queremos manifestar-lhe o nosso mais profundo repúdio, como ilusionistas e como portugueses espectadores de televisão dos anos 80.
O resultado de formas de agir como a sua (enquanto responsável de “A Festa Continua") é traduzido pelo facto do Ilusionismo, ainda hoje, ser considerado como "arte menor", em Portugal, enquanto, em muitos outros países, já atingiu a maioridade."
(sic)


Nós não fomos os únicos a levantar a voz contra tal "palhaçada". O mesmo fez JÓNIO na sua colaboração nas páginas da folha informativa de "HORTINY MÃOS MÁGICAS ESTÚDIO". Seguidamente apresento, com a devida vénia, a reprodução de tal escrito.


Felizmente a RTP viria, ainda em 1984, a dar um tratamento bem diferente à Arte Mágica pela mão de Carlos Cruz no concurso "Um, Dois, Três" transmitido em 20 de Novembro. Aí tivemos a oportunidade de ver as mais diversificadas actuações de mágicos portugueses (JODIVIL E MARGOT, SERAVAT, DIOGO, MARIA JOÃO TAVARES, FRED ALAN e PAULO VILHENA) e uma paródia ao Ilusionismo feita com mestria pelo saudoso actor Carlos Miguel "Fininho". Claro que o facto da produção do programa ter tido, como assessor, um mágico profundamente conhecedor (JODIVIL) muito ajudou a não cair na tentação de apresentar uma "palhaçada" similar à de "A Festa Continua". Pena foi que a demora nas gravações "provocasse" num dos números a necessidade, na edição, de abusar na inclusão de imagens do público.

Aqui se relembra a intervenção do "Fininho".


. . .  E O RESTO

O MagicPorto CIF 84 permitiu-me voltar a apreciar uma conferência de CAMILO VASQUEZ. É curioso verificar que há mágicos cujas conferências sempre nos proporcionam novos ensinamentos, mesmo quando a elas já havíamos assistido anteriormente. CAMILO VASQUEZ é um deles. Também estive presente na Convenção API  que se revelou uma excelente jornada de convívio com boa Magia.

Em termos de novas aprendizagens também quero referir os livrinhos "Los Cinco Puntos Mágicos" (de JUAN TAMARIZ) e "Psicologia del Empalme" (de ARTURO DE ASCANIO), os quais, sendo "livrinhos" no que se refere à respectiva envergadura física, poderão ser considerados "grandes tratados" sobre as matérias que abordam.


Neste ano continuei a diversificar os locais das minhas actuações, procurando, sempre que possível,  divulgar a Magia de Close-up com intervenções de tal género mágico, como foi o caso da "Discoteca Pub Gatsby". E claro, quando se tem um nome artístico do género "JOMAGUY", corre-se sempre o risco de o ver escrito das maneiras mais variadas.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A série de programas "Nocturno" (RTP 2) e o "Concurso Um, Dois, Três" (RTP 1) que proporcionaram aos telespectadores diversas actuações de mágicos.
Nota de sinal - : O programa "A Festa Continua" dedicado ao Ilusionismo.

sábado, 12 de março de 2022

1980 - ANO OITO


JORNADAS MÁGICAS CIDADE DE LISBOA

Este foi o evento mágico que marcou o ano de 1980 em Portugal. Como o próprio nome indica realizou-se em Lisboa, mas teve uma participação artística alargada, juntando intervenientes do norte e do sul do país, como se pode ver pela lista dos artistas convidados. Foi uma excelente jornada de propaganda do Ilusionismo junto do público alfacinha, na qual também participei actuando numa das galas.

Também participou no elenco o meu amigo (e mestre) JOFERK. Tendo, há algum tempo, começado a trabalhar com a ajuda da sua esposa Cristina, ainda não se tinha decidido por um nome artístico para a dupla. Por isso, no programa deste evento, constava JOFERK AND KATIE, que, tanto quanto me lembro, foi um nome pouco duradouro.

Também registo, neste evento, a participação especial de JUAN TAMARIZ, que proporcionou mais uma imperdível conferência. Já agora, aproveito para referir que foi também este ano que, por gentileza do JODIVIL, tomei contacto com a publicação "Método Simbólico" da autoria de JUAN TAMARIZ. É uma daquelas "ideias loucas" do mestre espanhol que, a meu ver, não teve a divulgação e adesão que merecia. Em breves palavras pode descrever-se sucintamente a mesma como sendo "uma estenografia para descrever truques com cartas". E que jeito dava adoptar tal método para tomar apontamentos numa conferência de cartomagia.



MICHAEL'S AT MONTECHORO

Antes deste evento eu tinha cumprido o meu primeiro contrato com o MICHAEL'S AT MONTECHORO. Esta casa era um restaurante existente nos arredores de Albufeira, que primava, na época, por apresentar espectáculos que rivalizavam, em qualidade e glamour, com os espectáculos dos Casinos do Algarve. Virado, maioritariamente, para os turistas estrangeiros atraídos pelo clima algarvio, não descurava os clientes portugueses (que, de certa maneira, lhe garantiam poder estar aberto o ano inteiro), apresentando a sua publicidade em inglês e português.


