Mostrar mensagens com a etiqueta John Calvert. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta John Calvert. Mostrar todas as mensagens

sábado, 29 de outubro de 2022

2013 - ANO QUARENTA E UM

 


NOTHING TO HIDE EM NOVA IORQUE

Face ao sucesso do espectáculo NOTHING TO HIDE em Los Angeles era mais do que expectável que o mesmo viesse a ter uma temporada em Nova Iorque. Foi isso que aconteceu, o que me levou a realizar uma deslocação à "cidade que nunca dorme" para, mais uma vez, poder apreciar tão excelente espectáculo mágico. Também a imprensa em Portugal fez eco das críticas elogiosas a tal espectáculo.

Naturalmente que o êxito de NOTHING TO HIDE não passou despercebido no âmbito da comunidade mágica. Por isso mesmo a revista MAGIC dedicou a capa da sua edição de Julho à dupla HELDER & DEREK, protagonistas de NOTHING TO HIDE.



LUÍS DE MATOS, CANDIDATO A ASTRONAUTA


Em Fevereiro fui surpreendido com a notícia que LUÍS DE MATOS se tinha candidatado a astronauta. Disso mesmo dava conta o próprio numa publicação no Facebook, que aqui se reproduz. Tanto quanto é do meu conhecimento, tal objectivo não chegou a concretizar-se, embora, na minha opinião, por vezes LUÍS DE MATOS parece "andar nas nuvens" relativamente à realidade da magia em Portugal.



HELDER GUIMARÃES EM FRANCÊS E... JAPONÊS!

Em 2013 foi publicada a versão francesa do livro REFLECTIONS de HELDER GUIMARÃES e, naturalmente, o título foi RÉFLEXIONS. 

Também os mágicos japoneses puderam ter um acesso alargado à magia de HELDER GUIMARÃES pois os seus dois DVD também foram editados em japonês.


LA BARRANCA e JOHN CALVERT

Em Junho participei, uma vez mais, nos ENCUENTROS DE LA BARRANCA.

Em 27 de Setembro faleceu, com 102 anos, JOHN CALVERT , em cujo espectáculo participei, conforme consta dum anterior post deste blogue. O respectivo obituário, publicado pelo Los Angeles Times, pode ser lido aqui.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O excelente espectáculo NOTHING TO HIDE em NY.
Nota de sinal + : A divulgação da magia de HELDER GUIMARÃES em francês e japonês.
Nota de sinal - : O falecimento de JOHN CALVERT.


sábado, 8 de outubro de 2022

2010 - ANO TRINTA E OITO

 


BLOGUE "VOZES DE BURRO NÃO CHEGAM AO CÉU"...

Este ano começou com novos "ataques" à minha pessoa por CARDINAL, divulgados no seu espaço semanal "Entrada Livre" (publicado no fórum ARTE DA ILUSÃO), os quais aconteceram em três semanas consecutivas, entre 28 de Janeiro e 11 de Fevereiro.

Era desaforo a mais para deixar sem resposta. Mas, como não achei adequado aproveitar o fórum ILUSORIUM para dar uma resposta circunstanciada a tais "ataques", decidi criar, em 27 de Fevereiro,  um blogue para o fazer. Baptizei esse blogue com o título VOZES DE BURRO NÃO CHEGAM AO CÉU

Entretanto, em 26 de Maio, ao tentar aceder ao fórum ARTE DA ILUSÃO, verifiquei que o mesmo se encontrava inoperativo. Tal situação implicava que os leitores do meu blogue VOZES DE BURRO NÃO CHEGAM AO CÉU não tinham maneira de confirmar que as citações dos escritos de CARDINAL que eu aí fazia eram totalmente fidedignas. Para obviar tal situação publiquei um outro blogue (LIVRE ENTRADA) onde reproduzi as imagens das publicações feitas por CARDINAL no fórum ARTE DA ILUSÃO.


 ... E BLOGUE ILUSORIUM

Em Maio o fórum ILUSORIUM entrou num processo de mudança de servidor.  Para suprir o hiato entre o desligar do servidor antigo e o ligar no novo servidor, criamos um blogue com o mesmo nome (ILUSORIUM).

Este mesmo blogue viria a ter utilidade dois anos mais tarde quando o fórum ILUSORIUM foi atacado por piratas informáticos.



NOITE DO PROFESSOR E OUTRAS ACTUAÇÕES

A convite do Prof. Jorge Nuno Silva actuei no evento NOITE DO PROFESSOR 2010, com um espectáculo que uniu Matemática e Magia.

Outras actuações que recordo foram as temporadas com intervenções regulares semanais no TATAMI LOUNGE (Matosinhos) e no BEER & BEER (Espinho).


Também recordo uma actuação especial, devido ao local onde se realizou: uma tenda de circo! Foi a minha primeira (e única) actuação em tal tipo de enquadramento e aconteceu, a convite de VICTOR VALENTE, num evento de circo organizado pela associação cultural AlbergAR-TE.

Por último recordo uma das primeiras actuações deste ano. Tratou-se de uma actuação distinta, pois foi uma palestra, em que a execução/apresentação de alguns efeitos mágico serviu para ilustrar algumas das ideias transmitidas na palestra.



EVENTOS MÁGICOS

Como habitualmente participei no ENCUENTRO LA BARRANCA.

Também assisti ao Congreso Mágico Nacional de España que teve lugar na Corunha. HELDER GUIMARÃES esteve neste congresso como convidado. Este congresso permitiu-me rever JOHN CALVERT, que aí esteve como convidado e que, apesar dos seus 99 anos, ainda foi capaz de "fazer uma perninha". 

Na Gala de Close-up relembro (além do HELDER GUIMARÃES, é claro) as actuações de PIT HARTLING, CAMILO VASQUEZ e MAGO MIGUE. Quanto a conferências destaco a conferência histórica de BILL KALUSH e a conversa, repleta de memórias, entre JUAN TAMARIZ e JOHN CALVERT. Nas galas de palco destaco as intervenções de LUÍS BOYANO, SOMA, NORBERT FERRÉ, JUAN MAYORAL e BARRY & STUART.

Este congresso incluiu, na sua programação, algumas actividades insólitas como, por exemplo, uma "Gala Clandestina", sobre a qual o programa não indicava local, nem hora, nem elenco. Estas informações teriam que ser descobertas pelos congressistas através de pistas indicadas no programa do congresso.


HELDER GUIMARÃES NO MEMORIAL ASCANIO... 

Não estive presente neste evento, para o qual o HELDER fora contratado. No entanto o "eco" da sua prestação chegou-me, no dia seguinte, numa mensagem (via Facebook) dum amigo (ARMANDO GÓMEZ), a qual acima reproduzi.

Esta é a imagem das notas da conferência que o HELDER GUIMARÃES aí proferiu.


... E NÃO SÓ

HELDER também foi convidado (para Talk e Conference) do evento ESSENTIAL MAGIC CONFERENCE , ao qual assisti. E também foi durante 2010 que HELDER GUIMARÃES publicou RED MIRROR, o seu segundo DVD.


NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O percurso sólido de HELDER GUIMARÃES.
Nota de sinal + : A programação inovadora do congresso da Corunha.
Nota de sinal - : Os escritos provocatórios de CARDINAL.

domingo, 26 de junho de 2022

1995 - ANO VINTE E TRÊS (Parte 2)

 

ACTUAÇÕES, ETC.

Uma das minhas actuações que relembro, como se fosse hoje, foi a que integrou o espectáculo MAGIA NA PRAÇA, que o CIF promoveu num palco instalado em plena Praça General Humberto Delgado, mesmo em frente à Câmara Municipal do Porto. E relembro porque foi a primeira vez que apresentei o programa que designei "Rotina do escocês". Ora, a certa altura da rotina, o técnico de som tinha que substituir uma cassete por outra, mas não respeitou o combinado. De repente, estava eu nas minhas evoluções na periferia do palco e, sempre que passava perto dos bastidores, gritava para dentro:"Mudem a cassete". Por fim, lá consegui ser ouvido e pude arrancar para o final da rotina.

Neste espectáculo MAGIA NA PRAÇA (que foi fruto do espirito empreendedor de JOFERK) também actuou o grupo SKORPIUS, que apresentou um número diferente daquele com que se tinha estreado. Desta vez apresentámos uma CABINE ESPÍRITA, do género daquela com a qual trabalháramos eu e o UL-DE-KAR, 20 anos antes, no espectáculo de JOHN CALVERT. No entanto, em termos técnicos, optámos por uma solução bastante diferente.