NADA NA MANGA... E MAGIGRAM

Como referi num post anterior havia efectuado em 16 de Novembro de 1979 a minha primeira gravação televisiva. O episódio do programa NADA NA MANGA em que actuei foi emitido em 17 de Fevereiro deste ano, ou seja, decorreram três meses entre a gravação e a emissão. Infelizmente, demorou um pouco mais o pagamento do cachet, pois só viria a recebê-lo cinco meses após a emissão do programa (Julho). Anos mais tarde, ao verificar os tempos que, normalmente, mediavam entre a prestação de um serviço a uma entidade estatal e o recebimento dos respectivos honorários, viria a reavaliar tal demora como perfeitamente aceitável...

Foi também, em 1980, que foi publicada a minha primeira colaboração numa revista mágica estrangeira. Tratou-se do meu efeito "Jumping Joker Surprise", o qual mereceu ser incluído na rubrica GANSON'S "TEACH-IN" da responsabilidade do reconhecido LEWIS GANSON. E mais do que o facto da minha colaboração ter merecido a publicação em tal rubrica, o que me deixou mais "babado" foram as palavras elogiosas de GANSON a propósito da mesma.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A publicação de um original meu na revista MAGIGRAM.
Nota de sinal - : A demora de pagamento do cachet da minha participação no NADA NA MANGA.

domingo, 20 de fevereiro de 2022

1977 - ANO CINCO (Parte 2)


FESTIVAL DA FIGUEIRA, ESCORIAL E CONVENÇÃO API

Entre 9 e 12 de Junho decorreu mais um Festival Mágico da Figueira, no qual estive presente, apenas como espectador. Recordo as  excelentes  conferências de ALDO COLOMBINI (ainda usando o nome FABIAN), RODEN e CAMPS. Foi nesta última que tomei contacto, pela primeira vez, com uma rotina de "Peixe cortado e recomposto", que iria servir de base de trabalho para construir aquela que é a minha rotina. Um dos complementos culturais desta edição do Festival Mágico da Figueira foi uma exposição de 42 quadros de um artista local (Zé Carlos), glosando 42 truques, mais ou menos icónicos, que são apresentados pelos ilusionistas. 

O grande açambarcador de prémios do Festival foi JOFERK, que, entre outros mais, obteve quatro primeiros prémios (Magia Geral, Magia Cómica, Micromagia e Grandes Ilusões), mostrando, uma vez mais, que era um artista eclético. Também é de referir JODIVIL & MARGOT que obtiveram o Grande Prémio do Festival. Durante este recebemos a notícia da morte de Eduardo Relvas "SAVLER", que era referido, carinhosamente, dentro da comunidade mágica portuguesa, como "Pai Relvas".

Eu, tendo passado o Festival num dolce far niente, voltaria, dias mais tarde, à Figueira da Foz, para trabalhar, cumprindo um contrato com o Casino da Figueira. Para tal tive que fazer "alguma ginástica" relativamente às aulas em que deveria estar presente. Como a última noite de trabalho foi num domingo e, na manhã de segunda feira eu tinha uma aula importante às 10h30 projectei o meu regresso para bem cedinho nesse dia. Faltaria conscientemente às aulas das 8h30 e 9h30, mas estaria presente nessa "aula imprescindível" das 10h30. Assim quando, por volta das 2h00 da madrugada subi para o quarto no hotel onde estava hospedado (Albergaria Nicola, mesmo em frente ao Casino), pedi para ser despertado às 6h30. Portanto quando acordei e vi as horas, soltei uma imprecação de raiva contra o recepcionista pois já passava das 10h00. Nada havia a fazer. Já só poderia assistir às aulas da tarde. Claro que, ao fazer o check-out, fiz o reparo relativamente ao facto de não ter sido despertado na hora prevista. E fui surpreendido com a resposta do recepcionista. Tinha-me telefonado às 6h30, eu atendera e agradecera o aviso. Por isso até estranhara eu não tivesse descido após meia hora, mas pensou que, provavelmente, o pedido de despertar era fruto da necessidade de tomar alguma medicação à hora marcada. Não tive dúvidas que a resposta fora sincera, mas eu não me lembrava de ter atendido o telefone. Faltei à "aula imprescindível" mas aprendi uma lição. A partir desse dia sempre que, estando hospedado num hotel, tive necessidade de ser despertado a horas muito matutinas, optei por afastar o telefone para bem longe da cama, para me obrigar a sair do leito quanto tivesse necessidade de o atender.

Entre 28 e 30 de Outubro participei nas Jornadas Mágicas do Escorial. Fi-lo na companhia de JOFERK, MAURY e IVO (Fred Alan). Este encontro mágico tem uma componente muito pessoal do respectivo organizador (JUAN TAMARIZ) que, na época, juntamente com ASCANIO, era o "motor" da Escuela Magica de Madrid. Foram dias intensos essencialmente preenchidos por Cartomagia. Para descontrair tivemos a visitas dos amigos NICHOLS & HONEY, aproveitando para conviver durante um almoço num restaurante das redondezas.