Mais uma vez, passei parte das férias embarcado no navio FUNCHAL como parte do respectivo staff de animação.

Em Outubro a revista TV7DIAS incluiu um pequeno dossier sobre Ilusionismo e eu fui um dos entrevistados para tal. Convenhamos que o título "Um pioneiro da TV" é exagerado, pois pioneiros da TV em Portugal terão sido SIR BLACK e CONDE D'AGUILAR que, pelo que sei, foram os ilusionistas que aparecerem nas primeiras emissões da RTP. 

No entanto aquele "pioneiro" pode ser entendido como relativo à apresentação de uma rotina de "Magia de Close-up" num programa prime time da TV em Portugal, pois, tanto quanto é do meu conhecimento, a minha intervenção no programa "O Foguete" (do qual foi obtida a fotografia que documenta a breve entrevista) terá tido essa dose de "pioneirismo".

Em Dezembro iniciou-se a publicação de O MÁGICO. Esta revista correspondeu a uma nova vida do projecto "REVISTA DO CMP", tendo MAIK MAGIC colocado à frente da nova publicação um Conselho Editorial constituído por Dr. Jorge Teixeira e SAIUR. Com a garantia de qualidade da revista que esta "dupla" dava não tive qualquer rebuço em aceitar o convite para colaborar. E assim passei a ser o responsável pela secção "Temas de Close-up" cujo cabeçalho reproduzi acima.

Na FOLHA MÁGICA do CIF de Dezembro foi anunciada a atribuição de três galardões "Mágico do Ano", tendo eu sido contemplado com o prémio na área de Close-up.

Também foi em Dezembro que LUÍS DE MATOS "adivinhou" os números da chave do Totoloto, numa notável operação de marketing para lançamento do seu primeiro livro, O MUNDO MÁGICO DE LUÍS DE MATOS. Para espanto de muita gente, estive presente no Edifício Chiado (Coimbra) no momento da revelação da previsão efectuada.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : O ESTORILMÁGICO - CASCAIS 95
Nota de sinal + : O reaparecimento da FOLHA MÁGICA do CIF
Nota de sinal + : O início da publicação de O MÁGICO.

sábado, 5 de março de 2022

1979 - ANO SETE (Parte 1)

 


PRIMEIRAS JORNADAS MÁGICAS DA CIDADE DO PORTO

Para comemorar o seu 20º aniversário o CIF programou um evento, o qual foi, igualmente, integrado nas comemorações do 75º aniversário do Clube Fenianos Portuenses. Tratou-se das "Primeiras Jornadas Mágicas da Cidade do Porto" e teve a programação que, seguidamente, se reproduz.

Este evento retomou a ideia de um espectáculo extra muros dos Fenianos com a realização de uma nova edição do espectáculo "OS MÁGICOS" no Teatro Sá da Bandeira, no qual participei a solo com a rotina de manipulação e integrado no grupo SKORPIUS com a rotina "A Decapitação". Nesta última introduzimos um melhoramento relativamente a anteriores espectáculos. Até aí, à semelhança da apresentação de JOHN CALVERT na qual baseáramos a nossa, a vítima estava encapuçada durante a decapitação, mas, a partir deste actuação, passou a estar de cabeça descoberta.


NADA NA MANGA, ETC.

Em termos cronológicos, salto o principal evento mágico do ano em que participei (FISM Bruxelas), o qual será objecto de um outro post a publicar amanhã, para referir duas situações com algum relevo (na minha óptica), nas quais tive intervenção.

A primeira foi a minha primeira presença num programa de televisão. Tratou-se do programa "NADA NA MANGA", uma série de programas dedicados ao Ilusionismo, na RTP 1 (ainda a "preto e branco") da autoria do Dr. Jorge Teixeira. Em boa verdade, em 16 de Novembro de 1979 apenas se realizou a gravação da minha intervenção (que teve lugar no Teatro Villaret), a qual só foi para o ar no ano seguinte (17 de Fevereiro de 1980). Mas não é por isso que o dia 16 de Novembro é um dia "relevante" no Ilusionismo português. A seu tempo falarei disso.

A segunda (aconteceu em Dezembro) foi ter sido convidado, por duas chefias militares, para realizar intervenções de uma "actividade que não era atinente da valorização dum oficial da Reserva Naval" (entenda-se "Ilusionismo") nos espectáculos de Natal das respectivas unidades. Confesso que tal convite me deu um "gostinho especial".


Em termos bibliográficos registo a aquisição de Navajas y Daltonismo (de ASCANIO) e Topper's Mad Mad Magic (de TOPPER MARTYN). Este último iria ser essencial na apresentação de uma rotina cómica de argolas chinesas, que viria, anos mais tarde, a integrar a minha "Rotina do escocês".

sábado, 19 de fevereiro de 2022

1977 - ANO CINCO (Parte 1)

 

OS MÁGICOS

Este foi o nome do espectáculo público integrado nas comemorações de S. João Bosco levado a cabo pelo CIF no dia 14 de Fevereiro no Teatro Sá da Bandeira. Foi uma iniciativa louvável da Secção de Ilusionismo do Clube Fenianos Portuenses que pretendeu, com ela, aproximar a Magia dum público mais abrangente daquele que frequentava, por norma, os espectáculos realizados na sede do clube. A crítica publicada em 16 de Fevereiro, no jornal "O Comércio do Porto" foi a que, seguidamente, reproduzo.

Fruto da dinâmica de trabalho que, nessa época, existia no CIF foram criados dois grupos de mágicos para apresentar rotinas de Grandes Ilusões. Juntamente com o UL-DE-KAR formei o grupo SKORPIUS (ao qual também se associou para colaborar o OLIMACK) e preparamos um efeito (A  Decapitação) baseado num dos quadros do espectáculo de JOHN CALVERT em que ambos tínhamos trabalhado. O funcionamento mecânico da ilusão era substancialmente diferente e suficientemente seguro para o OLIMACK arriscar a própria cabeça nele. Ao contrário da apresentação de CALVERT, que era cómico-burlesca, a nossa encenação era "pesada" e o público tinha direito a ver sangue jorrar durante o corte da cabeça (Nota: não só ver como também sentir alguns salpicos, como viria a acontecer num espectáculo posterior em que as dimensões do palco obrigaram a uma menor distância relativamente à primeira fila da plateia).

Portanto nesse espectáculo, além de apresentar a minha premiada rotina de manipulação, apresentei (em parceria com UL-DE-KAR), pela primeira vez, um número de Grandes Ilusões. A estreia dessa rotina correu muitíssimo bem e fomos, inclusivamente, elogiados pelo categorizado Roberto (da dupla NICHOLS & HONEY). O que também relembro desse espectáculo foi a ovação espontânea com que fui interrompido quando, durante a rotina de manipulação, realizava o meu  último efeito mágico : o bastão dançarino. Por isso, nessa noite, a rotina ficou um pouco mais curta. Dado o êxito do programa, a empresa do Teatro Sá da Bandeira contratou-nos para realizar uma mini-série de 3 espectáculos num dos fins de semana seguintes.

As comemorações de S. João Bosco não se limitaram a este espectáculo público e tiveram outras actividades realizadas apenas entre os ilusionistas. Uma dessas actividades foi inovadora no ambiente mágico. Tratou-se de um "Rali Paper" realizado nas ruas da cidade do Porto, o qual, além de permitir um salutar convívio entre os participantes também ajudou a divulgar o espectáculo já referido.

Uma das outras actividades integradas nas comemorações de S. João Bosco, foi o almoço convívio realizado num conceituado restaurante situado nos arredores do Porto. No final do repasto houve os tradicionais discursos. Delas, recordo com carinho a intervenção do saudoso LE-A-FAR, pois incluiu uma situação que ficou bem gravada na minha memória. Ao finalizar a sua intervenção, LE-A-FAR informou que, pouco tempo antes, tinha estado no Brasil e era portador de diplomas "Magirama" que lhe tinham sido entregues pelo CONDE RAMSÉS para homenagear alguns mágicos portugueses que se haviam distinguido em escritos sobre Ilusionismo. Mas quando entregou, a um dos homenageados, um diploma sem nome, logo se percebeu que os diplomas tinham vindo do Brasil apenas com a assinatura de CONDE RAMSÉS e fora a escolha de LE-A-FAR que determinara a "lista de homenageados". Isto permitiu-me aferir a dimensão correcta de certas distinções atribuídas no país irmão que, nas minhas leituras, tinha visto referenciadas.