Ainda hoje recordo a maestria que GABRIEL MORENO e LUÍS GARCIA demonstraram ao abordar o tema Second Deal. Pareciam extra-terrestres... Para além dos apontamentos fornecidos relativamente a cada um dos temas tratados, foi neste evento que adquiri o primeiro volume de LA MAGIA DE ASCANIO ("edición canutillo" da Escuela Magica de Madrid), que tanto me ajudou a começar a entender os conceitos teóricos do mestre ASCANIO.

O ano de 1977 proporcionou-me, ainda, a participação em mais um evento mágico: a Convenção API que decorreu nos dias 26 e 27 de Novembro. Entre as três conferências do evento ficou-me na memória a de CAMILO VASQUEZ, o Campeão Mundial FISM 1973 de Micromagia e, também ele, um elemento destacado da Escuela Magica de Madrid. Dado o facto de já ter terminado o curso, mas ainda não ter emprego, aproveitei esta convenção para "ganhar uns cobres", tendo a minha primeira experiência como Magic Dealer. Para tal fabriquei  o material para três truques que criara a partir de outros já existentes. Eis a reprodução dos envelopes de dois deles.


NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O projecto SKORPIUS
Nota de sinal + : A presença nas Jornadas Mágicas do Escorial.
Nota de sinal - : O falecimento do "Pai Relvas".

POST SCRIPTUM

Em 11 de Março de 2023 descobri, nos Arquivos da RTP, a gravação de um programa com uma reportagem circunstanciada sobre a Convenção API acima referida. Tal programa está referido neste post.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

1975 - ANO TRÊS (Parte 1)

 


3º FESTIVAL MÁGICO DA FIGUEIRA DA FOZ... E NÃO SÓ

Depois do intervalo de 7 anos que existiu entre os dois primeiros festivais da Figueira da Foz, era consensual que, em Portugal, a Magia necessitava do contributo de um festival que se realizasse com uma certa periodicidade, sendo, na altura, considerado que o intervalo de dois anos era o tempo adequado para permitir, aos ilusionistas que pretendessem concorrer, fazer a alteração e o melhoramento das respectivas rotinas ou mesmo criar novas rotinas de raíz.

Por isso, em 1975, surgiu a 3ª edição do Festival Mágico da Figueira, com uma Comissão Organizadora encabeçada por Fausto Caniceiro da Costa e integrada por SAIUR (Delegado do Sul) e JOFERK (Delegado do Norte). Por ocasião deste festival, o Clube Ilusionista Fenianos do Porto decidiu publicar um número especial da revista MAGIA como saudação ao seu promotor (Fausto Caniceiro da Costa) e aos confrades presentes oriundos de outros locais de Portugal. Nessa revista colaborei com o meu primeiro texto original de ilusionismo (Um "gag" cartomágico) e uma tradução (Manifesto do "Comité da Defesa do Ilusionismo" que havia sido distribuído em 1973 na FISM de Paris).

Um dos convidados deste festival foi JUAN TAMARIZ e, novamente, me pude deliciar com tão criativo intérprete da nossa Arte. Uma iniciativa louvável da organização foi a publicação (com distribuição aos participantes) do livrinho "Os Ilusionistas e a sua Ética" da autoria de JÓNIO. E como seria importante que os jovens mágicos dos nossos dias lessem com atenção tal livrinho.

Nesta edição do festival apresentei-me a concurso nas disciplinas de Manipulação e Cartomagia. A minha prestação foi, naturalmente, bem diferente da que tivera dois anos antes, o que veio a reflectir-se nos dois prémios conquistados: 1º lugar em Manipulação e 2º lugar em Cartomagia. E quem venceu a categoria de Cartomagia foi precisamente o primeiro mágico a mostrar-me (em 1972) o que era BOA cartomagia: JOFERK. Por isso, para mim, o 2º lugar valeu como um primeiro.



Em virtude de ter vencido na categoria de Manipulação, integrei o espectáculo de gala do dia 9 de Junho.

E, pela mesma razão, viria a ser, mais tarde, contratado para actuar no Grande Casino Peninsular.


Entretanto, o Casino de Espinho decidiu, nos inícios do mês de Agosto, organizar um festival de ilusionismo. Foi o 1º FESTIVAL MÁGICO DA COSTA VERDE, o qual não teve continuidade em anos futuros como, inicialmente, tinha sido alvitrado. Neste festival todos os 18 concorrentes foram classificados no âmbito da modalidade Magia Geral e eu obtive o 3º lugar. Viria a ser contratado para integrar o show do Grande Casino de Espinho durante a primeira quinzena do mês de Dezembro.

O ano de 1975 é fértil em memórias. Por isso haverá mais dois posts sobre o mesmo. O próximo é já amanhã.