O MEU PRIMEIRO "HECKLER"

1977 foi também o ano em que terminei o meu curso de Engenharia de Telecomunicações. Por isso, em data que não consigo precisar, realizou-se o habitual "Jantar de Fim de Curso". Se a data não relembro, o local ainda está bem presente na minha memória: a "Farmácia Campos" em Matosinhos! E já agora convém referir que o restaurante tinha, na altura, um nome pelo qual toda a gente o conhecia: "O Farta Brutos".

Embora eu não andasse pelos cantos da Faculdade com um baralho na mão a "impingir truques" aos colegas, todos eles conheciam a minha ligação ao Ilusionismo. Por isso era inevitável que, no final do repasto, me iriam solicitar uma actuação improvisada... para a qual eu ia, obviamente, preparado.

Nessa noite, um dos efeitos que decidi apresentar foi uma rotina "Fora Deste Mundo". E foi aqui que tive o azar de fazer uma má escolha do espectador que iria separar as cartas entre pretas e vermelhas pois escolhi um "brincalhão" (Nota: creio que esse "brincalhão" foi o Pedro Sampaio). E o que fez ele? Escolher sempre a mesma cor!... Claro que a rotina terminou (e bem!) quando atingi metade do baralho, mas, os mágicos percebem que teria sido muito mais impactante se usasse todo o baralho.

Naturalmente que são experiências deste tipo que nos fazem crescer. Por isso, na época, deixei de apresentar essa rotina até encontrar uma solução que fosse "à prova de brincalhão". Encontraria tal solução alguns meses depois e pude voltar a apresentar, com confiança, tal rotina. A solução que encontrei faz parte integrante do efeito "Out of this water" descrito pelo meu filho (HELDER GUIMARÃES) na sua colaboração para o livro "BEST OF ALL WORLDS".

Amanhã haverá novo post referente a 1977.

sábado, 12 de fevereiro de 2022

1976 - ANO QUATRO


A FISM NA CIDADE DE JOHANN STRAUSS 

Para mim este ano iniciou-se com o meu primeiro contrato com o "Monumental Casino" da Póvoa do Varzim, mas o facto mais relevante do ano foi o 13º CONGRESSO FISM, realizado em Viena (Áustria) entre 7 e 11 de Julho. 

Não tendo, obviamente, o mesmo impacto que, três anos antes, tivera em mim a FISM de Paris (relembro que, nessa altura, era "virgem" em relação a congressos e festivais de magia), foi um congresso que me proporcionou assistir a inúmeras actuações de elevada qualidade. E a primeira que me vem à ideia é a soberba actuação de BORRA, um artista de pickpocket, mas, no fundo, um verdadeiro showman, com uma capacidade de lidar e interagir com a presença de espectadores em palco como, até então, nunca tinha observado.

Também foi a primeira vez que assisti a uma actuação da dupla THE MORETTIS, que tanto furor viriam a fazer, nos anos subsequentes, em festivais e congressos de Magia com a sua inigualável "Caixa das Espadas em Cartão". Igualmente, a participação da dupla espanhola NICHOLS & HONEY (com os quais viría a fazer amizade) no espectáculo de gala que decorreu no "Theater an der Wien" foi objecto de muitos elogios. A sua "Cesta Hindu" permanece como sendo a melhor que vi até hoje. O DUO ABSOLON teve uma actuação soberba com a impecável manipulação de chaves e correntes, devidamente enquadradas num pequena "peça teatral" em que personificavam carcereiro e prisioneira. No mesmo espectáculo foi, igualmente, fantástico rever as fabulosas rotinas de ALI BONGO e SHIMADA.

Numa outra gala foi muito bom poder assistir à actuação de duas verdadeiras lendas vivas: PROF. SITTA (uma actuação sua pode ser vista aqui) e KUDA BUX (uma actuação sua pode ser vista aqui). A rotina apresentada por este último ainda hoje tem, para mim, alguns contornos de verdadeiro mistério.

Os concursos também proporcionaram muitos momentos de elevada qualidade. Em Micromagia a actuação que ainda recordo é a de ALDO COLOMBINI (que, na época, usava o nome artístico "MR. FABIAN") e os seus covilhetes "voadores". Notar que obteve o segundo lugar na competição, mas, na óptica de muitos, merecia o primeiro. Anos mais tarde, essa rotina seria publicada num livrinho editado por Supreme Magic e eu iria usá-la como base de uma rotina mágica que apresentei em diversos espectáculos. Em Cartomagia recordo a excelente rotina do espanhol TONY CACHADIÑA.

Nos concurso de palco recordo, naturalmente, PIERRE BRAHMA, que foi galardoado com o Grande Prémio com a sua rotina de jóias e moedas. É fantástico admirar um artista que ultrapassa um forte handicap (falta de audição) e consegue uma actuação perfeita ao ritmo da música. As actuações de JAN TORELL (2º lugar em Magia Geral), PETRICK & MIA (não obteve prémio), e ROY GARDNER & ASSISTANT (1º lugar em Magia Cómica) foram prestações que, igualmente, permanecem na minha memória.

No que se refere à componente social o programa estabelecia uma ceia num "Heuriger" (uma típica taberna vienense). A comitiva portuense (alguns dos quais tinham experienciado a recepção na Orangerie do Palácio de Versalhes na FISM 1973) abordou o cumprimento deste ponto do programa na expectativa de um opíparo jantar. Por isso o copo de vinho que foi servido acompanhado de algo para "picar" soube a muito pouco. Valeu o descontraído ambiente de convívio em que grupos de diversas nacionalidades cantaram espontaneamente canções típicas dos respectivos países. E o vinho fazia um belo efeito... Terá sido essa a razão pela qual, à saída, um dos congressistas queria levar, como "recuerdo", a cadeira em que estivera sentado?

Na comitiva portuense, a visita ao "Heuriger" teve uma consequência que poderemos classificar de... "humorística". Passados dois dias estava programada uma recepção na Câmara Municipal de Viena seguida de baile. O vestuário recomendado era, naturalmente, formal, mas nada era especificado quando a "comes e bebes". Por isso, no trajecto para o Wiener Rathaus, paramos numa roulotte de comida rápida e, ali mesmo, em pé e trajando os nossos melhores fatos de gala, tratámos de aconchegar o estômago para o caso de se repetir a situação vivenciada no "Heuriger". Esse "aperitivo" ingerido por precaução não nos impediu de apreciar o excelente jantar de gala que nos foi proporcionado no palácio.

Na Feira Mágica do Congresso tive que ser bastante selectivo quanto a compras, pois ainda era estudante e a mesada não era elástica. Mas adquiri dois livros fundamentais para a boa formação de qualquer mágico: "The Dai Vernon Book of Magic" e "The Magic of Slydini", ambos da autoria de Lewis Ganson.

No pouco tempo que o Congresso me deixou livre, pude passear por Viena e sentir a cultura ser emanada em parques e jardins. Lembro-me, durante anos, de pensar que, se algum dia tivesse que escolher uma cidade estrangeira para viver, essa cidade seria, indubitavelmente, Viena.

Mais alguns factos marcaram o panorama mágico português no ano de 1976, os quais, seguidamente se registam de forma breve. Em 9 de Julho faleceu D. AGUINALDO. Aqui registo que recebi dele importantes ensinamentos quando estava a preparar a minha rotina de manipulação de cigarros acesos. Um desses ensinamentos foi perpetuado no artigo "LEMBRANDO D. AGUINALDO" que escrevi e foi publicado em "A Folha Mágica" (CIF) de Abril de 1995. Seguidamente apresento dois curiosos  panfletos publicitários de D. AGUINALDO, datados de 1951 e 1965.

Em 20 de Agosto foi efectuada a escritura relativa à criação da Associação Portuguesa de Ilusionismo. Por coincidência, nesse mesmo dia estreou em Lisboa o espectáculo "O Mundo Fantástico da Magia" encabeçado por RICHIARDI Jr.. Foi uma tentativa de reeditar o êxito que, em 1972, tivera o "1º Festival Internacional de Magia", mas a época do ano (Verão) não foi propícia, tal como não tinha sido, no ano anterior, para o espectáculo de JOHN CALVERT, no Porto. Como o espectáculo não veio à cidade invicta, desloquei-me a Lisboa para, a ele, poder assistir. No respectivo elenco destaco, além de RICHIARDI Jr., as presenças de RICHARD ROSS (que, em 1973, na FISM Paris conquistara pela segunda vez o Grande Prémio) e OTTO WESSELY.

NOTAS DE RODAPÉ

Nota de sinal + : A FISM de Viena.
Nota de sinal + : A criação da Associação Portuguesa de Ilusionismo.
Nota de sinal - : O falecimento de D. AGUINALDO.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

1975 - ANO TRÊS (Parte 2)

 


JOHN CALVERT E O ESPECTÁCULO MAGICARAMA

Em meados deste ano atracou no Porto o iate MAGIC CASTLE, propriedade do ilusionista JOHN CALVERT, que nele se fazia transportar juntamente com a sua esposa (e partenaire) TAMMY e o seu empregado Henry.  A bordo também vinha todo o equipamento do seu grande espectáculo MAGICARAMA, o qual podia ser apresentado em qualquer cidade costeira em que decidisse parar durante as suas viagens marítimas, bastando, para tal, contratar alguns ajudantes locais.

Foi precisamente isso que aconteceu no Porto. O seu primeiro contacto foi com o JOFERK, o qual o apresentou aos mágicos do CIF. Desde logo ele manifestou a vontade de apresentar o seu espectáculo na nossa cidade, pelo que foi encaminhado para a sala de espectáculos que seria adequada para o efeito e que já tinha alguma tradição de receber espectáculos de ilusionismo (o último havia sido em 1972, com RICHIARDI Jr. como cabeça de cartaz): o Teatro Sá da Bandeira.

Dado que eu tinha um certo à-vontade na língua inglesa disponibilizei-me para ser o seu tradutor na abordagem à gerência do Teatro Sá da Bandeira. Depois do "negócio" ter sido fechado, CALVERT tinha que completar o elenco com "mão-de-obra" local. Ele tentou contratar os quatro assistentes masculinos de que necessitava no âmbito dos ilusionistas jovens do CIF, tendo conseguido apenas três: eu próprio, Raul de Carvalho "UL-DE-KAR" e José Ribeiro "JOY". Nove das dez assistentes femininas que necessitava foram contratadas num casting realizado na sequência de um anúncio publicado na imprensa. Observar tal casting e perceber as razões de CALVERT para optar por uma assistente em detrimento de outra foi uma das muitas lições que a minha temporada junto do grande ilusionista americano me proporcionou. Perceber como se monta um grande espectáculo teatral de duas horas foi outra.

O espectáculo não foi um estrondoso êxito e o facto de ter decorrido em pleno verão também não o favoreceu, mas direi que a grande maioria dos espectadores que a ele assistiram saíram da sala satisfeitos e com a noção de terem passado duas horas de bom entretenimento. Claro que não se pode agradar a toda a gente... Por isso a crítica escrita por CARDINAL na sua colaboração semanal nas páginas do JN, não foi a melhor. E, nessa crítica, a minha colaboração também foi questionada.

Mesmo antes de ler o texto de CARDINAL, já tinha percebido que fazia alguma confusão a certas mentalidades do nosso meio mágico que eu, tendo obtido poucos meses antes o 1º Prémio de Manipulação no Festival Mágico da Figueira da Foz, aceitasse uma simples posição de ajudante num espectáculo de Ilusionismo. No entanto, não me "caíram os parentes na lama" por fazê-lo e proporcionei a mim mesmo, numa fase inicial da minha carreira, a possibilidade de obter um conjunto de valiosos ensinamentos que, de outra maneira, demoraria vários anos a conseguir.

Entre os diversos quadros do espectáculo nos quais participei, destaco "O Boudoir Feminino" que viria, anos mais tarde a servir de inspiração para o número final da rotina com a qual o grupo DESERTO & COMPANHIA viria a conquistar um 3º lugar no ESTORILMÁGICO CASCAIS 97. É precisamente desse quadro a fotografia seguinte.



Também um outro quadro ("Histórias por Frankenstein") me merece destaque pois serviu de base para o desenvolvimento da rotina "A Decapitação" do grupo SKORPIUS.

Além do tempo de ensaios e actuações no espectáculo MAGICARAMA, passei muitas horas em conversas com CALVERT no seu iate (atracado na Ribeira do Porto), nas quais tentei absorver o maior número possível de ensinamentos do showman americano. Dele guardo carinhosamente uma gigantesca brochura de promoção artística (com dedicatória) e a fotografia (também com dedicatória) que, seguidamente, reproduzo.



Uma gravação do espectáculo MAGICARAMA efectuada 10 anos mais tarde (quando Calvert já tinha 84 anos de idade) pode ser vista aqui:


E, porque o ano de 1975 é fértil em recordações, tal como prometido, haverá um terceiro post. Será publicado amanhã.